Alice, Freud e José

Ela era apenas ela.
E o mundo novo se abriu sob seus pés.
Alice teve de crescer e ser pequena.
A situação pediu que fosse gente grande ou que soubesse lhe dar com sua pequinês em tamanho mundo.

Freud explique essa minha necessidade de falar sobre esse conflito de viver num limbo onde não se é grande o suficiente e nem tão pequeno assim.

Há um meio do caminho onde você ainda não pode caminhar só, mas não pode mais contar com a ajuda de alguém.

É esse ciclo astral ainda não completo antes dos 28 anos de idade. É esse mundo com um paradoxo temporal. Uma ampulheta que vira e desvira. Com e sem tempo. Muito e pouco. Suficiente e não o bastante.

José diz que ela é legal. Sabe conduzir as coisas e ainda lhe dá bom dia, mas José não sabe quem é Freud e nem deve ter ouvido falar de Alice. Ele abre os portões dos caminhos que eu faço e me saúda entre gorjetas e correspondências
É conveniente!

Alice cresceu… encolheu…
Brigou, com medo, mas enfrentou.
Esperavam que Alice conseguisse. E ela conseguiu. Foi por ela ou pelos outros?
Freud? O que me diz?

Um gato que sorri e desaparece também me deixa louca. Num mundo onde se caminha pelo desconhecido mesmo quando se sabe onde deve chegar.

O fim…
Que não justifica, mas transforma os meios.
Os meios que levam ao fim. Ou aos fins? Ou aos afins?
Quantas possibilidades eu tenho?
História escrita ou folha em branco?

José diria que tudo é o que é.
Freud acha que sou um animal dotado de razões imperfeitas e esses desejos que levam e trazem.
Alice não acha, não sabe, não entende… Vai…

E agora?
De Alice, Freud e José.

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Fermentando

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Não nasci pra viver as coisas tão mais comuns
Pra ter uma vida pacata e normal
Ainda que eu não escolha, sou mais uma icógnita do que a inércia

A necessidade de estabilidade não sobrevive perto da minha curiosidade pelo novo
A certeza única é a de que nada é tão certo assim
As coisas mais duráveis acabam em minutos

As coisas que se prolongam demais acabam esquecidas pela monotonia em que elas mesmas se afogam
O apego é uma bomba relógio para saúde de quem vive
A vida é trânsito, fluxo, trocas
Idas, vindas, passagens, rumos que mudam sem parar

A coisa mais sensata a se fazer na vida é viver
E deixar que o tempo continue a agir da sua maneira e dar a cada um seu sabor

Nós somos o que nós temos!

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Nós somos o que nós temos…
E temos muita alegria de viver, muita força, muita fé. temos inspiração, criatividade. Nós temos dores e alegrias. Nós temos euforia e a pausa para a reflexão. Somos a janela aberta para a rua, a tarde de brincadeiras no quintal, a roda de ciranda e o tampo do dedão perdido lá no chão…

Nós somos as lágrimas da dor de cotovelo, o primeiro beijo de língua e a primeira grande decepção. Nós somos a noite no bate-papo, a insônia e a enxaqueca. O final de semana na fazenda, o namoro na rede e o frio de inverno no dia de verão…

Somos o mar, montanha e floresta… O calor, frio e escuridão… A cerveja, o vinho e refrigerante. A morte, a vida e a poesia.

Nós somos. A tragédia e a concretização. Aquela música, a escrita. Somos o paladar, somos tudo o que vimos… Somos as fotografias, aqueles vídeos caseiros e o bilhete de passagem. Nós somos a ressaca do dia seguinte e a festa de arromba da noite passada.

Nós temos! Nós somos!
Somos os textos do diário, as flores na portaria, o pneu furado do carro, o dia de chuva em casa. Somo o que nós temos e  temos todo o mundo e toda a vida pela frente!

Nós somos o prolixo, o oposto e somos o infinito, porque temos o poder de ser para ter o que quisermos!

Identidade

Cada gota d’água que se desfaz é importante. Nenhum acontecimento natural ou não pode ser ignorado. Na constituição do ser, cada pequena partícula é crucial.
Todo momento que vivemos é responsável pela construção da nossa identidade e alteridade. Não fossem as experiências empíricas, filosóficas, teóricas, hereditárias, nós não seríamos nós, eu não seria eu, e é impossível que as experiências sejam as mesmas. Ainda que irmãos gêmeos cresçam na mesma casa, nunca serão capazes de enxergar o mundo pelo mesmo ângulo, cada um assistiu a mesma coisa pelo próprios olhos. Quando pensamos profundamente em nós, estamos sós, pois por mais que haja pessoas com pensamentos semelhantes aos seus, ninguém é completamente igual, a começar pelo próprio corpo.

