Odisseia dos círculos

O homem deve ter inventado a roda depois de olhar bem fundo nos olhos de alguém
Deve ter sido encanto enxergado no infinito de uma alma que tem janela
Os buracos negros que se escondem no fundo de cada olhar
O mistério em descobrir onde começa e onde termina o meu e o seu universo particular.

Deve ter sido com atenção
Com tempo
Com minuciosidade.

O homem animal se fez arte
E desenhou na parede círculos como olhos
Esculpiu olhares em forma de roda
Sentiu tudo girar.

Foi olhando nos olhos que o mundo evoluiu!

Redondos os glóbulos, as cabeças e os planetas
Redondas formas que compõem o universo
Nossas digitais impressas pelo mundo.

Os passos em uma valsa
Um filme dentro de uma lata
Um disco fora da capa.

As canetas esferográficas
Os anéis de compromisso
Os nós que insistem e ficam.

As entradas de um cenote
O contorno da Lua cheia
Uma antena parabólica
E as escotilhas para um paraíso.

Nossos círculos sociais
Nossas rodas de conversas
Os giros que vida dá.

Redondos os núcleos, caroços e interiores
Redondas flores, frutos e sementes.

As galáxias
O tudo
E os olhos
Que enxergam o mundo de maneira diferente quando olham com profundidade uns para os outros.


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Uma carta que você não vai ler

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Tem um pouco do seu olhar morando no brilho dos olhos de alguém que você nunca conheceu.
Tem um pouco do toque suave das suas mãos no abraço de algum amigo.
Tem o jeito do seu sorriso no meu sorriso pro espelho.

Há dias em que tenho a ilusão, outros não.
Há dias que você está vivo, mas há outros em que lembro que você morreu faz tempo.
Há dias que eu não penso.

Existe alguma música que só consigo escutar com você, de ouvidos bem atentos e olhos bem fechados. Eu quase consigo sentir o toque da sua mão gordinha, como quando eu tinha um medo e você me apoiava.
Tem muito de você em mim, coisas que eu não tive tempo de conhecer, mas eu ouvi dizer que são heranças suas.

Nós já não mais podemos nos falar, mas eu sei que de algum modo a gente se comunica. São meus pensamentos, minhas memórias e as projeções de coisas que nunca irão se tornar reais. Já pensei em coisas que poderíamos fazer hoje, como um almoço durante a semana, uma viagem de férias, uma passeio em qualquer lugar, um abraço.

Eu penso se seríamos bons amigos, eu acredito que sim. Penso que iria te visitar ou cuidar de você quando estivesse doente, nós comemoraríamos o seu aniversário no dia das crianças. Eu penso que seríamos grandes parceiros.

Hoje eu não posso ter nenhuma dessas certezas. Eu guardo os meus pensamentos algumas vezes ou, como hoje, eu escrevo. Quando eu leio em voz alta, parece que você poderia me ouvir. Da minha maneira eu te conto o que eu penso e como eu me sinto. Eu queria que você tivesse me contado o que você pensava e principalmente o que você sentia, poderia ter contato para qualquer outra pessoa.

Talvez, se você tivesse falado, hoje eu não iria dizer que já faz 15 anos que você se foi. 

Eu torço para que ninguém  mais cale os sentimentos, para não calar a vida antes do tempo. Que se possa viver e conviver com  todo e tudo o que ainda vem. Que se entenda que mesmo com a dor, a vida ainda pode ter uma razão de ser. Que não se pense em viver apenas nas poucas memórias e muitas projeções da cabeça de quem ficou, mas escolher viver para fazer acontecer, mesmo que seja um curto almoço num dia qualquer da semana.

Essa era uma carta, uma postagem, uma mensagem… Algo que você não vai ler, mas que alguém vai, alguém que ainda está por aqui, como há 15 anos você esteve. Essa é uma carta pra dizer que eu tenho aqui os meus ouvidos para ouvir, os meus braços para abraçar, meu colo para alguém que se sente como você se sentiu possa usar.

