Eu te espero aqui

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Eu achei que eu conseguiria, achei que era forte o suficiente, achei que tudo na vida fazia parte de um processo, e que as coisas têm que ser apenas normais. Mas eu estava errada, em todas as coisas, e principalmente em pensar que eu estava pronta.

Eu não quero e não posso me despedir de você. Não agora, não assim. Eu ainda tenho muito o que aprender e é você que tem a missão de me ensinar. Então fique comigo, perdoe o meu egoísmo, mas compreenda o meu amor.

O mundo anda tão insensível e eu quero só poder sentir um pouco mais do seu abraço. Não se vá agora. Deixe mais do seu beijo com gosto de café, da sua voz cansada que sente alegria com o que é simples. Fica pra mais uma refeição. Eu quero ouvir o barulho que a rede faz enquanto você se balança, eu quero ver seu rosto saudoso contando coisas de outrora.

Eu já sinto saudade agora, eu já sinto medo agora, porque ainda vai existir um mundo depois que você não estiver mais aqui, mas eu tenho certeza de que ele já teria sido muito melhor. Então, luta um pouco mais, eu sei que você se sente cansada, mas não desista.

A primavera está chegando, você vai gostar de ver suas sementes florescer. Vem ver comigo, mais um pôr-do-sol, mais uma tarde de chuva, mais um dia de pescaria.

Estou aqui, do outro lado dessa porta, esperando você voltar caminhando, pra me abraçar e ir comigo.

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Obrigada Anitta

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*Fotógrafa: Bella Tozini – Modelo Thais Barbeiro


Anitta é uma linda mulher, muito linda.
E hoje Anitta me disse ao se despedir, já saindo em direção a porta e com um sorriso no rosto que o importante é viver sempre!

Amanhã Anitta entra na segunda fase da quimioterapia, que levou seus cabelos, deixou sua saúde frágil, mas de maneira alguma tirou a sua vontade de viver
Eu não sou sua amiga, pra falar a verdade eu a conheço bem pouco, apenas de idas e vindas pelos corredores do prédio que trabalho, das poucas vindas dela na minha sala para uma hora ou outra de conversas e risadas. Sua extrema gentileza sempre me chamou atenção, a gente tem aquele santinho que bate com o outro. Gosto de gente simpática!

Amanhã Anitta entra na segunda fase da quimioterapia, que levou seus cabelos, deixou sua saúde frágil, mas de maneira alguma tirou a sua vontade de viver. Eu não sabia que ela lutava contra um câncer até dia desses, mas hoje ela veio me visitar e entre um sorriso largo e outro perguntei como ela se sentia e ela disse que estava feliz e forte. O lenço que envolvia sua cabeça não era capaz de maneira alguma de esconder o seu sorriso.

Anitta é elegante, simpática e sorridente. E eu já disse… Não sou sua amiga, mas eu gosto dela e quando a olho ou quando penso nela,  faço por ela o que ela me disse que queria, desejo que ela tenha muita vida, boa vida, da forma mais bela que ela sabe fazer… Com beleza, por dentro e por fora.

E eu desejo aprender sempre as duas coisas que Anitta ensina gratuitamente: Alegria e Força!
Viver é sempre melhor e independente das circunstâncias, escolha superar, escolha sorrir, vem de dentro para fora, não só a beleza dela, mas a que eu vejo nas pessoas.

Obrigada Anitta!

109 anos ou mais

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Tive a honra de nascer dotada desse espírito
Que comunga das alegrias e das tristezas do mundo
E se emociona com a energia que vem das pessoas
E encontra em tudo e todos o lado bom.

Eu tive a sorte de enxergar sorriso no meio da noite
E de brindar com a beleza que emana da vida.

Eu aprendi a dançar na chuva
E a cantar pra Lua
Eu aprendi a falar com as ruas
Que andam por mim como ando por elas.

Eu vejo as cores
Em cada dia e vejo ainda mais dias dentro de um só.
Não me aceito dentro dos meus 24 anos
Sendo em mim mais do que eu sou.

Eu tenho em mim
109 anos de histórias que não são minhas
Eu tive a sorte de sorrir até aqui
E esse anos não me pesam os ombros, mas me elevam os pés.

Flutuo entre universos que não pertenço
Mas como boa penetra, me sento à mesa, provo um drink e faço amigos
E se a vida for uma contagem regressiva
Eu tô pulando sobre os ponteiros.

