Boa noite, filha

Ela não disse nada, não pediu, nem se quer me olhou.
Apenas ali, no escuro, segurou a minha mão, para que eu também segurasse a sua. E assim, de mãos dadas, ela teve a paz que precisava.
Fechou os olhos com seu ar doce e puro de criança.
Protegida, pelo meu aperto de mão, não se sentia sozinha. Ela em paz dormiu.
E eu, mesmo no escuro, conseguia admirar a beleza de seu rosto.
Cada traço dela para mim é perfeição, como desenhada a mão.
Até o jeito que ela é respira é lindo.

Quando consigo soltar a minha mão da dela, toco seus cabelos e sinto o cheiro deles, suavemente contorno seu rosto com os meus dedos. Ela involuntariamente faz uma careta.

Eu dou uma risada silenciosa e a beijo devagar.
A cubro, e aos pés de seu ouvido desejo: boa noite, filha!

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