Essa é uma carta pra dizer que eu não quero ver ninguém desistindo. 

Eu ia postar no dia 26, mas quando se trata de viver, todo tempo é precioso.

Sementes, botões e flores

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Viver é morrer todo dia, pra poder nascer de novo, mais forte e belo.
Não existe vida sem morte e não existe morte sem se ter vivido.
Tudo o que brota, uma hora vai morrer e tudo que morreu, um dia nasceu.
Mais do que nascer, é preciso viver, despertar e reinventar-se cada dia, de novas maneiras.

A vida e a morte caminham lado a lado, pra cada último suspiro, um novo respiro e RE-INSPIRAÇÃO.

Permita-se morrer pra poder renascer!

5 anos e 2 malas

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8 de agosto, data de mais um rito de passagem na minha vida. Lembro-me bem, que 5 anos atrás, eu resumi minha vida em duas malinhas, peguei um táxi e fui pro aeroporto sozinha. Não teve abraço, não teve olhar pra trás… Eu me lembro de sentar na poltrona do avião e chorar como uma maluca, sem ter certeza de absolutamente nada que aconteceria dali pra frente, mas mesmo assim eu não desisti.

Por muito tempo eu chorei e choro até hoje. Durante esses últimos 5 anos, as minhas duas malinhas já não são mais suficientes pra carregar toda a minha bagagem. Sou grata por tudo o que passei pra chegar até aqui. Eu sei que é apenas o início de um caminho, mas nada teria acontecido sem o primeiro e dolorido passo. Muita gente, querendo me proteger, sugeriu que eu desistisse, mas eu aprendi que sou mais forte do que eu pensei que poderia ser. Nem sempre a coragem é de lutar, mas a resistência pra tomar umas porradas é grande.

Eu sou grata pelos amigos que eu conheci até aqui, pelos próximos e pelos passageiros. Cada pessoa que passou pela minha vida é responsável pelo que eu sou. Eu sou grata pelas palavras, pelos abraços, pelos sorrisos, pelas derrotas, pelo sofrimento, pelo medo, sou grata por todas as dificuldades que tive e ainda tenho, porque eu sei que elas maturam o sabor das minhas alegrais, das vitórias que chegam de mansinho, mas eu não deixo de saborear nada.

Que meus próximos 5 ou 50 anos, continuem sendo sempre de muito aprendizado, de otimismo, de sorrisos, mesmo que em meio à lágrimas, pois foi assim que eu aprendi a ser. Ser forte, ser sorridente, ser grata, independente da conduta dos outros, eu vou sempre acreditar na beleza que há nas pessoas, na bondade que pode existir no mundo, acreditar que o amor é capaz de ultrapassar barreiras inimagináveis. Gratidão!

Oi, meu nome é Leila com i

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Uns de vocês acham que eu tenho 15 anos, outros 35, outros tão pouco se lixando pra idade que eu tenho… Eu faço parte desse último grupo, aliás, depois dos 18, parei de me importar ou achar diferença.
Biológica, cronológica, verdadeiramente falando, eu tô completando 26 anos de idade, mas e daí né?
Eu gosto de música dos anos 60,70,80,90… Eu gosto de comida árabe, mexicana, mineira, aaaaaaaaaaaaah, que mentira, eu gosto de qualquer comida, eu adoro comer, eu adoro jiló.

