E se “sempre” fosse só “agora”?

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Eu não quero pensar em pra sempre, porque o sempre é uma escolha também.
Mas eu queria que por um tempo, a gente se gostasse de um tamanho maior que os nossos medos, vaidades, egoísmos e nos esforçacessemos pra juntos sermos um pouco mais felizes, no tamanho de um sempre limitado.
Que a gente fosse capaz de sentir o mesmo amor que a gente sente pelas pessoas boas da rua, de maneira mais próxima em nós dois. Que a gente se descobrisse em águas mais profundas.
Que a gente parasse de correr na direção dos abismos que nós criamos para nos julgar salvos de tudo que incomoda o que nos acomodou.
Que fosse a gente o endereço do abrigo em que o outro encontra refúgio. Nos fízessemos de casa para que quando o outro decidisse vir morar, encontrasse a porta aberta e aos poucos trouxesse sua mobília e começasse decorar.
Eu iria explorar as palavras do vocabulário para soletrar o seu sorriso.
Eu me lembraria de parar pra olhar uma flor e enxergar nela a beleza que é existir.
Eu ia querer sentir o calor da luz do sol nos seus abraços.
Eu enxergaria o brilho da luz das estrelas no seu olhar dentro do meu.
E tudo isso eu nem espero que seja um sempre, mas que enquanto o sempre for agora, que você deixasse acontecer.
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Sensibilidade

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Tente descobrir a grandiosidade de experimentar uma coisa com a intensidade de todos os seus sentidos. São sabores, sons, aromas, sincronias e complexidades quase indescritíveis. Cores inenarráveis, divinas.

Um alto e apurado grau de consciência em apenas ser e existir, de corpo, mente e alma.

Uma prolongação das notas das músicas, os detalhes dos acordes, um a um, na vibração que o som produz. É plenitude.

Um mágico e presente cheiro. Que brinca com as suas memórias e com seu consciente e inconsciente.

O sabor lento que atenta todas as suas papilas e as faz dançar.
Um toque, que ativa todos os receptores da pele, como se o tato fosse suficiente para despertar todos os outros sentidos humanos.

Um olhar direto e penetrante que dura até que os olhos se fechem, dura até que se olhem de dentro para fora. A partir de tudo o que habito.

Uma inspiração por vez. Expiro e me inspiro de que é nato e inato. Me inspiro de tudo que sinto. Expiro tudo o que sou.

A mulher e a menina

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Como cresceu!
Aprendeu a sentar, a andar, a falar.
Aprendeu a dizer o que quer, o que não quer.
Parece tão forte e determinada, menos quando pede colo com os olhos cheios de lágrimas.
Não quer dormir, mas os olhos se queixam e insistem em pesar.
Deitada se vira de canto em canto e quando se acalma… Sou eu que me encanto.
Me enquadro e te emolduro pra tornar eterno cada momento.
E se falta por um segundo você aqui parece que fui eu quem deixou de existir.

Me misturo sem saber onde começa você e termino eu.
De passo a passo entre saltos e tropeços.
Eu seguro a sua mão quando me levanto e quando você cai.
Tão circunstancial presença ou ausência.
É sincera a dúvida que eu vivo todo dia. Não sei se é a mulher a mãe da menina ou se é a menina a mãe dessa mulher.

Passam

O que fica do que vai?

Os móveis, as roupas, as fotos.
Os traços, alguns recortes velhos guardados e espaço cheio de completo vazio.

Fica tanto que chega parecer que nem deixou de ser. Parece que ainda está aqui. O que fica quando a gente não quer deixar ir embora.

Mas que senhor é o tempo, que leva instante a instante cada gota de tal tormento. O tempo parece vento que faz folha seca voar, subir e sumir até que longe ninguém mais possa enxergar.

Aí esvazia e enche de novo, trás o novo, tira o cheiro de mofo e vem ar de primavera com flores novas e fim de tarde ao som do mar. Até em quem já ficou bem velho, tem sorriso de moço.

O que fica realmente fica, mas não fica do jeito que já era.
Faz-se de todo dia um novo guia, pra seguir caminhos por onde nunca se foi.
É a caminho do novo que você percebe que um passo errado as vezes leva ao rumo certo e que o plano inicial não leva a um destino final.

O que fica, fica… Mas fica dentro da gente. A gente vai pra todo lugar, como as folhas que o vento levou. E no fim de tudo, a gente vai…

O que fica do que vai é a certeza de que o que ficou uma hora também vai.
Somos passageiros!

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