Fotografia

dsc_0103Eu capturei você em um retrato. Peguei pra mim e eternizei uma lembrança sua que talvez nem te pertença, mas que será, de agora em diante, pra sempre minha.

Eu tomei para mim uma você que nunca foi e nunca será real. Eu vou guardar uma representação sua, que ainda sendo sua, é muito minha.

Você, para mim, é a alma daquela foto. Está lá, plena, serena, tão poesia, toda beleza, toda sutileza. Você natura.

Eu vou guardar de você uma possível mentira, que pra mim é toda a verdade. É você do jeito que eu te quis, que eu te quero, do jeito que eu te fiz, que eu te vi. É você na minha construção.

É você, que é um pedaço de mim. Seguro e simples, como um pedaço de papel na palma das minhas mãos.

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Cálice

Imagem
Mostra o que não é pra esconder o que sempre foi.

Mente sobre o que já fez pra apontar quem repete seu feito.

Aponta do outro o primeiro tombo enquanto sente a dor de joelhos calejados de se arrastarem no chão.

Mente sobre o que que quer pra não demonstrar o que sempre quis.

Forja um outro eu pra não ter que se ver mais no espelho.

Julga, fala, aponta e condena aquele que uma vez caiu do abismo que você costuma habitar como lar permanente.

Mostre a sua cara, a verdadeira, ou então se cale.

A verdade, nada mais que a verdade!


Eu acho que escrevo porque sou covarde e não tenho coragem de contar as pessoas o que realmente se passa.
Não sou sincera nem comigo e nem com você que lê. Tudo não passa de uma grande farsa. Uma vez até cheguei a escrever que escritores não tem necessidade de serem eles mesmos, que podem ser livres para ser o que quiser, mas na verdade, o mundo não mais é do que uma vitrine de hipócritas. Somos o que não somos ou parecemos ser o que os outros querem que sejamos. Adequamo-nos para nos agrupar e sabemos no fundo que estamos completamente sozinhos com a nossa “verdade “.
Felizes aqueles que incorporam tão bem seu personagem, a ponto de deixar que tomem sua personalidade. A vida imitando a mentira ou a grande mentira que é a vida. Seja lá como for, tudo é criado, encaminhando e conformado. Espaços e mais espaços e ainda mais espaços cheios de vazio. Um mundo oco por dentro e por fora. Buscas de sentido em coisas sem sentido. Drogas, moda, álcool, rebeliões, status, corpo, dogmas, plateia, dinheiro…
São tantas as coisas a buscar que pelo caminho em algum lugar ficou o meu EU. Talvez EU não tenha importância alguma. Talvez EU não seja importância alguma. Talvez EU não queira ou não espere nada mesmo de mim. Convém assim, ser o que os outros desejam.