Eu nasci goiana, cresci candanga, estou carioca, sabe-se lá o que serei daqui a pouco.
Eu tive um pai, eu perdi um pai, eu ganhei dois pais, umas cinco mães, uma dúzia de irmãos, eu sinto um tanto de amor fraterno.
Eu já quis ser freira, fiz experiência vocacional, eu quis ser jogadora de vôlei profissional e até hoje a minha família acha que eu sou jornalista.
Já morei com os pais, com os tios, com os irmãos, com primo, em republica, com uns velhinhos, sozinha, com marido e com filha.
Eu trabalhei em faculdade, em órgão público, em jornal, em agência, já abri empresa e agora em ONG.
Já tive cabelo rastafari e curto e médio e longo, só AINDA não mudei de cor.
Já fiz balé, joguei vôlei, handball, tênis de mesa, yoga e corrida, mas meu esporte predileto ainda é levantamento de garfo e copo.
Aprendi a usar vestido depois dos 18 anos, mas nunca deixei de me comportar como um pivete e tenho cuecas no meu armário, eu adoro dormir com elas.
Eu sou mãe da menina mais linda do mundo, mas eu fico me segurando pra não agarrar qualquer criança que passa na minha frente.
Eu tenho bisavô com quase 98 anos. Eu tenho menos de 1,60m de altura, eu uso protetor solar 60fps todo santo dia e eu tenho enxaqueca desde os 8 anos de idade.
Eu perco muitas horas de sono enquanto tento dormir.
Eu perco muitos textos que eu penso, pensando que poderia levantar pra escrever e nunca levanto.
Eu perco pelo menos um brinco por semana.
Perco a hora, perco o cartão de crédito, a identidade, esqueço pra quem emprestei os livros, esqueço as coisas no fogo e sempre esqueço de pedir ajuda.

Eu odeio ir ao médico, odeio que leiam os meus textos na minha frente e eu odeio ler o que eu escrevo depois que eu publico.
Eu amo música alta na hora da faxina e danço sozinha enquanto tento imitar desastrosamente a Beyoncé. Eu sou irritantemente bem humorada pela manhã, mas me alimente logo cedo.

Eu tranquilamente passo o final de semana todo sem sair de casa nem pra jogar o lixo fora. Eu amo viajar sozinha, eu sou apaixonada por fotografia e ainda quero aprender mais sobre isso.
Eu desejo morar numa casa, com jardim, porque eu gosto de terra, de planta, de espaço, de quintal. Eu não sei onde e quando vai ser isso, mas um dia ainda vai rolar, eu sei que vai.

Eu lembro de tanta coisa, eu também amo tanta coisa, eu ainda vou fazer tanta tanta tanta coisa.

Foi um prazer chegar até aqui. A gente pode se encontrar em breve?

Tempo pai

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Havia relógios em todos os cômodos da casa. Não havia tempo a perder, nunca havia tempo perdido. Hora pra acordar, tempo do banho, tempo de se vestir, hora de comer, os minutos até chegar ao trabalho, tempo de ligação, hora da reunião, tempo de espera na fila.
Tudo era tempo. As horas, os minutos e os segundos. Tanta preocupação em medi-lo, calculá-lo, planejá-lo. Sobrou pouco tempo para vivê-lo. Em alguns anos tudo estava no automático, como uma máquina, tudo girava pra fazer o tempo passar.
E foi sem atraso, sem imprevisto, sem desmandos, sem contra-tempos. O tempo se virou contra você.
Você foi embora e não levou muito tempo. Foi tudo tão rápido, segundos. Depois de alguns minutos já não era mais o mesmo, em 26 horas você já não era mais você, pouco mais de um dia e você se foi pra sempre. Já não há mais tempo pra contar, os relógios aos poucos foram sumindo dos cômodos da casa. Eles levaram embora, todo o nosso tempo. Todos os nossos minutos, dias ou anos. Tudo o que ainda poderíamos ter.
O seu tempo acabou. Por algum tempo eu não acreditei, eu esperei que voltasse, mas o tempo também me disse que já era hora de deixar partir, o tempo não ia voltar atrás.
E passou o tempo. 14 anos.
Eu levo o tempo gravado na minha pele, pra não me esquecer nunca mais. Nós tivemos um tempo. Você viveu o seu tempo, eu continuo vivendo o meu, medindo um pouco menos que você.
Já não importa mais quanto tempo faz, importa quanto tempo fez.
Eu amei o nosso tempo, nossos 11 anos, 10 meses e dois dias.
Eu vou te amar pra sempre, em todos os tempos.

 

 

A Vida Edifício

 
 

Eram três andares…

No primeiro deles, um casal de idosos. Ela já debilitada e nada fácil, vive sob os cuidados dele, que apesar da idade se desdobra.

