Odisseia dos círculos

O homem deve ter inventado a roda depois de olhar bem fundo nos olhos de alguém
Deve ter sido encanto enxergado no infinito de uma alma que tem janela
Os buracos negros que se escondem no fundo de cada olhar
O mistério em descobrir onde começa e onde termina o meu e o seu universo particular.

Deve ter sido com atenção
Com tempo
Com minuciosidade.

O homem animal se fez arte
E desenhou na parede círculos como olhos
Esculpiu olhares em forma de roda
Sentiu tudo girar.

Foi olhando nos olhos que o mundo evoluiu!

Redondos os glóbulos, as cabeças e os planetas
Redondas formas que compõem o universo
Nossas digitais impressas pelo mundo.

Os passos em uma valsa
Um filme dentro de uma lata
Um disco fora da capa.

As canetas esferográficas
Os anéis de compromisso
Os nós que insistem e ficam.

As entradas de um cenote
O contorno da Lua cheia
Uma antena parabólica
E as escotilhas para um paraíso.

Nossos círculos sociais
Nossas rodas de conversas
Os giros que vida dá.

Redondos os núcleos, caroços e interiores
Redondas flores, frutos e sementes.

As galáxias
O tudo
E os olhos
Que enxergam o mundo de maneira diferente quando olham com profundidade uns para os outros.


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Só me diz

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Me diz
Que fogo é esse que arde nos teus olhos?
De onde vem essa chama que incendeia onde você mira?

Que sol é esse que ilumina só você no centro do universo?
Universo que eu, reles mortal, circundo sem saber o motivo

Como quebrar o feitiço que você exala?
E como vive quem ainda não te visitou?

Onde enterraram a chave do baú que esconde o seu segredo?
Quantos milhões de anos luz moram nas galáxias atrás desses olhos?

Quantas flores se envergonham por não ter o cheiro dos seus cabelos?
Quantas pétalas já secaram por não se igualar a suavidade do seu toque?

Quantos sabores tem o gosto do seu gosto?
E como ingressa nessa aventura que é te viver?

Me diz…
Só me diz.

Você nos meus olhos

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Não tenho nenhuma foto sua. Eu tive medo algumas vezes de esquecer o seu rosto.
Eu queria descobrir sempre uma maneira nova de te ver, e eu vi.

Aprendi a te encontrar sempre que fecho os olhos. Sem nenhuma foto, criei seu retrato mental. Sei o tamanho das suas mãos, o formato do seu nariz, o desenho da sua boca. Conheço cada manchinha na sua bochecha e das costas. Lembro do seu cheiro, sempre lembro do seu cheiro.

Eu olho nos seus olhos, que olham nos meus, e que se fecham também, quando percebem que não há mais necessidade em olhar assim. Eu te vejo com a alma que há em mim e te enxergo com a alma que há em você. Não me esconda nenhum dos seus defeitos, porque eu os conheci em silêncio.

Eu não preciso que você me deixe observar mais, eu sei de você. Até sei que o que você pensa que eu não gostaria de saber. Eu não gosto, mas eu sei. E cada pedaço do que eu sei, é o que faz você ser o que é. Pra mim, pro mundo, pra vida.

Você vai estar onde tiver de estar, inclusive nas lembranças dos meus olhos fechados ou abertos.