Último ato

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– Oi
– Olá
– Gostaria de conversar com você
– Está conversando!
– Da última vez que nos falamos você não foi muito amistosa
– Pois fale
– Eu soube do seu avô
– É, ele descansou… É a vida!
– Soube também do seu novo trabalho.
– Ah, sim, por enquanto é legal
– Você nunca é feliz por muito tempo em um mesmo lugar. Qual o seu problema?

– Eu não me conformo. Acho que a vida é muito curta para que as coisas sejam sempre da mesma maneira, só isso.
– Eu vejo isso nos seus olhos. Vi desde a primeira vez que te encontrei. Eu queria você, mas eu nunca aprendi a voar. Eu sabia que alguma hora as suas asas iriam se curar e você ia partir novamente.

– As feridas não doem para sempre. De alguma quedas eu vou levar só as cicatrizes, de outras eu levo uma vontade ainda maior de voar e voar mais lato, mais longe!

– Hoje eu vi o sol nascendo, eu me lembrei de você. Você sempre disse que ama ver o sol chegando ou partindo
– É verdade, eu amo mesmo – Você e o sol se parecem muito
– É?
– Os dois vão e vem, mesmo eu não vendo eu sei que estão em algum lugar e vocês tem luz.

– Obrigada, eu acho. É bom ouvir isso de você.

– Você poderia me ouvir mais, mas você me evita.
– Eu não sei te explicar, mas eu sou estranha. Eu prefiro me afastar às vezes.
– Você tem medo!
– Medo? De você? Que piada…

– Não! Você tem medo que alguém te faça feliz, tem medo de sofrer.

– Eu sou feliz!
– Mas não é por completo. Você é esse dilema que quer voar pra sempre, que gosta de liberdade, mas que se sente sozinha e quem tem medo que um outro alguém te prenda ao chão.

– Você não sabe o que está dizendo
– Eu sei sim! E eu adoro esse seu jeito, inclusive essa sua cara de irritada aí.
– Então é por isso que você me atormenta?
– Não! Eu apenas gosto de você, mas quero que você saiba que as outras pessoas não são como eu que não sei voar.
– Você está sendo o que sempre foi, um velho e chato. Você não devia ter vindo aqui.

– Eu sempre ando por aqui, tentando te ver.
– Então quer dizer que além de velho e chato você também é uma maluco psicopata que me persegue pela vizinhança?
– Talvez… Talvez você deva mesmo temer e como essa pode ser a última vez que você me recebe, eu precisava te contar tudo o que eu penso e sinto.

– Já terminou?
– Não seja assim, vai… Você costumava ser bem humorada. Tá de TPM?
– Caramba!!! Isso é uma visita ou uma consulta? Você agora é analista? Vai ficar dizendo o que eu sou, o que devo fazer. Você é meu pai?
– Não. Nada disso. Você sabe que eu quase poderia ser seu pai.

– Você não é tão velho assim! – Mas não sou mais um garoto. E você é jovem, linda, inteligente…
– Me desculpe, mas agora você tem que ir, tenho muitas coisas pra fazer.
– Você sempre tem mil coisas pra fazer
– Sim, sempre!
– Eu queria ser alguma coisa pra você.
– Esse seu jeito me sufoca. Eu não suporto isso, tem um limite entre querer ser desejada e um não querer. EU NÃO TE QUERO MAIS. É isso!
– Tudo bem, eu acredito, mas olha…
– Que foi?
– Eu vou sempre te querer bem
– Eu nunca disse que não te quero bem.
– Que bom! Pense nas coisas que te falei. Você merece ser feliz.

– Só eu sei os caminhos que me trouxeram até onde estou hoje. Eu sei o que eu vivi para ser quem eu sou e para agir dessa forma  e eu já te disse… EU SOU FELIZ.

– Que bom então. Bem… Foi bom ver você. Posso te pedir só mais uma coisa?

– O que mais você quer?
– Um abraço – Você sabe o que eu penso sobre abraços…

– Sim, eu sei. Por isso estou te pedindo um. O último, prometo.

(Abraçaram-se)
(Minutos em silêncio)

E a porta se fechou… Com lágrimas nos olhos dos dois lados.

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A caverna

 

Eu que me escarneço ao pensar que muita gente nunca para pra pensar
E eu que não paro de pensar em como a ignorância consome o mundo irracional
Eu que olho para um mar de gente e vejo uma massa modelada e com o pensamento de animal
Eu que odeio ter que engolir a seco essa essa maneira de na brincadeira tudo encarar

Eu que tenho nojo
Eu que tenho asco
Eu que não suporto

Eu que como poucos, muito poucos, sofro
Sofro por simplesmente pensar
Pensar é verbo que exprime a ação
Ação é definir a atitude
Atitude de querer fazer diferente

Diferente de tudo que é padrão
Padrão que é aceito e é errado
Errado pois é movido a interesse
Interesse que é de poucos

Poucos que dominam muitos
Muitos que se deixam dominar
Dominar e oprimir
Oprimir e fazer aceitar

Aceitar que é assim e não vai mudar nunca
Nunca é muito tempo
Tempo que não quero perder.

Eu tenho ânsia
De vômito e de mudança
E eu ainda vou vomitar muita coisa
Até ver as coisas começarem a ser diferentes

Então pare
E comece a pensar
Pois o pensamento é o primeiro movimento.
Da ponta dos dedos aos mais profundo sentimento.
Pense! RE-pense, abra os olhos e saia da caverna!

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Pedido otimista do dia

Hoje parei pra pensar se a vida não está querendo me sabotar, colocando a meu alcance o meu sonho, mas me engessando a ponto de não permitir que eu possa dar o passo que me afasta dele.
Só consigo concluir que não se pode ter tudo, nunca, e às vezes nem a metade de tudo.
 Hora de repensar o que é prioridade. Na balança o coração, a razão, o futuro e o agora. Estável, instável, tão esperado e tão imprevisível como pode ser.
Decidir dói, crescer dói, renunciar dói e a dor é o que precede todo alívio, pois ninguém se alivia de estar aliviado.
Então quero força pra lutar e ânimo pra levantar quando eu for derrubada, coragem pra olhar para cima depois da queda e perseverança pra dar passos para frente!

Aqui vai o meu pedido otimista do dia, não de mãozinhas dadas em forma de prece, mas de mangas arregaçadas como as de quem se esforça e busca um caminho próprio para seguir.

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