No andar do meio, um casal com um bebê, jovens pais de um garoto lindo e travesso que aprendem com o dia a dia as dores e as delícias da vida de pais.

No terceiro andar, uma mãe e uma adolescente que tentam manter um diálogo entre seus planetas.

Pela manhã… No primeiro andar ele prepara o banho dela, enquanto a carrega no colo, orientando como ela deve ou não agir. 

No segundo andar, um deles prepara o banho dele, enquanto o outro com está ele no colo, esperando que ele também se comporte.

No terceiro andar, ela se prepara para o banho, enquanto espera que ela saia do chuveiro e aprenda como agir.

Ele grita com ela no primeiro andar, por não o esperar e levantar sem apoio.

Eles gritam com ele no segundo andar, por ele conseguir se levantar sem apoio.

No terceiro andar… Elas gritam…

No primeiro andar, ele a senta na mesa e serve o almoço a ela, assoprando pra que ela não se queime.

No segundo andar, eles servem o almoço para ele com todo cuidado para que ele experimente tudo e vá até o final.

No terceiro andar, ela espera o retorno da escola para servir o almoço e sentar-se com ela.

Há movimentos da vida em cima, no meio e embaixo, com prazos pra lá e pra cá. 

No primeiro andar, logo se ouvirá menos barulho e talvez ele e ela já não serão mais dois. No segundo andar, se ouvirão mais passos, mais vozes, mais risos, mais gritos, mais musicas e palmas e logo eles serão completos três. No terceiro andar, os planetas ainda se desalinham, até que um dia um deles descobre sua órbita é parte em busca da sua jornada.

Com o tempo todos os andares mudarão de ritmo, o que era cheio vai ficar mais vazio, uma hora todos se vão, para seguir seus caminhos e aí não são mais gritos de euforia, de discussão ou de orientação que irão dizer mais nada. Quando tudo encontrar seu tempo, vai falar mais o silêncio, de um olhar, de um abraço ou de saudade, mas não precisará mais barulho…

É nessa hora que os três andares não se diferenciam, porque a vida é questão de tempo e de tempos em tempos nos descobrimos outros, com nossos barulhos externos e internos aprendemos que a vida vai nos mudar de andar e a casa que eu habitei hoje, vai comigo pra onde eu for amanhã. 

Um edifício cheio de vidas.

#Obrigada – Duda

470729_463658820361379_913014321_oEm algum momento da minha vida eu tive a oportunidade de conhecer a Duda. Ela chamava muita atenção, porque além de ser alta, ter lindos olhos azuis, ela é extremamente simpática. Cativante Eduarda!

Um tempo depois que a conheci, Duda veio morar no Rio de Janeiro. Mal sabia eu que, poucos meses depois, eu também me mudaria pra cá e me tornaria sua vizinha.
Mesmo morando na mesma cidade, poucas vezes tivemos a chance de nos encontrar, além da vida sempre corrida, ela passou a viajar o mundo boa parte do tempo, e tem vindo pouco ao Rio.

Em um de nossos encontros, fui a sua casa, ela tinha saído, mas deixou a chave na portaria para que eu a esperasse, eu meio sem jeito, entrei naquele universo com cores, gatos e frases positivas espalhadas por todo lado. Esse é o mundo da Duda, meio sem chaves, sem gavetas, sem máscaras, com cores, com aromas, com leveza.

Nas nossas conversas eu sempre consegui admira-la mais e mais. Era fácil olhar pra ela na rua e ficar babando, ela é uma linda mulher sim, mas quem faz parte do seu mundo conhece uma pessoa infinitamente mais linda, mais leve. A grandeza vai muito além do que se contato de maneira superficial.

