Santa

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É como um interior, oculto no coração da cidade.

Um igreja, uma praça, vizinhos nas calçadas a conversar. Pelas ruas as crianças ainda correm e brincam, sem se importar em perder os tampos dos dedos enquanto descem as ladeiras atrás de uma bola.

No meio da rua, uma banda de Gipsy jazz composta por estrangeiros. O atendimento ainda é bom e a vista…Ah, a vista!
Do alto daquelas ladeiras a cidade lá embaixo é só um emaranhado de luzes disformes, e o som de lá se dissipa com as vozes, a música e as risadas na porta de cada bar.

O comum é desigual e o diferente aqui é completamente corriqueiro. Fosse eu Portinari, faria um quadro e retrataria essas ruas como ele fez com Brodowski, mas eu não sei pintar, só sei escrever. Entre uma gargalhada e outra de criança, um carro passa. Eu ouço vários idiomas, como numa Babilônia, sem caos. Só paz. Um carnaval de alegria e fantasias.

O tempo passa lentamente enquanto os cães também passeiam, as mães alimentam e ninam os bebês. Não há curiosos nas janelas, eles se sentam nas ruas, falam enquanto gesticulam com os braços, perguntam sobre seus dias, suas tardes, suas noites e suas vidas. Eles ainda se importam por aqui. Os vizinhos se conhecem, os amigos se reconhecem, as tribos se encontram.

Tudo isso passava diante dos meus olhos e eu observei, sentada na escada, entre um gole d’água e outro de vinho, como quem compara a transformação entre os dois sabores com a mudança da vida la em cima e aqui embaixo.

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Efeito Colateral 

Quando eu me prescrevi você, esqueci de dizer a mim mesma sobre os seus efeitos colaterais.

Eu não me contei que você causava arrepios, suor, delírios e dependência.

Eu esqueci de dizer que você poderia se tornar um vício.

E abstinência causa água na boca e visões quase reais.

Eu me contei que você era remédio, mas omiti que o abuso te transforma em meu veneno e eu abusei. Ah! Como eu abusei!

E agora é certo que vivo num mundo paralelo onde te procuro em bocas e becos.

Mas não se encontra fácil a versão mais pura desse sabor intenso.

E então… Água na boca…

E aí te encontro… Arrepios, suspiros, suor e vários delírios e antes que eu perceba… Já me encontram completamente alucinada e quando me dou conta, já não quero mais nada. E eu volto, não me trato.

E eu me vendo, sem me ver.

Eu me vendo sem te ver.

Eu me vendo te procurando.

Eu me vendo, te compro!

Eu – Meu

 

Testamento

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As coisas acontecem!
E quando menos se espera o que era tristeza vira alegria, o que era solidão vira companhia e até o que era verdade vira mentira.
Tanta convicção sem razão de ser.
Tanto signo sem significado algum.
Tanto tanto que é um tanto demais.

Eu sou tão pequena e o mundo é tão grande e o tempo é tão maluco que move esse mundo em freqüências variadas e intermináveis. Uma sempre sucedendo a outra e nenhuma é igual por mais parecida que seja.

E eu gosto assim, da vida que varia, que muda toda hora e me muda o tempo todo. Me faz todo dia um outro alguém, melhor que ontem ou não, mas sempre aprendendo e vivendo mais.

Que as coisas aconteçam então…
Eu não tenho força para impedi-las, apenas desejo delas desfrutar e quando um dia eu não aqui mais estiver, que lembrem-se de mim como alguém que a vida viveu e nada mais…

Talvez sem significado para alguns, mas com muito sentido para outros. Fico na lembrança daqueles que não irão decorar meu nome, mas sorrirão ao lembrar da minha risada boba e descontrolada.
Fico no coração daqueles que me viram algumas vezes caminhar e olhar para trás com um tchau de saudade de quem partiu querendo voltar logo.
Eu também fico nas palavras que eu deixo escritas e essas nunca vão morrer, nunca vão envelhecer, nunca perderão o sentido…
Eu espero que não, pois em todas as freqüências da vida, foram elas que sempre estiveram, estão e estarão comigo… Testemunhas das coisas que eu penso, das que eu digo e até das que eu não digo, por medo, vergonha ou falta de oportunidade.

E é isso que eu deixo…
Um desejo enorme de que não deixe nada demais, mas que sinta plenitude nas coisas que eu realizei, pois é aqui e agora o meu tempo e nada mais!

 

Meus versinhos pra você

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Quando ainda menina, eu corria pelo quintal
Ouvia sempre de longe aquele grito descomunal
Era a bisa dizendo que estava posta a mesa
E pelo cheirinho a gente sabia que era comida boa, com certeza.

