E se “sempre” fosse só “agora”?

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Eu não quero pensar em pra sempre, porque o sempre é uma escolha também.
Mas eu queria que por um tempo, a gente se gostasse de um tamanho maior que os nossos medos, vaidades, egoísmos e nos esforçacessemos pra juntos sermos um pouco mais felizes, no tamanho de um sempre limitado.
Que a gente fosse capaz de sentir o mesmo amor que a gente sente pelas pessoas boas da rua, de maneira mais próxima em nós dois. Que a gente se descobrisse em águas mais profundas.
Que a gente parasse de correr na direção dos abismos que nós criamos para nos julgar salvos de tudo que incomoda o que nos acomodou.
Que fosse a gente o endereço do abrigo em que o outro encontra refúgio. Nos fízessemos de casa para que quando o outro decidisse vir morar, encontrasse a porta aberta e aos poucos trouxesse sua mobília e começasse decorar.
Eu iria explorar as palavras do vocabulário para soletrar o seu sorriso.
Eu me lembraria de parar pra olhar uma flor e enxergar nela a beleza que é existir.
Eu ia querer sentir o calor da luz do sol nos seus abraços.
Eu enxergaria o brilho da luz das estrelas no seu olhar dentro do meu.
E tudo isso eu nem espero que seja um sempre, mas que enquanto o sempre for agora, que você deixasse acontecer.
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As histórias que escrevemos

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Eu estava aqui pensando sozinha essa hora da noite, sentada com os pés sobre o banco, olhando para os móveis da sala, analisando aquilo que estou cansada de enxergar e conhecer. E é dentro dessa mesmice que eu me encontro com você.

Hoje eu te reconheci no cheiro de um incenso, foi estranho e lindo. Eu pensei um outro “talvez“, um “e se‘, até me convenci de um “nunca vai ser“.

Depois eu parei pra escrever. tentando não esquecer, que as tantas histórias que escrevemos, entre tantas novidades, podem desaparecer. E eu penso nos textos que eu vomito pro mundo, tornando um pensamento livre em um prisioneiro das minhas palavras e eu te prendo aqui de novo, numa história escrita nova. E na escravidão da minha lembrança, eu me liberto na minha palavra. Aquela que raramente eu releio ou revivo, mas que de algum modo eu sei da existência, afinal, nasceu de mim, já foi um pedaço meu.

Cada vez que você renasce nos meus pensamentos, eu te vivo, te sorrio, eu te perco, você morre e eu volto a te enterrar com pontos finais.
Cada vez eu te deixo a lembrança que das histórias que a gente imagina na vida, nenhuma surpreende mais do que a vida que a gente segue escrevendo com histórias.

Doce e simples

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O dia é longo e cansativo
Agitado e estressante
Me peguei algumas vezes levantando a voz.

Mas aí chega a noite, a calma, o silêncio e a paz.
Ela adormeceu e eu me pego do lado da sua cama, depois de tudo feito, tudo acabado, depois de tudo eu ainda paro, só pra olhar e repetir pra ela e pra mim mesma o quanto eu a amo, o quanto ela é linda, o quanto eu me orgulho de tê-la em minha vida.

Ela não me viu, não me ouviu. Ela só dorme, enquanto eu só quero abraçá-la forte.

Hoje o dia acabou, mas amanhã eu vou acordar e tentar ser melhor
Melhor pra ela
Melhor por ela
Eu vou dizer o quanto a amo, uma, duas, muitas ou quantas vezes for necessário, pra que ela entenda que eu amo mais que tudo nessa vida.

Se você consegue perceber que precisa também, quando acordar amanhã, tente ser melhor comigo.

Oi, meu nome é Leila com i

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Uns de vocês acham que eu tenho 15 anos, outros 35, outros tão pouco se lixando pra idade que eu tenho… Eu faço parte desse último grupo, aliás, depois dos 18, parei de me importar ou achar diferença.
Biológica, cronológica, verdadeiramente falando, eu tô completando 26 anos de idade, mas e daí né?
Eu gosto de música dos anos 60,70,80,90… Eu gosto de comida árabe, mexicana, mineira, aaaaaaaaaaaaah, que mentira, eu gosto de qualquer comida, eu adoro comer, eu adoro jiló.