A Duda nem deve saber, mas eu acho lindo o quanto ela parece ser livre num mundo tão preso a coisas pequenas. E como é bonito você olhar pra uma mulher que parece uma boneca, bela, delicada, aparentemente frágil, mas que está ali, sempre batalhando imensamente por todas as coisas, e que escolhe o que acha melhor para sua vida, sem se preocupar tanto com o que os outros vão pensar a respeito, mas que se preocupa com  o quê e quem importa de verdade, que ama a família, os amigos, que se predispõe a estar ao seu lado quando você precisar.

Eu tenho orgulho da Duda, e das muitas Dudas que existem no mundo.
Existem pessoas boas, de coração bom e que merecem e com certeza atraem coisas boas nessa vida.

Dudinha, obrigada por ensinar tanto, mesmo que às vezes por tão pouco. A gente nem sempre é o que a gente pensa, mas o que a gente passa e você passa tanta coisa boa e do que a gente passa a gente deixa e você sempre deixa saudade.

Meu agradecimento pelos sorrisos de Duda, pelas conversas de Duda, pela linda leveza que é ser Duda.

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Linhas da vida

  

Foi difícil decidir como começar a escrever, mas eu queria, eu sempre quis!

Não essa linha, não esse texto…
Foi difícil começar a escrever a minha vida quando me deparei com uma folha em branco e algumas páginas viradas.
Era somente eu.
Eu várias vezes me perdi, me perco e me perderei. É normal para quem possui opções, nem sempre escolher a melhor, mas também é normal poder voltar atrás, tentar novamente.
Anormal é ceder aos mesmos medos sempre e por eles deixar de viver. Mas tenho me visto em novas páginas, entre palavras e desenhos. Muitas vezes mais desenhos, rabiscos, projetos de coisas que eu quero que se concretizem, mas eu planejo, eu sonho, eu desejo e desenho.
Eu tenho uma velocidade reduzida e me aceito um pouco mais devagar do que o resto do mundo, mas eu tenho ouvido as vozes fora de mim. 
Não é preciso levar tudo tão ao pé da letra…
Você pode oferecer mais que isso…
Você não tem todo tempo do mundo, mas ninguém tem! 
Eu estou ouvindo vocês!
E o meu eu que escuta, pede pra sair de dentro do meu eu contido.
O meu eu que quer escrever mais, dessas linhas e dessa vida… 

Efeito Colateral 

Quando eu me prescrevi você, esqueci de dizer a mim mesma sobre os seus efeitos colaterais.

Eu não me contei que você causava arrepios, suor, delírios e dependência.

Eu esqueci de dizer que você poderia se tornar um vício.

E abstinência causa água na boca e visões quase reais.

Eu me contei que você era remédio, mas omiti que o abuso te transforma em meu veneno e eu abusei. Ah! Como eu abusei!

E agora é certo que vivo num mundo paralelo onde te procuro em bocas e becos.

Mas não se encontra fácil a versão mais pura desse sabor intenso.

E então… Água na boca…

E aí te encontro… Arrepios, suspiros, suor e vários delírios e antes que eu perceba… Já me encontram completamente alucinada e quando me dou conta, já não quero mais nada. E eu volto, não me trato.

E eu me vendo, sem me ver.

Eu me vendo sem te ver.

Eu me vendo te procurando.

Eu me vendo, te compro!

Eu – Meu

 

109 anos ou mais

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Tive a honra de nascer dotada desse espírito
Que comunga das alegrias e das tristezas do mundo
E se emociona com a energia que vem das pessoas
E encontra em tudo e todos o lado bom.

Eu tive a sorte de enxergar sorriso no meio da noite
E de brindar com a beleza que emana da vida.

Eu aprendi a dançar na chuva
E a cantar pra Lua
Eu aprendi a falar com as ruas
Que andam por mim como ando por elas.

Eu vejo as cores
Em cada dia e vejo ainda mais dias dentro de um só.
Não me aceito dentro dos meus 24 anos
Sendo em mim mais do que eu sou.

Eu tenho em mim
109 anos de histórias que não são minhas
Eu tive a sorte de sorrir até aqui
E esse anos não me pesam os ombros, mas me elevam os pés.

