Respira e escuta

Hoje eu li um estudo que falava sobre a relação entre o cheiro e as memórias, de como relembramos as experiências pelo olfato.

Eu adoro o cheiro de coisa boa, gente que cheira bem, mas meu olfato é péssimo, extremamente deficiente. Respiro mal por uma narina e vivo alérgica, sempre entupida. Quase sempre tenho dificuldade para decifrar um cheiro comum, como de coisas queimando na cozinha.

Mas sons…
Ah! A música!!!
Ela mexe comigo de uma maneira…

Eu desenho situações inteiras com as minhas memórias musicais.
Sou meticulosa com as minhas playlists, música para ler, para descansar, dançar, para experimentar tudo no mundo.

Escuto o barulho da rua nos mínimos detalhes, às vezes ele me tira o sono, às vezes é chuva na copa da árvore, é vento ventando. Tudo vai indo, vai vindo.

Danço, gosto da música.

Uma voz, conversas, riso, choro, riso com choro, silêncio, quebra do silêncio, sotaque, idioma, com o corpo, com a voz, com instrumento, a onda, o mar, a cachoeira, um pássaro, o vento…

Passado, futuro, presente, comunicado, transmitido e sentindo na oralidade, no som.

Muitas vezes eu não respiro
Mas estou escutando!

22102018-DSC_0827

Anúncios

Da janela pra cá

Leila Fotos (197)
Fica aqui mais um pouco. Só mais um pouco.
Uns 5 minutos, dez anos ou o resto da vida, mas fica.
É que eu achei no seu abraço a paz que eu queria sentir no resto do mundo.
Eu descobri que todas as coisas são descartáveis.
Elas são coisas.
Mas com você eu tenho mais. Você me faz sentir.
E emoções não são coisas, não quero jogá-las de qualquer maneira no mundo.
Sinta comigo.
Me abraça só mais um pouco e fica.
Me deixa ver seus olhos adormecendo enquanto o seu sorriso se desfaz e se transforma na sua cara de paz.
Sim! Você tem uma cara de paz.
Essa que fica estampada aí, quando eu ainda não consigo entender se seus olhos estão abertos ou fechados.
E na minha dúvida, mora seu silêncio. Ou no seu silêncio mora a minha dúvida. E eu duvido me encantando.
Deixa a vida continuar seguindo do lado de fora da janela, mas hoje, fica! Continuar lendo

Tributo ao sorriso

tributoaosorriso_leylaguimaraes
Estou descobrindo que aprendi a dizer adeus com um sorriso, ainda que com um pouco de pesar, mas não com sofrimento. Aprendo sempre mais que tudo e todos uma hora se vão e que assim foi e sempre será.

A vida é construção e cada um que se aproxima é responsável por algo que me edifica. Algumas pessoas sempre serão nossa base maciça, mas todas elas, sem exceção, todas são responsáveis pelo meu crescimento e com nenhuma delas eu vou ter uma experiência ruim, simplesmente com algumas delas eu terei um aprendizado mais marcante.

Todos os remédios do mundo precisam da mesma coisa para fazer efeito, a composição da fórmula tem sempre o mesmo ingrediente, o tempo. Seja ele curto ou longo, mas sempre o tempo vai resolver. Resolver a dor, o amor, a saudade, a distância, a raiva, a falta de compreensão… Só o tempo! Ele vai transformar as coisas e as pessoas e vai fazer elas entenderem em algum momento o que eu entendo agora.

Só o tempo… Pra me fazer entender que pra algumas coisas não podemos perdê-lo. Não poupar elogios, dizer sempre eu te amo, distribuir abraços, sorrir e fundamentalmente PERDOAR.

Nossos cronômetros desajustados que não funcionam em um compasso só, a medida que uns caminham para frente, outros precisam dar passos para trás.

Pra alguns diremos “- Não se vá agora pois ainda é cedo”, ao passo que para outros agora já era tarde demais. Mas o tempo leva, cada qual no seu momento.

Sou feliz por saber o que realmente é essencial e que grande parte dessas coisas não ocupam se quer espaço em nenhum lugar que não seja o meu próprio coração.

Não é necessário fazer as malas, viver já é carregar uma grande bagagem.

( Com carinho, a memória de vovô Cid e Fred, seus sorrisos me ensinaram muito sem dizer absolutamente nada)