26 de fevereiro

Hoje é uma daquelas datas de aniversário estranhas. Não tem parabéns, não há comemoração. 16 anos atrás eu me despedi do meu pai. Como 16 anos passaram assim?

Essa não é uma história triste, não é um drama, é só mais uma história, como as milhões que acontecem todos os dias por aí, mas é a minha.

Hoje eu tenho consciência que boa parte das minhas memórias podem só ser coisas que eu selecionei para escolher qual personagem meu pai seria na minha vida. Eu tinha 11 anos quando ele morreu, eu era uma criança! É muito estranho pensar que eu já vivi mais a minha vida sem ele do que com ele, e ainda assim ele é um personagem tão presente.

Meu pai gostava de Raul Seixas, essa é uma das minhas memórias. Quando eu paro pra escutar Raul, eu penso nele. O meu gostar de Raul talvez seja influência dele. Parece que quando penso que ele escutava Raul, eu penso que a gente tem um gosto em comum, que meu pai talvez tivesse todo esse lado mais maluco e rebelde que dizem que eu tenho.

Tenho outras memórias, às vezes parece que elas somem e outros dias elas surgem fortes. Como eu disse, é um dia estranho, eu não comemoro, mas eu lembro. A saudade, óbvio, bate, dói. Lembro dos nossos abraços, das nossas brincadeiras, do humor eu lembro das agendas dele, que às vezes ficavam em cima da mesa, cheias de cálculos, números, nomes. As manias, as coleções, nossos finais de semana no estádio de futebol ou no parque. Lembro quando ele comprou a primeira bicicleta e ele andou nela pra mostrar como era. Ele parecia um gigante naquela bicicleta pequenininha, foi engraçado.

Eu lembro dele com algumas coisa que vejo em mim, alguns contornos do meu rosto, o meu jeito de sorrir. Tem sempre uma parte do meu pai vivendo em mim.

Continua tocando Raul enquanto eu escrevo, e ele fala do início, o fim e o meio. Nós vivemos todas as partes, tudo acabou cedo e a vida tá andando cada vez mais rápido, mas duas coisas não passam… O amor e a saudade!

Pai, eu nunca me esquecerei de tentar outra vez e mais outra e mais uma.

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Tempo pai

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Havia relógios em todos os cômodos da casa. Não havia tempo a perder, nunca havia tempo perdido. Hora pra acordar, tempo do banho, tempo de se vestir, hora de comer, os minutos até chegar ao trabalho, tempo de ligação, hora da reunião, tempo de espera na fila.
Tudo era tempo. As horas, os minutos e os segundos. Tanta preocupação em medi-lo, calculá-lo, planejá-lo. Sobrou pouco tempo para vivê-lo. Em alguns anos tudo estava no automático, como uma máquina, tudo girava pra fazer o tempo passar.
E foi sem atraso, sem imprevisto, sem desmandos, sem contra-tempos. O tempo se virou contra você.
Você foi embora e não levou muito tempo. Foi tudo tão rápido, segundos. Depois de alguns minutos já não era mais o mesmo, em 26 horas você já não era mais você, pouco mais de um dia e você se foi pra sempre. Já não há mais tempo pra contar, os relógios aos poucos foram sumindo dos cômodos da casa. Eles levaram embora, todo o nosso tempo. Todos os nossos minutos, dias ou anos. Tudo o que ainda poderíamos ter.
O seu tempo acabou. Por algum tempo eu não acreditei, eu esperei que voltasse, mas o tempo também me disse que já era hora de deixar partir, o tempo não ia voltar atrás.
E passou o tempo. 14 anos.
Eu levo o tempo gravado na minha pele, pra não me esquecer nunca mais. Nós tivemos um tempo. Você viveu o seu tempo, eu continuo vivendo o meu, medindo um pouco menos que você.
Já não importa mais quanto tempo faz, importa quanto tempo fez.
Eu amei o nosso tempo, nossos 11 anos, 10 meses e dois dias.
Eu vou te amar pra sempre, em todos os tempos.

 

 

TOP BLOG 2013

Queria agradecer a todas as pessoas que colaboraram com o blog nesses últimos anos e aqueles que esperam com paciência durante os períodos em que eu não consigo fazer postagens.
Logo que possível voltarei a ter mais frequência nas postagens aqui.
Esse ano eu fui escolhida, graças a vocês, para concorrer ao TOP BLOG 2013. Gostaria de pedir a colaboração de todos e também os votos.

É simples, clica no selinho que fica logo ali ao lado e votem em mim 😀

Obrigada