Eu nasci goiana, cresci candanga, estou carioca, sabe-se lá o que serei daqui a pouco.
Eu tive um pai, eu perdi um pai, eu ganhei dois pais, umas cinco mães, uma dúzia de irmãos, eu sinto um tanto de amor fraterno.
Eu já quis ser freira, fiz experiência vocacional, eu quis ser jogadora de vôlei profissional e até hoje a minha família acha que eu sou jornalista.
Já morei com os pais, com os tios, com os irmãos, com primo, em republica, com uns velhinhos, sozinha, com marido e com filha.
Eu trabalhei em faculdade, em órgão público, em jornal, em agência, já abri empresa e agora em ONG.
Já tive cabelo rastafari e curto e médio e longo, só AINDA não mudei de cor.
Já fiz balé, joguei vôlei, handball, tênis de mesa, yoga e corrida, mas meu esporte predileto ainda é levantamento de garfo e copo.
Aprendi a usar vestido depois dos 18 anos, mas nunca deixei de me comportar como um pivete e tenho cuecas no meu armário, eu adoro dormir com elas.
Eu sou mãe da menina mais linda do mundo, mas eu fico me segurando pra não agarrar qualquer criança que passa na minha frente.
Eu tenho bisavô com quase 98 anos. Eu tenho menos de 1,60m de altura, eu uso protetor solar 60fps todo santo dia e eu tenho enxaqueca desde os 8 anos de idade.
Eu perco muitas horas de sono enquanto tento dormir.
Eu perco muitos textos que eu penso, pensando que poderia levantar pra escrever e nunca levanto.
Eu perco pelo menos um brinco por semana.
Perco a hora, perco o cartão de crédito, a identidade, esqueço pra quem emprestei os livros, esqueço as coisas no fogo e sempre esqueço de pedir ajuda.

Eu odeio ir ao médico, odeio que leiam os meus textos na minha frente e eu odeio ler o que eu escrevo depois que eu publico.
Eu amo música alta na hora da faxina e danço sozinha enquanto tento imitar desastrosamente a Beyoncé. Eu sou irritantemente bem humorada pela manhã, mas me alimente logo cedo.

Eu tranquilamente passo o final de semana todo sem sair de casa nem pra jogar o lixo fora. Eu amo viajar sozinha, eu sou apaixonada por fotografia e ainda quero aprender mais sobre isso.
Eu desejo morar numa casa, com jardim, porque eu gosto de terra, de planta, de espaço, de quintal. Eu não sei onde e quando vai ser isso, mas um dia ainda vai rolar, eu sei que vai.

Eu lembro de tanta coisa, eu também amo tanta coisa, eu ainda vou fazer tanta tanta tanta coisa.

Foi um prazer chegar até aqui. A gente pode se encontrar em breve?

Tempo pai

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Havia relógios em todos os cômodos da casa. Não havia tempo a perder, nunca havia tempo perdido. Hora pra acordar, tempo do banho, tempo de se vestir, hora de comer, os minutos até chegar ao trabalho, tempo de ligação, hora da reunião, tempo de espera na fila.
Tudo era tempo. As horas, os minutos e os segundos. Tanta preocupação em medi-lo, calculá-lo, planejá-lo. Sobrou pouco tempo para vivê-lo. Em alguns anos tudo estava no automático, como uma máquina, tudo girava pra fazer o tempo passar.
E foi sem atraso, sem imprevisto, sem desmandos, sem contra-tempos. O tempo se virou contra você.
Você foi embora e não levou muito tempo. Foi tudo tão rápido, segundos. Depois de alguns minutos já não era mais o mesmo, em 26 horas você já não era mais você, pouco mais de um dia e você se foi pra sempre. Já não há mais tempo pra contar, os relógios aos poucos foram sumindo dos cômodos da casa. Eles levaram embora, todo o nosso tempo. Todos os nossos minutos, dias ou anos. Tudo o que ainda poderíamos ter.
O seu tempo acabou. Por algum tempo eu não acreditei, eu esperei que voltasse, mas o tempo também me disse que já era hora de deixar partir, o tempo não ia voltar atrás.
E passou o tempo. 14 anos.
Eu levo o tempo gravado na minha pele, pra não me esquecer nunca mais. Nós tivemos um tempo. Você viveu o seu tempo, eu continuo vivendo o meu, medindo um pouco menos que você.
Já não importa mais quanto tempo faz, importa quanto tempo fez.
Eu amei o nosso tempo, nossos 11 anos, 10 meses e dois dias.
Eu vou te amar pra sempre, em todos os tempos.

