Como no Cabo

O dia era parecido com o de hoje.

17ºC só que sem chuva.

Depois de duas noites, o choque de temperatura já parecia mais agradável.

Foram uns 4km de caminhada descalça na areia, eu tinha deixado o chinelo no início da praia, só deixei e continuei andando.

Subi uma duna de areia, no meio de muitas, era um grande plano de silêncio, quebrado apenas pelo som do vento e do mar.

Deu uma vontade absurda de dançar, dancei, colocando o lenço que cobria as minhas costas contra o vento.

Lembro de lá de cima olhar o mar, as nuvens, um monte de areia e algumas dúzias de casinhas ao redor do farol.

Parecia que tudo andava devagar, não havia motivo para pressa era só estar lá. Um Cabo onde tudo se desconecta pra poder se reconectar com o mais importante.

Que bom que estive para sentir e que bom que sinto para poder estar.

🙃

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Respira e escuta

Hoje eu li um estudo que falava sobre a relação entre o cheiro e as memórias, de como relembramos as experiências pelo olfato.

Eu adoro o cheiro de coisa boa, gente que cheira bem, mas meu olfato é péssimo, extremamente deficiente. Respiro mal por uma narina e vivo alérgica, sempre entupida. Quase sempre tenho dificuldade para decifrar um cheiro comum, como de coisas queimando na cozinha.

Mas sons…
Ah! A música!!!
Ela mexe comigo de uma maneira…

Eu desenho situações inteiras com as minhas memórias musicais.
Sou meticulosa com as minhas playlists, música para ler, para descansar, dançar, para experimentar tudo no mundo.

Escuto o barulho da rua nos mínimos detalhes, às vezes ele me tira o sono, às vezes é chuva na copa da árvore, é vento ventando. Tudo vai indo, vai vindo.

Danço, gosto da música.

Uma voz, conversas, riso, choro, riso com choro, silêncio, quebra do silêncio, sotaque, idioma, com o corpo, com a voz, com instrumento, a onda, o mar, a cachoeira, um pássaro, o vento…

Passado, futuro, presente, comunicado, transmitido e sentindo na oralidade, no som.

Muitas vezes eu não respiro
Mas estou escutando!

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