Em torno da mesa uma molecada se reunia
Café, bolinho de chuva e muita bagunça havia
E sentado na ponta do banquinho sempre estava ela que via
Que cá estava essa criançada da família que só crescia.

Não foram uma e nem duas vezes que em nossos almoços uma pausa se fazia
Vovô ia ler seus versos e homenagem ele nos dizia

Tirava sempre os óculos para ler, e do bolso da camisa de botão uma cadernetinha saía
Suas palavras que emocionavam, terminavam em oração
Agradecer pela nossa família sempre unida e cheia de amor no coração.

Já vai chegando o aniversário de número 96
E estando longe ou perto o meu amor não mudou por nenhum de vocês
Seu José e dona Ana, patriarcas de uma família que é só coração
Escrevo essas palavras, em versos simples, mas em forma de gratidão.

Que seu exemplo de vida ultrapasse gerações
Que nossos filhos saibam que a família vale mais do que dinheiro e ouro
E que não há no mundo melhor tesouro.

Eu sou grata pela sorte que tive nessa vida
De ter chegado ao mundo no seio de tão linda família
Queria eu poder pedir que vocês vivessem para sempre
Mas já que isso é pedir muito, agradeço por vocês terem deixado sementes.

É um orgulho fazer parte dessa prole
De gente tão simples, humilde, mas nobre
Que ensinou que valor é diferente de preço
E que o mundo será sempre grato comigo, me dando o que eu mereço.

Ao meu biso e minha bisa deixo aqui a minha mensagem
E espero que a suas palavra ecoem por toda eternidade…

Com carinho… Do seu coraçãozinho. LeilaImagem

Nova estação

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Quando paro pra pensar me pergunto se tudo que eu escrevo não é melancólico, nostálgico e saudoso demais e sempre acabo chegando a conclusão de que é sim! Devo ser um tanto quanto chata, repetitiva e quem sabe até melosa demais…

Fui rever os meus motivos para me repetir tanto na explanação dos mesmos sentimentos e descobri…

…Eu me sinto extremamente feliz por sentir saudade e não é algo que me faça mal, ao contrário, me faz muito bem! Eu seria incapaz de sofrer por sentir saudade e seria incapaz de sentir saudade de algo que tenha sido ruim e sem proveito. Sentir saudade é bom, só o que é bom ou deixa uma boa lição é capaz de marcar a vida o suficiente pra merecer ser revivido em memórias, pelo menos nas minhas…

Guardo com orgulho as boas histórias que vivi, que me contaram, que li, que assisti e até das que eu sonho viver ainda.

Viver de saudade não! Relembrar com alegria sim!

Dia desses eu li uma frase de um escritor em que ele dizia que estava escrevendo pouco por estar feliz e gente feliz não escreve muito, se expressa mais por imagens pois elas dizem mais que palavras…
Pode ser que sim… Talvez eu também esteja escrevendo menos e postando mais fotos em uma rede social… Mas não vim aqui agora escrever por estar triste… Eu venho aqui escrever porque me deu saudade e a saudade me inspira.

A lembrança é passageira, assim como a vida… Mas a lembrança vai e vem como os passageiros de um trem pra qualquer destino… Mas a vida não… A vida é uma só… Ela não vai e vem… Ela só vai, o que vem são as coisas novas, as pessoas novas, como os passageiros que chegam pra conhecer a nova estação…

As lembranças são as viagens… Que acontecem, mas que não duram para sempre, pois haverá sempre novas estações a serem visitadas nessa vida…

Então eu fui…
Fui lá conhecer…

Até a próxima estação da saudade… Te vejo por lá!

Todos os MEUS dias!!!

Chega uma época em que é muito bom poder olhar para trás…
Mesmo que você não tenha chegado onde queria, é bom olhar o que você fez e ficar feliz
pelas pessoas que conheceu, os lugares que frequentou, as horas de conversa…

Chega uma época de sentir orgulho, mesmo sem ter feito tudo…
Ver a felicidade das pessoas que você gosta e ficar feliz por elas
com elas e para elas…Isto também é estar feliz de verdade!

Chega uma época em que não querer tudo é importante!
Que é tão bom, mas tão bom comemorar o que se tem
que pensar no que não se tem fica pra segundo, terceiro ou quarto plano!

Acho que chegou a época em que eu não cheguei no fim da estrada, mas consegui
ver que não tem ninguém lá…
O importante é estar no caminho, percorrê-lo, conhecê-lo, vivê-lo e trilhá-lo…

Um caminho, duas estradas, várias vias… Uma vida inteira pela frente…
Meus olhos estão brilhando em cada conquista…
Minha cabeça está pensando no próximo desafio…
Meus pés estão prontos para andar um pouco mais…

Um tanto menos cru, mas ainda não 100% maduro!

Viver bem a vida, porque todos os dias, são os meus dias…