Flutuo entre universos que não pertenço
Mas como boa penetra, me sento à mesa, provo um drink e faço amigos
E se a vida for uma contagem regressiva
Eu tô pulando sobre os ponteiros.

Eu gasto o tempo que me gasta
E ainda não tem fim,
Nem meu tempo e nem esse texto
Porque são 109 anos ou mais que estão começando todos os dias.

Alice, Freud e José

Ela era apenas ela.
E o mundo novo se abriu sob seus pés.
Alice teve de crescer e ser pequena.
A situação pediu que fosse gente grande ou que soubesse lhe dar com sua pequinês em tamanho mundo.

Freud explique essa minha necessidade de falar sobre esse conflito de viver num limbo onde não se é grande o suficiente e nem tão pequeno assim.

Há um meio do caminho onde você ainda não pode caminhar só, mas não pode mais contar com a ajuda de alguém.

É esse ciclo astral ainda não completo antes dos 28 anos de idade. É esse mundo com um paradoxo temporal. Uma ampulheta que vira e desvira. Com e sem tempo. Muito e pouco. Suficiente e não o bastante.

José diz que ela é legal. Sabe conduzir as coisas e ainda lhe dá bom dia, mas José não sabe quem é Freud e nem deve ter ouvido falar de Alice. Ele abre os portões dos caminhos que eu faço e me saúda entre gorjetas e correspondências
É conveniente!

Alice cresceu… encolheu…
Brigou, com medo, mas enfrentou.
Esperavam que Alice conseguisse. E ela conseguiu. Foi por ela ou pelos outros?
Freud? O que me diz?

Um gato que sorri e desaparece também me deixa louca. Num mundo onde se caminha pelo desconhecido mesmo quando se sabe onde deve chegar.

O fim…
Que não justifica, mas transforma os meios.
Os meios que levam ao fim. Ou aos fins? Ou aos afins?
Quantas possibilidades eu tenho?
História escrita ou folha em branco?

José diria que tudo é o que é.
Freud acha que sou um animal dotado de razões imperfeitas e esses desejos que levam e trazem.
Alice não acha, não sabe, não entende… Vai…

E agora?
De Alice, Freud e José.

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A mulher e a menina

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Como cresceu!
Aprendeu a sentar, a andar, a falar.
Aprendeu a dizer o que quer, o que não quer.
Parece tão forte e determinada, menos quando pede colo com os olhos cheios de lágrimas.
Não quer dormir, mas os olhos se queixam e insistem em pesar.
Deitada se vira de canto em canto e quando se acalma… Sou eu que me encanto.
Me enquadro e te emolduro pra tornar eterno cada momento.
E se falta por um segundo você aqui parece que fui eu quem deixou de existir.

Me misturo sem saber onde começa você e termino eu.
De passo a passo entre saltos e tropeços.
Eu seguro a sua mão quando me levanto e quando você cai.
Tão circunstancial presença ou ausência.
É sincera a dúvida que eu vivo todo dia. Não sei se é a mulher a mãe da menina ou se é a menina a mãe dessa mulher.

Uma proposição

Você já se imaginou em um outro alguém que não fosse você?
Você pensou em se vê de fora pra dentro?
Já tentou pensar no que você pensaria do seu próprio rosto se o encontrasse pela rua em outra pessoa?
Já imaginou como você é visto?
Como você se veria, não sabendo que você é quem é com essa cara.
Não conhecendo o que você tem por dentro e olhando pra você não se vendo como um todo, mas apenas pelo que o seu rosto mostra que você é?
Olhe-se no espelho e se veja!
O que você enxerga é você (seu nome) dotado não só de uma face, mas de centenas de outras coisas que te compõem. Você vê a sua história, as suas marcas, suas escolhas.
Tudo o que você enxerga vai muito além do fato de ter esquecido de fazer a barba ou de não ter feito clareamento dental esse ano.
Você se vê além…
E quando você olha uma outra pessoa?
Você consegue ver além?
Tente imaginar o que outros achariam que você se parece, ou o que você acharia de si próprio se você não fosse você…

É maluco né?
Mas fazemos isso o tempo todo. É natural. Somos superficiais quando vemos o outro, mas queremos ser vistos com profundidade, sem ter esse mesmo olhar em reciprocidade.

