Meus versinhos pra você

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Quando ainda menina, eu corria pelo quintal
Ouvia sempre de longe aquele grito descomunal
Era a bisa dizendo que estava posta a mesa
E pelo cheirinho a gente sabia que era comida boa, com certeza.

Em torno da mesa uma molecada se reunia
Café, bolinho de chuva e muita bagunça havia
E sentado na ponta do banquinho sempre estava ela que via
Que cá estava essa criançada da família que só crescia.

Não foram uma e nem duas vezes que em nossos almoços uma pausa se fazia
Vovô ia ler seus versos e homenagem ele nos dizia

Tirava sempre os óculos para ler, e do bolso da camisa de botão uma cadernetinha saía
Suas palavras que emocionavam, terminavam em oração
Agradecer pela nossa família sempre unida e cheia de amor no coração.

Já vai chegando o aniversário de número 96
E estando longe ou perto o meu amor não mudou por nenhum de vocês
Seu José e dona Ana, patriarcas de uma família que é só coração
Escrevo essas palavras, em versos simples, mas em forma de gratidão.

Que seu exemplo de vida ultrapasse gerações
Que nossos filhos saibam que a família vale mais do que dinheiro e ouro
E que não há no mundo melhor tesouro.

Eu sou grata pela sorte que tive nessa vida
De ter chegado ao mundo no seio de tão linda família
Queria eu poder pedir que vocês vivessem para sempre
Mas já que isso é pedir muito, agradeço por vocês terem deixado sementes.

É um orgulho fazer parte dessa prole
De gente tão simples, humilde, mas nobre
Que ensinou que valor é diferente de preço
E que o mundo será sempre grato comigo, me dando o que eu mereço.

Ao meu biso e minha bisa deixo aqui a minha mensagem
E espero que a suas palavra ecoem por toda eternidade…

Com carinho… Do seu coraçãozinho. LeilaImagem

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Um conto que te conto

Ela acordou no meio da noite, mas ainda tinha sono e sentiu frio e vazio.
Ouvia do lado de fora o som que fazia o vento e entendeu que logo a tempestade chegaria.
Esperou e inspirou como quem se prepara para atirar-se ao precipício,
como que pensa no que não tem a perder,
como quem não tem vontade de olhar para trás.

Ela caminhou até a sala, pegou um cigarro na bolsa, acendeu, sentou e contemplou a sombra que a luz do lado de fora da janela fazia no chão enquanto fumava.

Não lhe restava muito a fazer a não ser pensar e esperar que o dia amanhecesse. Compartilhava suas ideias com o barulho de tic-tac do velho relógio e com a marcação de tempo que suas unhas faziam sobre a mesa do telefone.
E enquanto marcava o tempo, o tempo deixava nela marcas.
Quando viu o sol raiar, botou o rosto a mostra, ainda com suas olheiras enormes e seu gosto de café amargo na boca, ela olhava as faces, ainda sonolentas e enxergava que no meio de tanta distração era possível passar despercebida.

Ela se misturou a tantos outros apáticos zumbis que cumprem sua missão rotineira de não serem nada mais além do que personagens secundários das suas mórbidas vidas. E ela seguiu o fluxo, perdendo a oportunidade de se transformar na mensageira e transformou-se apenas em mais um captadora da mensagem e para isso a única coisa a fazer é não fazer nada.

Fazer nada é mais fácil e ela preferiu o que era fácil!

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