Sensibilidade

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Tente descobrir a grandiosidade de experimentar uma coisa com a intensidade de todos os seus sentidos. São sabores, sons, aromas, sincronias e complexidades quase indescritíveis. Cores inenarráveis, divinas.

Um alto e apurado grau de consciência em apenas ser e existir, de corpo, mente e alma.

Uma prolongação das notas das músicas, os detalhes dos acordes, um a um, na vibração que o som produz. É plenitude.

Um mágico e presente cheiro. Que brinca com as suas memórias e com seu consciente e inconsciente.

O sabor lento que atenta todas as suas papilas e as faz dançar.
Um toque, que ativa todos os receptores da pele, como se o tato fosse suficiente para despertar todos os outros sentidos humanos.

Um olhar direto e penetrante que dura até que os olhos se fechem, dura até que se olhem de dentro para fora. A partir de tudo o que habito.

Uma inspiração por vez. Expiro e me inspiro de que é nato e inato. Me inspiro de tudo que sinto. Expiro tudo o que sou.

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Identidade

Cada gota d’água que se desfaz é importante. Nenhum acontecimento natural ou não pode ser ignorado. Na constituição do ser, cada pequena partícula é crucial.
Todo momento que vivemos é responsável pela construção da nossa identidade e alteridade. Não fossem as experiências empíricas, filosóficas, teóricas, hereditárias, nós não seríamos nós, eu não seria eu, e é impossível que as experiências sejam as mesmas. Ainda que irmãos gêmeos cresçam na mesma casa, nunca serão capazes de enxergar o mundo pelo mesmo ângulo, cada um assistiu a mesma coisa pelo próprios olhos. Quando pensamos profundamente em nós, estamos sós, pois por mais que haja pessoas com pensamentos semelhantes aos seus, ninguém é completamente igual, a começar pelo próprio corpo.

Tivesse eu acordado mais cedo na manhã do dia 24 e me lembrado de pegar o guarda-chuva antes de sair, não teria me molhado e ficado gripada. No mesmo dia, Mariana descia as escadas apressadamente, tropeçou e torceu o pé, enquanto Júlio dirigia a 40 km/h, parou na faixa de pedestres para uma turma de estudantes…

Os atos às vezes parecem repetidos, mas os pensamentos são mais rápidos e muitas vezes indecifráveis. Certa vez, assistindo um programa na TV, vi uma reportagem com a Íngrid Betancourt, que foi sequestrada e viveu seis anos na floresta com os guerrilheiros das FARC, na reportagem ela falava sobre como viveu os anos de cativeiro e disse uma frase que nunca esqueci “Nem a pior das ditaduras é capaz de calar o pensamento”. Sempre que penso nessa frase, fico tentando imaginar a experiência de Íngrid. Nunca saberei o que realmente ela viveu, ainda que eu revivesse cada minuto da história dela, eu nunca estaria em seu pensamento.

Una, essa é a definição de cada identidade. Como se costuma dizer por aí “eu não estava na pele” de ninguém, nem na pele e nem na cabeça. Antes de fazer qualquer juízo de valor, deve-se pensar um pouco sobre isso, apesar de nunca estar vendo o mundo pelos olhos das outras pessoas, eu não saberia quem sou se não tivesse o outro para. O meu eu – individual só pode existir com o contato do outro.

Antes de criar rótulos para qualquer coisa, devo me lembrar que o rótulo é uma criação minha e não o que as coisas realmente são. Se eu uso um óculos azul, vou enxergar o mundo azul, mas isso não quer dizer que ele é dessa cor. Por mais que não se viva no corpo e na mente de outro alguém, permita-se observar um pouco mais. Lembre-se ainda que você por mais que seja uma essência, também sempre será visto como e pela aparência. Procure ser coeso entre ambos. O que o mundo enxerga são seus atos, não suas filosofias.

Não se tem tudo ao se ter tudo!


Lástimas aos que tentam encontrar a essência na matéria! O mundo físico e suas estruturas concretas, plásticas, montáveis, desmontáveis, nada mais que descartáveis… Não se tem tudo ao se ter tudo!
Carros, roupas, aparelhos, marcas, marcas e marcas. E marcas do vazio existencial, de um desencontro sensorial e mais marcas… Da ausência de coisas marcantes! Na intensão de preencher esse enorme espaço vago, mentes carentes adquirem tudo que o dinheiro pode lhes dar. Esnobam, exibem, tentam ter o que dizer, mas não convencem nem a si mesmos de que isto ou aquilo os faz feliz!
Felicidade de verdade não é vendida em cápsulas na conveniência da esquina. Felicidade também é processo de construção, uma mistura de estar bem e fazer bem. É sorrir e fazer sorrir, é sentir e transmitir. Nossos sentimentos são radiantes, possuímos energia que erradia, sendo ela boa ou ruim pode ser capaz de construir ou destruir!
O que temos de bom na vida, não são os bens que na vida podemos ter, essas aquisições nos proporcionam prazer, mas esse é um sentimento passageiro e pode ser descartável, assim como qualquer material.
O tesouro da minha vida são as pessoas e a relação que com ela construí. Poder abraçar um verdadeiro amigo, poder beijar a pessoa amada, conhecer pessoas com as quais você sempre poderá contar… Tudo isso é imensurável! Somos humanos e não nascemos para amar máquinas, apenas para dominá-las. A obrigatoriedade é algo chato! As máquinas nos obedecem e nada mais, não respondem e NÃO TE AMAM, a menos que para isso sejam programadas. Nós humanos precisamos conquistar! Conquista-se o respeito, o carinho, conquista-se o amor de outras pessoas!
Simpatia é um dom! Carisma, paciência, humildade e diálogo são fundamentais! Pobre aquele que não é capaz de se expressar, viverá em um mundo que apenas a ele pertence e que somente ele irá freqüentar. Um homem sem palavras é um homem só! Ser sem palavras não é apenas não falar, é não saber nunca como e quando dizê-las, daí a necessidade da sabedoria, o maior de todos os dons e aquele que é constantemente adquirido! Nunca vi alguém que soubesse tudo ou que soubesse o suficiente! Mesmo aquele que possui toda a sabedoria do mundo, ainda não sabe tudo, por que o mundo de dentro da gente é bem maior que o mundo de fora e isso torna todos os movimentos cíclicos.

