Início de semana

É segunda-feira, acordei pouco antes do despertador me avisar. Levantei com a lerdeza costumeira e fui preparar meu café, me perdi quando não encontrei a mesa para sentar e me lembrei que eu e Duda tratamos de movê-la ontem a noite. Sentei no sofá, comi, fui tomar banho cantando alto. Antes de sair de casa lembrei do livro novo que a Clara me deu ontem e coloquei junto com o roteiro que eu tinha que decupar para a aula de mais tarde dentro da mochila. Caminhei cantarolando até o metrô, me sentei e logo tirei o papel da bolsa para escrever, uma senhora surgiu e me levantei para ceder o lugar e continuei escrevendo em pé. Terminei e fui guardar o papel na bolsa e tirei o livro, quando abri feliz para ler a primeira página, me dei conta de como fui idiota em não fazer isso ontem, na primeira capa do livro uma dedicatória dizia “Que onde você encoste seu barco seja luz. Que tudo que toque seja amor. Você é incrível! Te amo, beijos. Foi uma mistura de OOOOWNN com PUTZ! Como não vi isso antes?.
Com os fones bem ligados comecei a viajar pelas páginas do livro da Rupi Kaur, mega entusiasmada e distraída, sim!, eu leio ouvindo música instrumental e isso só me ajuda, mas não observo nadinha do redor porque considero o metrô um lugar seguro. Na página 35 fui interrompida, um rapaz que percorria o vagão pedindo dinheiro me surpreende com uma flor de mato (nenhum capim sublime, conheço de longe o cheiro de mato
) me sorri e fala “Pra você”. Eu sorri de volta após o milésimo de segundo que demorei para processar o que estava acontecendo e agradeci. Ele aponta para a minha tatuagem recém- pintada e pergunta se e é nova, eu respondo que sim, alguns dias. Ele sorri e diz que gostou, se vira e vai. Eu sorri e voltei pro meu livro. Algumas pessoas por perto sorriram também, talvez apenas por reflexo de seus neurônios espelho.
Desci do metrô com o livro, a flor, a música e o sorriso.

Comecei a semana, já valeu a pena!

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