 

 

Eu te espero aqui

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Eu achei que eu conseguiria, achei que era forte o suficiente, achei que tudo na vida fazia parte de um processo, e que as coisas têm que ser apenas normais. Mas eu estava errada, em todas as coisas, e principalmente em pensar que eu estava pronta.

Eu não quero e não posso me despedir de você. Não agora, não assim. Eu ainda tenho muito o que aprender e é você que tem a missão de me ensinar. Então fique comigo, perdoe o meu egoísmo, mas compreenda o meu amor.

O mundo anda tão insensível e eu quero só poder sentir um pouco mais do seu abraço. Não se vá agora. Deixe mais do seu beijo com gosto de café, da sua voz cansada que sente alegria com o que é simples. Fica pra mais uma refeição. Eu quero ouvir o barulho que a rede faz enquanto você se balança, eu quero ver seu rosto saudoso contando coisas de outrora.

Eu já sinto saudade agora, eu já sinto medo agora, porque ainda vai existir um mundo depois que você não estiver mais aqui, mas eu tenho certeza de que ele já teria sido muito melhor. Então, luta um pouco mais, eu sei que você se sente cansada, mas não desista.

A primavera está chegando, você vai gostar de ver suas sementes florescer. Vem ver comigo, mais um pôr-do-sol, mais uma tarde de chuva, mais um dia de pescaria.

Estou aqui, do outro lado dessa porta, esperando você voltar caminhando, pra me abraçar e ir comigo.

A Vida Edifício

 
 

Eram três andares…

No primeiro deles, um casal de idosos. Ela já debilitada e nada fácil, vive sob os cuidados dele, que apesar da idade se desdobra.

No andar do meio, um casal com um bebê, jovens pais de um garoto lindo e travesso que aprendem com o dia a dia as dores e as delícias da vida de pais.

No terceiro andar, uma mãe e uma adolescente que tentam manter um diálogo entre seus planetas.

Pela manhã… No primeiro andar ele prepara o banho dela, enquanto a carrega no colo, orientando como ela deve ou não agir. 

No segundo andar, um deles prepara o banho dele, enquanto o outro com está ele no colo, esperando que ele também se comporte.

No terceiro andar, ela se prepara para o banho, enquanto espera que ela saia do chuveiro e aprenda como agir.

Ele grita com ela no primeiro andar, por não o esperar e levantar sem apoio.

Eles gritam com ele no segundo andar, por ele conseguir se levantar sem apoio.

No terceiro andar… Elas gritam…

No primeiro andar, ele a senta na mesa e serve o almoço a ela, assoprando pra que ela não se queime.

No segundo andar, eles servem o almoço para ele com todo cuidado para que ele experimente tudo e vá até o final.

No terceiro andar, ela espera o retorno da escola para servir o almoço e sentar-se com ela.

Há movimentos da vida em cima, no meio e embaixo, com prazos pra lá e pra cá. 

No primeiro andar, logo se ouvirá menos barulho e talvez ele e ela já não serão mais dois. No segundo andar, se ouvirão mais passos, mais vozes, mais risos, mais gritos, mais musicas e palmas e logo eles serão completos três. No terceiro andar, os planetas ainda se desalinham, até que um dia um deles descobre sua órbita é parte em busca da sua jornada.

Com o tempo todos os andares mudarão de ritmo, o que era cheio vai ficar mais vazio, uma hora todos se vão, para seguir seus caminhos e aí não são mais gritos de euforia, de discussão ou de orientação que irão dizer mais nada. Quando tudo encontrar seu tempo, vai falar mais o silêncio, de um olhar, de um abraço ou de saudade, mas não precisará mais barulho…

É nessa hora que os três andares não se diferenciam, porque a vida é questão de tempo e de tempos em tempos nos descobrimos outros, com nossos barulhos externos e internos aprendemos que a vida vai nos mudar de andar e a casa que eu habitei hoje, vai comigo pra onde eu for amanhã. 

Um edifício cheio de vidas.

#Obrigada – Jaqueline

O que define uma família?