Talvez seja apenas humano ser assim, ou talvez, falta de prática, exercício, consciência…

Escrevi isso antes… Mas talvez a gente precise se exportar de nós mesmos algumas vezes, pra podermos nos importar com os outros…

É só uma proposição!

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Extra

Esperar pelo extraordinário sem perceber que o ordinário se sobressai por ser assim tão comum.
Comum como um dia qualquer que nos mastiga com rotina. Como o vai e vem das barcas logo ali na estação, que levam e trazem histórias diariamente. Atravessando águas já tão atravessadas. Assim como eu que vivo das águas, ruas, dores e amores que me atravessam.
Vivo dos risos, choros, soluços, gritos e sussurros que esboço.
Eu que como qualquer ordinário dia comum, sou caos e silêncio, fumaça e som, escuro e total solidão.
Nada de extra e nem demais. Comum como as coisas que movem a vida, como todas artérias em funcionamento, como ar que circula de lá até aqui.
Apenas o ordinário imperceptível aos olhos menos atentos.
O tão trivial cotidiano, o amanhecer e anoitecer de dias de sol e de chuva e noites com ou sem lua.
A frente e o verso de uma capa de livro qualquer, que não se mostra tão interessante quanto o avesso que pode contradizer.
É só o que julga a primeira vista…

Nada de extra… Até que se enxergue com outros olhos.

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Fermentando

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Não nasci pra viver as coisas tão mais comuns
Pra ter uma vida pacata e normal
Ainda que eu não escolha, sou mais uma icógnita do que a inércia

A necessidade de estabilidade não sobrevive perto da minha curiosidade pelo novo
A certeza única é a de que nada é tão certo assim
As coisas mais duráveis acabam em minutos

As coisas que se prolongam demais acabam esquecidas pela monotonia em que elas mesmas se afogam
O apego é uma bomba relógio para saúde de quem vive
A vida é trânsito, fluxo, trocas
Idas, vindas, passagens, rumos que mudam sem parar

A coisa mais sensata a se fazer na vida é viver
E deixar que o tempo continue a agir da sua maneira e dar a cada um seu sabor

Testamento

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As coisas acontecem!
E quando menos se espera o que era tristeza vira alegria, o que era solidão vira companhia e até o que era verdade vira mentira.
Tanta convicção sem razão de ser.
Tanto signo sem significado algum.
Tanto tanto que é um tanto demais.

Eu sou tão pequena e o mundo é tão grande e o tempo é tão maluco que move esse mundo em freqüências variadas e intermináveis. Uma sempre sucedendo a outra e nenhuma é igual por mais parecida que seja.

E eu gosto assim, da vida que varia, que muda toda hora e me muda o tempo todo. Me faz todo dia um outro alguém, melhor que ontem ou não, mas sempre aprendendo e vivendo mais.

Que as coisas aconteçam então…
Eu não tenho força para impedi-las, apenas desejo delas desfrutar e quando um dia eu não aqui mais estiver, que lembrem-se de mim como alguém que a vida viveu e nada mais…

Talvez sem significado para alguns, mas com muito sentido para outros. Fico na lembrança daqueles que não irão decorar meu nome, mas sorrirão ao lembrar da minha risada boba e descontrolada.
Fico no coração daqueles que me viram algumas vezes caminhar e olhar para trás com um tchau de saudade de quem partiu querendo voltar logo.
Eu também fico nas palavras que eu deixo escritas e essas nunca vão morrer, nunca vão envelhecer, nunca perderão o sentido…
Eu espero que não, pois em todas as freqüências da vida, foram elas que sempre estiveram, estão e estarão comigo… Testemunhas das coisas que eu penso, das que eu digo e até das que eu não digo, por medo, vergonha ou falta de oportunidade.