Tivesse eu acordado mais cedo na manhã do dia 24 e me lembrado de pegar o guarda-chuva antes de sair, não teria me molhado e ficado gripada. No mesmo dia, Mariana descia as escadas apressadamente, tropeçou e torceu o pé, enquanto Júlio dirigia a 40 km/h, parou na faixa de pedestres para uma turma de estudantes…

Os atos às vezes parecem repetidos, mas os pensamentos são mais rápidos e muitas vezes indecifráveis. Certa vez, assistindo um programa na TV, vi uma reportagem com a Íngrid Betancourt, que foi sequestrada e viveu seis anos na floresta com os guerrilheiros das FARC, na reportagem ela falava sobre como viveu os anos de cativeiro e disse uma frase que nunca esqueci “Nem a pior das ditaduras é capaz de calar o pensamento”. Sempre que penso nessa frase, fico tentando imaginar a experiência de Íngrid. Nunca saberei o que realmente ela viveu, ainda que eu revivesse cada minuto da história dela, eu nunca estaria em seu pensamento.

Una, essa é a definição de cada identidade. Como se costuma dizer por aí “eu não estava na pele” de ninguém, nem na pele e nem na cabeça. Antes de fazer qualquer juízo de valor, deve-se pensar um pouco sobre isso, apesar de nunca estar vendo o mundo pelos olhos das outras pessoas, eu não saberia quem sou se não tivesse o outro para. O meu eu – individual só pode existir com o contato do outro.

Antes de criar rótulos para qualquer coisa, devo me lembrar que o rótulo é uma criação minha e não o que as coisas realmente são. Se eu uso um óculos azul, vou enxergar o mundo azul, mas isso não quer dizer que ele é dessa cor. Por mais que não se viva no corpo e na mente de outro alguém, permita-se observar um pouco mais. Lembre-se ainda que você por mais que seja uma essência, também sempre será visto como e pela aparência. Procure ser coeso entre ambos. O que o mundo enxerga são seus atos, não suas filosofias.

Chronos

Eu não sei a minha idade! Ainda não entendi bem como o tempo é medido.
Ás vezes vivo horas que parecem anos e os anos da minha vida equilavem a séculos perto da vida toda de algumas pessoas que eu conheço.
Sinto jovem, o peso da idade e em meus ombros carrego sinais das responsabilidades que todo tempo trago comigo, horas porque quis eu assumi-las, horas foram elas entregue a mim.
Ah, eu não me lamento! Antes viver séculos em poucos anos do que passar anos sem viver nada.
Não importa a exata medida do tempo, a dosagem talvez não interfira no efeito.
Causas, razões, motivos, conclusões…
De todo o tempo que ainda houver o que me cabe fazer é viver!
Experiência não é algo dado, mas sem dúvidas deve ser dividida.
De todo o tempo que restar no mundo, a única e certa verdade é que ele é finito e antes que o fim chegue eu acelero e desacelero num ilógico cronômetro.
O tempo, o tempo e o tempo. O tempo que eu fiz, o tempo que eu quis e o tempo que eu tive!

Meu Anacronismo (Parte I)

As bibliotecas virtuais me desculpem, mas para mim, nada substitui o impresso. Não perco a oportunidade de conhecer uma boa e velha biblioteca empoeirada. A sustentabilidade me perdoe… Mas não há nada como cheirinho de papel! Os textos que aqui escrevo, nunca existiriam sem meus rascunhos em caderninhos.

Ainda sou daquelas que tem livros em casa e os guarda como uma herança preciosa! Quando criança, meus livrinhos me divertiam, quando adolescente foram minhas companhias, hoje, no começo de uma juventude, eles são minhas inspiração, meu caminho e minhas portas, ou melhor… minhas janelas. Não uma “windows” qualquer… Eles me permitem criar, viajar e crer… Eu consigo descobrir que vejo o que os olhos não veem. Crio lugares onde nunca estive e depois de criá-los, posso visitá-los algumas vezes. Conheço histórias que nunca vivi e me torno conhecida de personagens que as fizeram.

As bibliotecas são um grande oceano dessa criação, um ambiente mágico onde habitam milhões. Ainda que pequenas, apertadas ou distantes, elas sempre terão um papel especial na vida dos que a frequentam.
O prazer de ler e decifrar códigos, signos e significantes é como poder voar e de um lugar bem alto ver o mundo de vários ângulos. Imaginação tem asas sim e eu não perco uma oportunidade de deixar a minha voar bem loooonge.

