Postei

Tem um tempo que eu não escrevo, estou até estranhando a textura da caneta no papel. Será que devo pegar o computador para digitar? A mão é mais lenta que o pensamento, e enquanto eu desenho e reparo essas palavras nesse papel, me perdi na velocidade que as ideias passam pela cabeça.

Queria contar tudo que tenho aqui dentro, mas tudo é muita coisa e talvez muita coisa seja melhor digitar, porque eu digito sem olhar para o teclado. O botão de apagar não deixa rasuras como essas aqui em caneta azul. Ninguém vai descobrir se editei mais de 5 vezes o mesmo texto.

Aprecio esse barulhinho da passagem das páginas, é um som que parece anunciar algo novo. Pode ser uma página em branco todinha para mim, pode ser uma página não lida que vou descobrir, às vezes redescobrir ou reencontrar, sei que gosto.

Percorro as páginas de uma história, as que escrevo ou as que leio. Relembro as páginas que marquei e as que me marcaram.

Já foram tantas frases grifadas, tantos papéis preto no branco que ficaram cheios de cores. Me encontro e me redescubro em textos antigos. Folhas suave ou intensamente rabiscadas, às vezes toco minhas marcas.

Tomo nota de tudo quando fico em silêncio. Sou capaz de escutar tanto e tão distante, que consigo ouvir até dentro de mim, viajo nas profundezas dos metros quadrados do meu quarto entulhado de coisas e da minha vida nada rasa de símbolos.

Eu me escrevi em folha de papel, rasurei, falhei.
Irão descobrir?
Mas e daí?

Vim me confessar
Sou imperfeita
Sou resultado das rasuras que me marcam.

Eu estou aqui revisando meus pensamentos e concluindo mais essa edição, me passo mais uma vez a limpo. Meus pensamentos analógicos, digitalizados na velocidade que eu disponibilizei.

Ih, vou postar a versão final de algo que não acabou.

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Boa noite

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Sinto que temos dormido cada vez menos.
Menos sono, menos sonhos, menos anseios por realizações.
Menos desejo, menos vontade, menos coragem.
Pra você que acha que dormir é perda de tempo, não se engane, sonhar acordado é desejar aquilo que os olhos estão vendo, mas sonhar de olhos fechados é despertar os desejos profundos do seu coração.
Tornar consciente o inconsciente.
Vá dormir pra despertar!
Vá dormir, vá sonhar!

Tempo pai

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Havia relógios em todos os cômodos da casa. Não havia tempo a perder, nunca havia tempo perdido. Hora pra acordar, tempo do banho, tempo de se vestir, hora de comer, os minutos até chegar ao trabalho, tempo de ligação, hora da reunião, tempo de espera na fila.
Tudo era tempo. As horas, os minutos e os segundos. Tanta preocupação em medi-lo, calculá-lo, planejá-lo. Sobrou pouco tempo para vivê-lo. Em alguns anos tudo estava no automático, como uma máquina, tudo girava pra fazer o tempo passar.
E foi sem atraso, sem imprevisto, sem desmandos, sem contra-tempos. O tempo se virou contra você.
Você foi embora e não levou muito tempo. Foi tudo tão rápido, segundos. Depois de alguns minutos já não era mais o mesmo, em 26 horas você já não era mais você, pouco mais de um dia e você se foi pra sempre. Já não há mais tempo pra contar, os relógios aos poucos foram sumindo dos cômodos da casa. Eles levaram embora, todo o nosso tempo. Todos os nossos minutos, dias ou anos. Tudo o que ainda poderíamos ter.
O seu tempo acabou. Por algum tempo eu não acreditei, eu esperei que voltasse, mas o tempo também me disse que já era hora de deixar partir, o tempo não ia voltar atrás.
E passou o tempo. 14 anos.
Eu levo o tempo gravado na minha pele, pra não me esquecer nunca mais. Nós tivemos um tempo. Você viveu o seu tempo, eu continuo vivendo o meu, medindo um pouco menos que você.
Já não importa mais quanto tempo faz, importa quanto tempo fez.
Eu amei o nosso tempo, nossos 11 anos, 10 meses e dois dias.
Eu vou te amar pra sempre, em todos os tempos.