Eu gasto o tempo que me gasta
E ainda não tem fim,
Nem meu tempo e nem esse texto
Porque são 109 anos ou mais que estão começando todos os dias.

O sorriso de Constança

Faltava dez minutos para as 7 horas da manhã, quando o celular tocou me fazendo pensar se eu estava acordada mesmo ou se ainda sonhava. Era Eduardo que respondia a mensagem enviada dois dias atrás.

Acordei, as 9h já deveria estar em Ipanema. Cansada, após chegar tarde do trabalho na noite anterior, andava pela casa quase me arrastando, tomei um banho, escovei os dentes, peguei a mochila e saí.

Entrei no metrô vazio, escolhi uma cadeira e me sentei. Numa outra estação o metrô ficou cheio e eu avisto uma senhora de pé. A cutuquei e ofereci lugar, ela sentou-se, satisfeita com o meu gesto ofereceu-se para levar minha mochila.
Eu ri e falei que estava muito pesada, ela mesmo assim insistiu. Eu cedi, mesmo ficando com pena dela, pois realmente pesava muito a mochila. Em outra estação o metrô fica vazio novamente deixando vaga a cadeira ao lado da senhora que carregava a mochila.

Se tratava de Constança, ou Maria Constança, uma mineira de Belo Horizonte, que nunca se casou ou teve filhos, que vive no Rio de Janeiro e agora depois dos 80 quer aproveitar a vida depois de ter criado os irmãos, sobrinhos e os pais.
Ela que viajou duas vezes à Brasília para visitar a irmã, dizia que amou conhecer uma cidade planejada, organizada e lamentava por ter esquecido os livros de história que a irmã lhe dera, contando sobre todo o plano da nova capital e sobre todos que ajudaram a construí-la.
Ela que também não sabia em qual parte da Rua São Clemente encontraria o ônibus que a levaria ao Humaitá, onde deixaria um presente para a filha de uma amiga de BH, trazido em sua última viagem.

Entre uma história e outra ela me sorriu dizendo que se sentia feliz por viver e poder ver tantos rostos jovens e bonitos e poder sentir uma energia boa que as pessoas possuíam. As nossas mãos se tocaram em gesto de agradecimento, já chegava a estação de Botafogo onde ela desceria.
Constança levantou-se, se colocou ao meu lado, sorrindo, repetiu meu nome (Leila) vou me lembrar de você nas minhas orações.

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Eu sorri, agradeci e dentro de mim falei: Constança, vou lembrar-me de seu sorriso de menina.

Tributo ao sorriso

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Estou descobrindo que aprendi a dizer adeus com um sorriso, ainda que com um pouco de pesar, mas não com sofrimento. Aprendo sempre mais que tudo e todos uma hora se vão e que assim foi e sempre será.

A vida é construção e cada um que se aproxima é responsável por algo que me edifica. Algumas pessoas sempre serão nossa base maciça, mas todas elas, sem exceção, todas são responsáveis pelo meu crescimento e com nenhuma delas eu vou ter uma experiência ruim, simplesmente com algumas delas eu terei um aprendizado mais marcante.

Todos os remédios do mundo precisam da mesma coisa para fazer efeito, a composição da fórmula tem sempre o mesmo ingrediente, o tempo. Seja ele curto ou longo, mas sempre o tempo vai resolver. Resolver a dor, o amor, a saudade, a distância, a raiva, a falta de compreensão… Só o tempo! Ele vai transformar as coisas e as pessoas e vai fazer elas entenderem em algum momento o que eu entendo agora.

Só o tempo… Pra me fazer entender que pra algumas coisas não podemos perdê-lo. Não poupar elogios, dizer sempre eu te amo, distribuir abraços, sorrir e fundamentalmente PERDOAR.

Nossos cronômetros desajustados que não funcionam em um compasso só, a medida que uns caminham para frente, outros precisam dar passos para trás.

Pra alguns diremos “- Não se vá agora pois ainda é cedo”, ao passo que para outros agora já era tarde demais. Mas o tempo leva, cada qual no seu momento.

Sou feliz por saber o que realmente é essencial e que grande parte dessas coisas não ocupam se quer espaço em nenhum lugar que não seja o meu próprio coração.

Não é necessário fazer as malas, viver já é carregar uma grande bagagem.

( Com carinho, a memória de vovô Cid e Fred, seus sorrisos me ensinaram muito sem dizer absolutamente nada)