As histórias que escrevemos

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Eu estava aqui pensando sozinha essa hora da noite, sentada com os pés sobre o banco, olhando para os móveis da sala, analisando aquilo que estou cansada de enxergar e conhecer. E é dentro dessa mesmice que eu me encontro com você.

Hoje eu te reconheci no cheiro de um incenso, foi estranho e lindo. Eu pensei um outro “talvez“, um “e se‘, até me convenci de um “nunca vai ser“.

Depois eu parei pra escrever. tentando não esquecer, que as tantas histórias que escrevemos, entre tantas novidades, podem desaparecer. E eu penso nos textos que eu vomito pro mundo, tornando um pensamento livre em um prisioneiro das minhas palavras e eu te prendo aqui de novo, numa história escrita nova. E na escravidão da minha lembrança, eu me liberto na minha palavra. Aquela que raramente eu releio ou revivo, mas que de algum modo eu sei da existência, afinal, nasceu de mim, já foi um pedaço meu.

Cada vez que você renasce nos meus pensamentos, eu te vivo, te sorrio, eu te perco, você morre e eu volto a te enterrar com pontos finais.
Cada vez eu te deixo a lembrança que das histórias que a gente imagina na vida, nenhuma surpreende mais do que a vida que a gente segue escrevendo com histórias.
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Santa

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É como um interior, oculto no coração da cidade.

Um igreja, uma praça, vizinhos nas calçadas a conversar. Pelas ruas as crianças ainda correm e brincam, sem se importar em perder os tampos dos dedos enquanto descem as ladeiras atrás de uma bola.

No meio da rua, uma banda de Gipsy jazz composta por estrangeiros. O atendimento ainda é bom e a vista…Ah, a vista!
Do alto daquelas ladeiras a cidade lá embaixo é só um emaranhado de luzes disformes, e o som de lá se dissipa com as vozes, a música e as risadas na porta de cada bar.

O comum é desigual e o diferente aqui é completamente corriqueiro. Fosse eu Portinari, faria um quadro e retrataria essas ruas como ele fez com Brodowski, mas eu não sei pintar, só sei escrever. Entre uma gargalhada e outra de criança, um carro passa. Eu ouço vários idiomas, como numa Babilônia, sem caos. Só paz. Um carnaval de alegria e fantasias.

O tempo passa lentamente enquanto os cães também passeiam, as mães alimentam e ninam os bebês. Não há curiosos nas janelas, eles se sentam nas ruas, falam enquanto gesticulam com os braços, perguntam sobre seus dias, suas tardes, suas noites e suas vidas. Eles ainda se importam por aqui. Os vizinhos se conhecem, os amigos se reconhecem, as tribos se encontram.

Tudo isso passava diante dos meus olhos e eu observei, sentada na escada, entre um gole d’água e outro de vinho, como quem compara a transformação entre os dois sabores com a mudança da vida la em cima e aqui embaixo.

Classificados

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Procuro um escritor, um de verdade
Um que possa me ensinar a escrever
Um que me oriente
Que me mostre quais os verbos eu não devo repetir
Qual métrica e pontuação eu devo usar
Quais elementos estéticos da linguagem eu devo conhecer

Procuro um escritor
Que seja meu mestre
Que me chame de pupila
Que me ensine o que sabe
Que me mostre o que eu não sei

Procuro um escritor
Que não escreva só livros
Que conte mais do que histórias
Um que fale sobre a vida

Procuro um escritor de verdade
Que use palavras que transformem
Que desperte sentimentos
Que encante

Procurou um escritor que não veja apenas com os olhos
Que aprendeu lições na vida
Que já chorou de madrugada
Que sorriu sem motivo algum
Que vive e que sente

Eu procuro um escritor
Todos os dias em que me sento diante de um papel com uma caneta na mão
Eu procuro um escritor!

Eu quero

Eu tenho surtos criativos e surtos de falta de criatividade. Eu não entendo bem quando eles vem e quando vão e nem como acontecem. Pode ser o excesso ou a falta de algo, não sei!

Um tempo atrás eu me preocupava em ter coerência entre todas as coisas que eu escrevia, mas deixei de lado essa necessidade. Para que ter a mesma opinião sobre todas as coisas ontem e hoje, se amanhã eu não serei mais a mesma? Como quis dizer Descartes: “-Penso, logo mudo de ideia”

Que mudem as idéias, mas que elas continuem sempre existindo, que elas jamais me abandonem. Que ter diferentes motivações para escrever não seja o problema, mas que eu não deixe de maneira alguma de me incomodar.
Acomodação não é bom sinal. Quem se acomoda passa a ser espectador e passa a aceitar que a vida é assim por isso ou aquilo e que não pode e não vai mudar.
Eu acredito que a mudança começa em mim e que as atitudes em cadeia são capazes de sacudir o mundo.

Eu quero escrever e quero acreditar. Acreditar em mim, nas pessoas e no mundo, acreditar na força das minhas palavras. Quero seguir a diante, olhar para frente.

Quero fazer estórias e escrever a minha história.