Leia bons livros!

Não se tem tudo ao se ter tudo!


Lástimas aos que tentam encontrar a essência na matéria! O mundo físico e suas estruturas concretas, plásticas, montáveis, desmontáveis, nada mais que descartáveis… Não se tem tudo ao se ter tudo!
Carros, roupas, aparelhos, marcas, marcas e marcas. E marcas do vazio existencial, de um desencontro sensorial e mais marcas… Da ausência de coisas marcantes! Na intensão de preencher esse enorme espaço vago, mentes carentes adquirem tudo que o dinheiro pode lhes dar. Esnobam, exibem, tentam ter o que dizer, mas não convencem nem a si mesmos de que isto ou aquilo os faz feliz!
Felicidade de verdade não é vendida em cápsulas na conveniência da esquina. Felicidade também é processo de construção, uma mistura de estar bem e fazer bem. É sorrir e fazer sorrir, é sentir e transmitir. Nossos sentimentos são radiantes, possuímos energia que erradia, sendo ela boa ou ruim pode ser capaz de construir ou destruir!
O que temos de bom na vida, não são os bens que na vida podemos ter, essas aquisições nos proporcionam prazer, mas esse é um sentimento passageiro e pode ser descartável, assim como qualquer material.
O tesouro da minha vida são as pessoas e a relação que com ela construí. Poder abraçar um verdadeiro amigo, poder beijar a pessoa amada, conhecer pessoas com as quais você sempre poderá contar… Tudo isso é imensurável! Somos humanos e não nascemos para amar máquinas, apenas para dominá-las. A obrigatoriedade é algo chato! As máquinas nos obedecem e nada mais, não respondem e NÃO TE AMAM, a menos que para isso sejam programadas. Nós humanos precisamos conquistar! Conquista-se o respeito, o carinho, conquista-se o amor de outras pessoas!
Simpatia é um dom! Carisma, paciência, humildade e diálogo são fundamentais! Pobre aquele que não é capaz de se expressar, viverá em um mundo que apenas a ele pertence e que somente ele irá freqüentar. Um homem sem palavras é um homem só! Ser sem palavras não é apenas não falar, é não saber nunca como e quando dizê-las, daí a necessidade da sabedoria, o maior de todos os dons e aquele que é constantemente adquirido! Nunca vi alguém que soubesse tudo ou que soubesse o suficiente! Mesmo aquele que possui toda a sabedoria do mundo, ainda não sabe tudo, por que o mundo de dentro da gente é bem maior que o mundo de fora e isso torna todos os movimentos cíclicos.

Sei pouco, aprendo sempre, mas eu sinto muito e procuro deixar que as pessoas se aproximem de mim, elas são a maior fonte da sabedoria. Não ando só, não vivo só e só não sou ninguém! Estou certa? Quem pode dizer?

Leyla Guimarães 08/05/2011 22:18

Sem fronteiras mesmo?

Tenho ou não tenho... Eis a questão!

Apesar de inserida em todo esse meio digital, virtual e etc… Eu ainda vivo meio embasbacada com todo esse potencial da internet.
O fato de você que me lê agora, estar do outro lado de uma tela de computador e poder compartilhar dos meus pensamentos, ideias e até mesmo das minhas emoções me choca um pouco. Você que está por aí acessando sites na rede que por acaso, ou não, clicou aqui no meu blog, não tem a mínima ideia de quem sou eu, do que faço, que cara eu tenho… Muitas vezes mesmo sem saber quem eu sou, você acaba sendo influenciando pelo que eu penso e exprimo através dos meus textos.
Está aí a parte que mais me choca, de certa maneira a internet anda expandindo os nossos “relacionamentos” com o mundo, mas que tipo de relacionamento é esse?
Há centenas de milhares de casos reais em que você através de redes sociais tem dezenas de “amigos”, fãs, seguidores, blá blá blá, muitas vezes essas pessoas são seus vizinhos, colegas de bairro, o cara do mercadinho da esquina e tal… Vocês são contatos virtuais, mas nem ao menos se cumprimentam quando se esbarram no elevador, na rua, no trânsito…
Que tipo de relação é essa?
Parece que não nos damos conta de que nesses casos, quanto “mais perto”, mais longe estamos. Cria-se uma certa frieza em torno do que se chama de amizade.
O mundo virtual nos taxa cada dia mais como uma – Sociedade Sem Fronteiras – sem explicar como vamos rompendo as nossas relações sociais dessa maneira…
Duvido que você já tenha dado um abraço em todos os seus 900 AMIGOS DO ORKUT, o que você toma um chopp com seus 2000 AMIGOS DO FACEBOOK, ou sei lá… Que você já tenha pelo menos conversado pessoalmente alguma vez com seus 2.000.000 DE SEGUIDORES DO TWITTER…
Eu garanto que eu não fiz isso!
Então pra você que tem 1 milhão de amigos, fãs, seguidores, visitantes… GRANDE COISA! Me conta depois quantos deles te atendem as 4 da manhã quando você precisa desabafar!