E é isso que eu deixo…
Um desejo enorme de que não deixe nada demais, mas que sinta plenitude nas coisas que eu realizei, pois é aqui e agora o meu tempo e nada mais!

 

Um caminho

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Não é fácil acordar todos os dias e buscar forças para encarar a vida de cabeça erguida. Lutar para combater as incertezas e muitas vezes para buscar as certezas.

Ser forte é mais que uma qualidade, é uma necessidade, principalmente quando não se tem outra opção. É ir e vencer ou nada.

Os caminhos são difíceis, as pedras são grandes, doloridas, pesadas, machucam, causam dor, fazem chorar, perder o sono… Mas a estrada continua e é certo que não se deve parar.

Fazemos escolhas, sofremos suas consequências, deixamos de fazer escolhas e também vivemos as consequências.

Omitimo-nos, nos acovardamos, deixamos pra depois, calamos muitas vezes nos momentos errados. Enfim… Somos humanos…

De tudo ficam as lições, o aprendizado, a experiência e as histórias que passamos a frente. Das quedas, oportunidades de reerguer-se e novamente tentar.

Pessoas não são blindáveis, não nascem prontas e também não vivem para sempre. Pessoas precisam se condicionar, adquirir, deixar passar, desobedecer. Precisam acalentar, transgredir, buscar, sentir..

Gente de verdade sente dor, adoece, se engana, se irrita, sente tristeza. Gente de verdade derrama lágrimas.

Pessoas precisam aprender a construir, mas também a destruir e recomeçar. Elas precisam viver e a vida implica em escolher caminhos.

Me repetindo

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Pensei saber muitas coisas, inclusive já cheguei a pensar que sabia o que queria e que estava certa e decidida e que minha opinião era formada e imutável, até que um dia eu descobri que são momentos e os momentos são muitos.

Um deles é aquele em que você consegue enxergar tudo o que realmente deseja para viver e quais dessas coisas tem profundidade suficiente para se tornarem realmente indispensáveis…
Quais delas valem a pena continuar desejando. Descobrir quais os sonhos, os planos… Quais as buscas são verdadeiras.

Passado esse momento de “seleção” o passo seguinte é a busca, a conquista… O alcance!
Encontrar, dedicar, apreciar, respirar e viver cada um desses sonhos, planos ou coisas… Extasiar-se e saborear as vitórias.

Daí, o passo seguinte é apenas um… Descobrir novos planos, novas metas, novas coisas a buscar, conquistar, explorar… E com isso aprender que os nossos sonhos mudam, nossos planos mudam, porque nós estamos sempre mudando…

Mudando em movimento cíclico e não circular, entre altos e baixos, mas sempre progressivamente, deixando o dispensável para trás. O importante na caminhada é sempre seguir em frente.

A cada conquista, você não está mais só é tudo o que te é acrescentando, te modifica, cada peça somada te faz maior, mais forte, te faz você!

E tudo se torna novo de novo…

De si

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Cada um sabe o que grita no seu silêncio e compreende o motivo pelo qual cala.
Sabe cada um de si quando a pauta é o que vem de dentro. Conhece cada indivíduo o seu próprio labirinto, os caminhos que trilha e os caminhos que nunca trilhará.
Entende cada um os motivos de suas recusas ou de seus aceites.
Ninguém é transparente a ponto de não ter algo a ser descoberto. A cada passo somos alguém em um novo lugar. Nada que te define hoje pertencerá para sempre, porque a vida de ninguém permanece inerte ainda que escolha assim ficar, se nada muda em você, tudo muda a sua volta e o mundo muda sem parar.
Não é permitido ser sempre  o mesmo e dizer: “-Sou assim e nunca vou mudar!”. Muda você por si só ou muda o mundo e te deixa parado em algum lugar do passado.  
Nas escolhas que você faz, opte por olhar para frente e para lá seguir. Não conte aos quatro ventos sua alegria ou sua tristeza, mas aprenda com elas a caminhar e se fortalecer.
Não tenha medo de mudar e mude para melhor.