Um, dois e mais alguns

Uma quarta-feira à noite e poucos planos
um modo de te encontrar em algum lugar
se arruma que estou chegando.

Dois instantes pra fechar a janela
outro para pegar o elevador
um aceno que para um táxi.

Três curvas à direita e outra à esquerda
algumas luzes apagadas no túnel
mais alguns passos pra tocar o interfone.

Quatro e meia da manhã
preciso voltar antes do sol sair
fica, você disse.

Cinco segundos e parei de pensar
um sorriso e um afago em seu rosto
levanto e saio andando.

Seis botões pra fechar a roupa, a bolsa e o sapato
dois sorrisos pra selar uma despedida
saio pelo corredor.

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Só me diz

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Me diz
Que fogo é esse que arde nos teus olhos?
De onde vem essa chama que incendeia onde você mira?

Que sol é esse que ilumina só você no centro do universo?
Universo que eu, reles mortal, circundo sem saber o motivo

Como quebrar o feitiço que você exala?
E como vive quem ainda não te visitou?

Onde enterraram a chave do baú que esconde o seu segredo?
Quantos milhões de anos luz moram nas galáxias atrás desses olhos?

Quantas flores se envergonham por não ter o cheiro dos seus cabelos?
Quantas pétalas já secaram por não se igualar a suavidade do seu toque?

Quantos sabores tem o gosto do seu gosto?
E como ingressa nessa aventura que é te viver?

Me diz…
Só me diz.

A mulher e a menina

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Como cresceu!
Aprendeu a sentar, a andar, a falar.
Aprendeu a dizer o que quer, o que não quer.
Parece tão forte e determinada, menos quando pede colo com os olhos cheios de lágrimas.
Não quer dormir, mas os olhos se queixam e insistem em pesar.
Deitada se vira de canto em canto e quando se acalma… Sou eu que me encanto.
Me enquadro e te emolduro pra tornar eterno cada momento.
E se falta por um segundo você aqui parece que fui eu quem deixou de existir.

Me misturo sem saber onde começa você e termino eu.
De passo a passo entre saltos e tropeços.
Eu seguro a sua mão quando me levanto e quando você cai.
Tão circunstancial presença ou ausência.
É sincera a dúvida que eu vivo todo dia. Não sei se é a mulher a mãe da menina ou se é a menina a mãe dessa mulher.

Nove de março

Fica difícil não me repetir quando tenho uma musa que mereça tantas palavras que venham do fundo do meu coração. Ainda que eu me repita, não posso conter as palavras que querem sair de dentro de mim.

O dia da mulher é comemorado em 8 de março, mas foi no dia 9 que eu me descobri uma deusa.
Dia 9/03/2012, 16:01 horas, Tijuca, Rio de Janeiro. Foi assim que ela veio ao mundo pra me fazer naquele exato minuto sentir uma coisa que nunca tinha experimentando antes na minha vida e que eu não sei se é possível sentir igual. Foi naquele minuto que eu ouvi o choro dela pela primeira vez e a senti em meu braços, e a vendo instantaneamente parar de chorar e se aconchegar no meu abraço de mãe, foi aquele o momento mais incrível da minha vida!

Já se passaram dois anos desde a primeira vez que ela respirou!
Antes já era amor, foi uma preparação, foram chutes, pontapés, foi ouvir seu coração batendo em todos os exames, foram muito enjoos, foram milhões de pensamentos de como seria a vida quando ela chegasse, ansiedade ao ver suas roupinhas e as coisas que se transformavam na casa para aguardar a sua chegada. E agora já se foram dois anos e ela TODOS OS DIAS aquece a minha vida com esse mesmo amor.

Minha menina aprendeu a andar, falar, comer sozinha, escovar os dentinhos. Já gosta de se pentear e calça os meus sapatos, se aventura a brincar com a minha maquiagem e ri de si mesma quando se olha no espelho toda linda. Seu vocabulário é extenso e ela gosta de subir e descer degraus sem ajuda.
Eu não consigo explicar a maravilha que é assistir ela crescendo e evoluindo dia a dia… Não sei explicar esse sentimento que dói de tão imenso. Que saudade é essa que sufoca quando nos afastamos mesmo que por algumas horinhas.
É um amor que eu não quero que acabe…

Eu aprendo todos os dias com os meus erros e com os meus acertos e eu aprendo todos os dias ao lado dela. Com cada sorriso, cada gesto, ela me ensina com a sua simplicidade e inocência. Nos erros ou nos acertos… A gente só precisa sentir, admitir, corrigir e seguir em frente! Que eu possa sempre ensinar e aprender com ela e que seja simples e cheio de verdade.

Hoje é o dia dela, talvez ela nem entenda, ela não pede e não exige nada, o que ela precisa é de abraço, de beijo e de amor.
Nossa festa é cotidiana, é acordar juntas, caminhar de mãos dadas, brincar com os cachorros da rua, correr, escorregar, pular sem parar, cozinhar juntas, espalhar brinquedos pelo chão, inventar coisas, resignificar objetos, cantarolar, adormecer abraçadas. Nossa festa são as coisas impagáveis que vivemos.

Não podia imaginar que minha vida ganharia tanto valor com um nome de três letras.

Seja sempre bem-vinda filha, como você foi desde o dia em que te descobri, como te falei desde a primeira vez. Bem-vinda minha filha!

Meu melhor presente por toda a minha vida.

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