Revolta das Revoltas!

Eu já lutei por tantas causas… E enquanto eu acreditei, todas elas foram verdadeiras, mas só enquanto eu acreditei…

Às vezes eu me sinto desmotivada, precisando de uma boa guerra pra vencer, uma luta, um lado pra tomar partido, um motivo pra sair gritando, um alguém ou alguma coisa para defender! Já senti e ainda sinto um enorme desolamento por vez ou outra não ter um lado pra assumir, uma razão para protestar… Isso me parece uma necessidade fisiológica, não é só a alma que necessita de motivos, mas o corpo quer impulsos, o grito que entala a garganta quer sair, a revolta reclusa dentro do peito quer vazão… Quantas e quantas decepções… Uma seqüência de descobrimentos a respeito do mundo, da vida e de como ela é… Por mais horroroso que seja o clichê é exatamente assim…

Hoje escrevo aqui sobre a revolta de minhas revoltas…

Já me aborreci, me decepcionei, chorei, sofri e até mesmo sorri da minha própria cara por me descobrir patética… Já achei que estava fazendo algo de bom pelo mundo inteiro e acabei caindo na real e vendo que a maior beneficiada de todas as minhas ações pelo bem coletivo, sempre fui eu mesma! Ninguém luta por nada que de uma forma ou outra não te atinja, ainda que indiretamente.

Quando você alimenta uma pessoa faminta é você que sai com o ego saciado, quando você defende os direitos humanos, você se sente humano o suficiente para reivindicar algo de melhor para si!

Tirando a parte positiva, tem também o lado da decepção das causas. Já vi corrupção em movimentos que lutavam contra os corruptos, as mentiras, as farsas em nome do benefício desse ou daquele e acabei me sentindo mais um daqueles porcos que eu tanto odiava. Desses movimentos, os mais sujos, são sem dúvidas os relacionados a política, desde os movimentos de base, parece que são educados a uma cultura podre, um circulo vicioso, parece não, eles são! São carteiras adulteradas, congressos onde muitos estão apenas para “fazer número”, discursos vazios, ou até mesmo cheios, cheios de demagogia.

Educo-me assim… Quebrando a cara! Minha revolta das revoltas!

Eu nasci e cresci em um país que vive de pão e circo, onde as pessoas são felizes assim! O mundo é patético e a grande maioria das pessoas é patética também, mas não as culpo! Não é defeito nenhum… Há quem diga por aí que a ignorância é uma benção e com certeza aquele que criou essa frase, desejava nunca ter descoberto o mundo além da ignorância, pois é duro acordar e ter que enfrentá-lo!

Não estou procurando a essência de nada, não quero encontrá-la e sei que não posso… É impossível encontrar algo puro de alguém em mim, pois tudo o que eu sou, o que eu penso, o que eu julgo, nunca será imparcial, pois sempre estou opinando, julgando, pensando comigo mesma. Em tudo o que eu fizer, eu nunca vou deixar de ser eu, portanto, nada que saia de mim é totalmente puro, a essência de todas as coisas é inatingível por mim e talvez até por elas mesmas. Eu não estou buscando respostas para as ações do mundo, eu busco respostas o tempo inteiro para me construir. Minhas revoltas são um modo de fazer isso, de consolidar minha personalidade.

Para que eu saiba o que eu penso, eu preciso primeiro pensar, eis o lado bom de assumir uma causa, eu penso sobre ela e ela age sobre mim enquanto eu aceitá-la como uma “verdade”. Aí está a eficácia de todas as coisas… É preciso investir sobre elas um certo crédito, é preciso concebê-las como reais, se assim for elas permanecerão verdadeiras pelo tempo que durar essa verdade em mim, mas só nesse tempo e nenhum instante a mais!
Muitas causas só irão te decepcionar, muitas te aborrecerão, te farão chorar, te farão gritar, mas também te levarão a novos amigos, a novos grupos de discussões, a novos olhares sobre o mundo…

Para finalizar, só tenho a dizer que todas as minhas revoltas me fizeram crescer muuuuuito. Foram elas a base par minhas mudanças de idéia, para minha evolução intelectual e para meu crescimento pessoal!
Revolte-se também!