Sei pouco, aprendo sempre, mas eu sinto muito e procuro deixar que as pessoas se aproximem de mim, elas são a maior fonte da sabedoria. Não ando só, não vivo só e só não sou ninguém! Estou certa? Quem pode dizer?

Leyla Guimarães 08/05/2011 22:18

Revolta das Revoltas!

Eu já lutei por tantas causas… E enquanto eu acreditei, todas elas foram verdadeiras, mas só enquanto eu acreditei…

Às vezes eu me sinto desmotivada, precisando de uma boa guerra pra vencer, uma luta, um lado pra tomar partido, um motivo pra sair gritando, um alguém ou alguma coisa para defender! Já senti e ainda sinto um enorme desolamento por vez ou outra não ter um lado pra assumir, uma razão para protestar… Isso me parece uma necessidade fisiológica, não é só a alma que necessita de motivos, mas o corpo quer impulsos, o grito que entala a garganta quer sair, a revolta reclusa dentro do peito quer vazão… Quantas e quantas decepções… Uma seqüência de descobrimentos a respeito do mundo, da vida e de como ela é… Por mais horroroso que seja o clichê é exatamente assim…

Hoje escrevo aqui sobre a revolta de minhas revoltas…

Já me aborreci, me decepcionei, chorei, sofri e até mesmo sorri da minha própria cara por me descobrir patética… Já achei que estava fazendo algo de bom pelo mundo inteiro e acabei caindo na real e vendo que a maior beneficiada de todas as minhas ações pelo bem coletivo, sempre fui eu mesma! Ninguém luta por nada que de uma forma ou outra não te atinja, ainda que indiretamente.

Quando você alimenta uma pessoa faminta é você que sai com o ego saciado, quando você defende os direitos humanos, você se sente humano o suficiente para reivindicar algo de melhor para si!

Tirando a parte positiva, tem também o lado da decepção das causas. Já vi corrupção em movimentos que lutavam contra os corruptos, as mentiras, as farsas em nome do benefício desse ou daquele e acabei me sentindo mais um daqueles porcos que eu tanto odiava. Desses movimentos, os mais sujos, são sem dúvidas os relacionados a política, desde os movimentos de base, parece que são educados a uma cultura podre, um circulo vicioso, parece não, eles são! São carteiras adulteradas, congressos onde muitos estão apenas para “fazer número”, discursos vazios, ou até mesmo cheios, cheios de demagogia.

Educo-me assim… Quebrando a cara! Minha revolta das revoltas!

Eu nasci e cresci em um país que vive de pão e circo, onde as pessoas são felizes assim! O mundo é patético e a grande maioria das pessoas é patética também, mas não as culpo! Não é defeito nenhum… Há quem diga por aí que a ignorância é uma benção e com certeza aquele que criou essa frase, desejava nunca ter descoberto o mundo além da ignorância, pois é duro acordar e ter que enfrentá-lo!

Não estou procurando a essência de nada, não quero encontrá-la e sei que não posso… É impossível encontrar algo puro de alguém em mim, pois tudo o que eu sou, o que eu penso, o que eu julgo, nunca será imparcial, pois sempre estou opinando, julgando, pensando comigo mesma. Em tudo o que eu fizer, eu nunca vou deixar de ser eu, portanto, nada que saia de mim é totalmente puro, a essência de todas as coisas é inatingível por mim e talvez até por elas mesmas. Eu não estou buscando respostas para as ações do mundo, eu busco respostas o tempo inteiro para me construir. Minhas revoltas são um modo de fazer isso, de consolidar minha personalidade.

Para que eu saiba o que eu penso, eu preciso primeiro pensar, eis o lado bom de assumir uma causa, eu penso sobre ela e ela age sobre mim enquanto eu aceitá-la como uma “verdade”. Aí está a eficácia de todas as coisas… É preciso investir sobre elas um certo crédito, é preciso concebê-las como reais, se assim for elas permanecerão verdadeiras pelo tempo que durar essa verdade em mim, mas só nesse tempo e nenhum instante a mais!
Muitas causas só irão te decepcionar, muitas te aborrecerão, te farão chorar, te farão gritar, mas também te levarão a novos amigos, a novos grupos de discussões, a novos olhares sobre o mundo…

Para finalizar, só tenho a dizer que todas as minhas revoltas me fizeram crescer muuuuuito. Foram elas a base par minhas mudanças de idéia, para minha evolução intelectual e para meu crescimento pessoal!
Revolte-se também!