Postei

Tem um tempo que eu não escrevo, estou até estranhando a textura da caneta no papel. Será que devo pegar o computador para digitar? A mão é mais lenta que o pensamento, e enquanto eu desenho e reparo essas palavras nesse papel, me perdi na velocidade que as ideias passam pela cabeça.

Queria contar tudo que tenho aqui dentro, mas tudo é muita coisa e talvez muita coisa seja melhor digitar, porque eu digito sem olhar para o teclado. O botão de apagar não deixa rasuras como essas aqui em caneta azul. Ninguém vai descobrir se editei mais de 5 vezes o mesmo texto.

Aprecio esse barulhinho da passagem das páginas, é um som que parece anunciar algo novo. Pode ser uma página em branco todinha para mim, pode ser uma página não lida que vou descobrir, às vezes redescobrir ou reencontrar, sei que gosto.

Percorro as páginas de uma história, as que escrevo ou as que leio. Relembro as páginas que marquei e as que me marcaram.

Já foram tantas frases grifadas, tantos papéis preto no branco que ficaram cheios de cores. Me encontro e me redescubro em textos antigos. Folhas suave ou intensamente rabiscadas, às vezes toco minhas marcas.

Tomo nota de tudo quando fico em silêncio. Sou capaz de escutar tanto e tão distante, que consigo ouvir até dentro de mim, viajo nas profundezas dos metros quadrados do meu quarto entulhado de coisas e da minha vida nada rasa de símbolos.

Eu me escrevi em folha de papel, rasurei, falhei.
Irão descobrir?
Mas e daí?

Vim me confessar
Sou imperfeita
Sou resultado das rasuras que me marcam.

Eu estou aqui revisando meus pensamentos e concluindo mais essa edição, me passo mais uma vez a limpo. Meus pensamentos analógicos, digitalizados na velocidade que eu disponibilizei.

Ih, vou postar a versão final de algo que não acabou.

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Sensibilidade

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Tente descobrir a grandiosidade de experimentar uma coisa com a intensidade de todos os seus sentidos. São sabores, sons, aromas, sincronias e complexidades quase indescritíveis. Cores inenarráveis, divinas.

Um alto e apurado grau de consciência em apenas ser e existir, de corpo, mente e alma.

Uma prolongação das notas das músicas, os detalhes dos acordes, um a um, na vibração que o som produz. É plenitude.

Um mágico e presente cheiro. Que brinca com as suas memórias e com seu consciente e inconsciente.

O sabor lento que atenta todas as suas papilas e as faz dançar.
Um toque, que ativa todos os receptores da pele, como se o tato fosse suficiente para despertar todos os outros sentidos humanos.

Um olhar direto e penetrante que dura até que os olhos se fechem, dura até que se olhem de dentro para fora. A partir de tudo o que habito.

Uma inspiração por vez. Expiro e me inspiro de que é nato e inato. Me inspiro de tudo que sinto. Expiro tudo o que sou.

Boa noite

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Sinto que temos dormido cada vez menos.
Menos sono, menos sonhos, menos anseios por realizações.
Menos desejo, menos vontade, menos coragem.
Pra você que acha que dormir é perda de tempo, não se engane, sonhar acordado é desejar aquilo que os olhos estão vendo, mas sonhar de olhos fechados é despertar os desejos profundos do seu coração.
Tornar consciente o inconsciente.
Vá dormir pra despertar!
Vá dormir, vá sonhar!

Passam

O que fica do que vai?

Os móveis, as roupas, as fotos.
Os traços, alguns recortes velhos guardados e espaço cheio de completo vazio.

Fica tanto que chega parecer que nem deixou de ser. Parece que ainda está aqui. O que fica quando a gente não quer deixar ir embora.

Mas que senhor é o tempo, que leva instante a instante cada gota de tal tormento. O tempo parece vento que faz folha seca voar, subir e sumir até que longe ninguém mais possa enxergar.

Aí esvazia e enche de novo, trás o novo, tira o cheiro de mofo e vem ar de primavera com flores novas e fim de tarde ao som do mar. Até em quem já ficou bem velho, tem sorriso de moço.

O que fica realmente fica, mas não fica do jeito que já era.
Faz-se de todo dia um novo guia, pra seguir caminhos por onde nunca se foi.
É a caminho do novo que você percebe que um passo errado as vezes leva ao rumo certo e que o plano inicial não leva a um destino final.

O que fica, fica… Mas fica dentro da gente. A gente vai pra todo lugar, como as folhas que o vento levou. E no fim de tudo, a gente vai…

O que fica do que vai é a certeza de que o que ficou uma hora também vai.
Somos passageiros!

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