Postei

Tem um tempo que eu não escrevo, estou até estranhando a textura da caneta no papel. Será que devo pegar o computador para digitar? A mão é mais lenta que o pensamento, e enquanto eu desenho e reparo essas palavras nesse papel, me perdi na velocidade que as ideias passam pela cabeça.

Queria contar tudo que tenho aqui dentro, mas tudo é muita coisa e talvez muita coisa seja melhor digitar, porque eu digito sem olhar para o teclado. O botão de apagar não deixa rasuras como essas aqui em caneta azul. Ninguém vai descobrir se editei mais de 5 vezes o mesmo texto.

Aprecio esse barulhinho da passagem das páginas, é um som que parece anunciar algo novo. Pode ser uma página em branco todinha para mim, pode ser uma página não lida que vou descobrir, às vezes redescobrir ou reencontrar, sei que gosto.

Percorro as páginas de uma história, as que escrevo ou as que leio. Relembro as páginas que marquei e as que me marcaram.

Já foram tantas frases grifadas, tantos papéis preto no branco que ficaram cheios de cores. Me encontro e me redescubro em textos antigos. Folhas suave ou intensamente rabiscadas, às vezes toco minhas marcas.

Tomo nota de tudo quando fico em silêncio. Sou capaz de escutar tanto e tão distante, que consigo ouvir até dentro de mim, viajo nas profundezas dos metros quadrados do meu quarto entulhado de coisas e da minha vida nada rasa de símbolos.

Eu me escrevi em folha de papel, rasurei, falhei.
Irão descobrir?
Mas e daí?

Vim me confessar
Sou imperfeita
Sou resultado das rasuras que me marcam.

Eu estou aqui revisando meus pensamentos e concluindo mais essa edição, me passo mais uma vez a limpo. Meus pensamentos analógicos, digitalizados na velocidade que eu disponibilizei.

Ih, vou postar a versão final de algo que não acabou.

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Oi, meu nome é Leila com i

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Uns de vocês acham que eu tenho 15 anos, outros 35, outros tão pouco se lixando pra idade que eu tenho… Eu faço parte desse último grupo, aliás, depois dos 18, parei de me importar ou achar diferença.
Biológica, cronológica, verdadeiramente falando, eu tô completando 26 anos de idade, mas e daí né?
Eu gosto de música dos anos 60,70,80,90… Eu gosto de comida árabe, mexicana, mineira, aaaaaaaaaaaaah, que mentira, eu gosto de qualquer comida, eu adoro comer, eu adoro jiló.

Eu nasci goiana, cresci candanga, estou carioca, sabe-se lá o que serei daqui a pouco.
Eu tive um pai, eu perdi um pai, eu ganhei dois pais, umas cinco mães, uma dúzia de irmãos, eu sinto um tanto de amor fraterno.
Eu já quis ser freira, fiz experiência vocacional, eu quis ser jogadora de vôlei profissional e até hoje a minha família acha que eu sou jornalista.
Já morei com os pais, com os tios, com os irmãos, com primo, em republica, com uns velhinhos, sozinha, com marido e com filha.
Eu trabalhei em faculdade, em órgão público, em jornal, em agência, já abri empresa e agora em ONG.
Já tive cabelo rastafari e curto e médio e longo, só AINDA não mudei de cor.
Já fiz balé, joguei vôlei, handball, tênis de mesa, yoga e corrida, mas meu esporte predileto ainda é levantamento de garfo e copo.
Aprendi a usar vestido depois dos 18 anos, mas nunca deixei de me comportar como um pivete e tenho cuecas no meu armário, eu adoro dormir com elas.
Eu sou mãe da menina mais linda do mundo, mas eu fico me segurando pra não agarrar qualquer criança que passa na minha frente.
Eu tenho bisavô com quase 98 anos. Eu tenho menos de 1,60m de altura, eu uso protetor solar 60fps todo santo dia e eu tenho enxaqueca desde os 8 anos de idade.
Eu perco muitas horas de sono enquanto tento dormir.
Eu perco muitos textos que eu penso, pensando que poderia levantar pra escrever e nunca levanto.
Eu perco pelo menos um brinco por semana.
Perco a hora, perco o cartão de crédito, a identidade, esqueço pra quem emprestei os livros, esqueço as coisas no fogo e sempre esqueço de pedir ajuda.

Eu odeio ir ao médico, odeio que leiam os meus textos na minha frente e eu odeio ler o que eu escrevo depois que eu publico.
Eu amo música alta na hora da faxina e danço sozinha enquanto tento imitar desastrosamente a Beyoncé. Eu sou irritantemente bem humorada pela manhã, mas me alimente logo cedo.

Eu tranquilamente passo o final de semana todo sem sair de casa nem pra jogar o lixo fora. Eu amo viajar sozinha, eu sou apaixonada por fotografia e ainda quero aprender mais sobre isso.
Eu desejo morar numa casa, com jardim, porque eu gosto de terra, de planta, de espaço, de quintal. Eu não sei onde e quando vai ser isso, mas um dia ainda vai rolar, eu sei que vai.

Eu lembro de tanta coisa, eu também amo tanta coisa, eu ainda vou fazer tanta tanta tanta coisa.

Foi um prazer chegar até aqui. A gente pode se encontrar em breve?