Quais parâmetros podem medir se alguém é de fato parte tão importante da minha vida?
Genética? Desenho de árvore genealógica? Um exame?
Jaqueline, a Jaque. Fala baixinho, ri alto e abraça forte.
Eu ainda vou contar a história de muitos anjos, mas começo por ela, que sempre me emociona.
Eu não sei se eu enviei um convite, mas sei que ela aceitou fazer parte da minha. Muitas vezes ela não está lá, mas divide comigo e me faz ter fé na vida de novo.
Me faz sentir família, com abraço de mãe, colo de amiga e gargalhada de cúmplice. E eu nunca entendo quando ela tenta me dizer obrigada por algo, pois eu não conseguiria jamais retribuir a tanto. Poderia narrar muitas coisas, mas um dia ao contar de um problema meu para Jaque, ela me olhou nos olhos chorando e me perguntando Porquê? Porquê tanto sofrimento?
E eu chorei, não pelo que eu vivia, mas porque naquele momento ela fez eu sentir que não merecia sofrer, mas que eu merecia ter pessoas na minha vida como ela e quando alguém no mundo aceita dividir com você aquilo que é seu, o seu peso se torna mais leve e mesmo a sua felicidade se torna mais plena.
É não estar sozinho.
Escolha!
É isso que define família. É escolher dividir. Dividir é levar e é trazer. É receber e também oferecer. Partilha.
Jaque, obrigada pela sua escolha, não só comigo, mas pelas escolhas que você faz da sua vida e pelo que elas fazem com você.
Você me faz acreditar em muitas coisas boas.
Você me diz que eu sou jovem, é que eu vivo esquecendo, mas me lembro quando te vejo.
Você me faz ver que quem está certo não precisa falar mais alto e nem por último.
Você me faz ver que nem sempre que gestou um filho é que a mãe.
Me faz entender respeito. Quanto mais se dá mais se tem.
Valor de uma amizade é ter uma amizade que não tem preço.
Muito obrigada Jaque. Obrigada pelo que você é e pelas outras 4 pessoas maravilhosas que você trouxe pra minha vida!
Amo vocês!

Efeito Colateral 

Quando eu me prescrevi você, esqueci de dizer a mim mesma sobre os seus efeitos colaterais.

Eu não me contei que você causava arrepios, suor, delírios e dependência.

Eu esqueci de dizer que você poderia se tornar um vício.

E abstinência causa água na boca e visões quase reais.

Eu me contei que você era remédio, mas omiti que o abuso te transforma em meu veneno e eu abusei. Ah! Como eu abusei!

E agora é certo que vivo num mundo paralelo onde te procuro em bocas e becos.

Mas não se encontra fácil a versão mais pura desse sabor intenso.

E então… Água na boca…

E aí te encontro… Arrepios, suspiros, suor e vários delírios e antes que eu perceba… Já me encontram completamente alucinada e quando me dou conta, já não quero mais nada. E eu volto, não me trato.

E eu me vendo, sem me ver.

Eu me vendo sem te ver.

Eu me vendo te procurando.

Eu me vendo, te compro!

Eu – Meu

 

Obrigada Anitta

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*Fotógrafa: Bella Tozini – Modelo Thais Barbeiro


Anitta é uma linda mulher, muito linda.
E hoje Anitta me disse ao se despedir, já saindo em direção a porta e com um sorriso no rosto que o importante é viver sempre!

Amanhã Anitta entra na segunda fase da quimioterapia, que levou seus cabelos, deixou sua saúde frágil, mas de maneira alguma tirou a sua vontade de viver
Eu não sou sua amiga, pra falar a verdade eu a conheço bem pouco, apenas de idas e vindas pelos corredores do prédio que trabalho, das poucas vindas dela na minha sala para uma hora ou outra de conversas e risadas. Sua extrema gentileza sempre me chamou atenção, a gente tem aquele santinho que bate com o outro. Gosto de gente simpática!

Amanhã Anitta entra na segunda fase da quimioterapia, que levou seus cabelos, deixou sua saúde frágil, mas de maneira alguma tirou a sua vontade de viver. Eu não sabia que ela lutava contra um câncer até dia desses, mas hoje ela veio me visitar e entre um sorriso largo e outro perguntei como ela se sentia e ela disse que estava feliz e forte. O lenço que envolvia sua cabeça não era capaz de maneira alguma de esconder o seu sorriso.

Anitta é elegante, simpática e sorridente. E eu já disse… Não sou sua amiga, mas eu gosto dela e quando a olho ou quando penso nela,  faço por ela o que ela me disse que queria, desejo que ela tenha muita vida, boa vida, da forma mais bela que ela sabe fazer… Com beleza, por dentro e por fora.

E eu desejo aprender sempre as duas coisas que Anitta ensina gratuitamente: Alegria e Força!
Viver é sempre melhor e independente das circunstâncias, escolha superar, escolha sorrir, vem de dentro para fora, não só a beleza dela, mas a que eu vejo nas pessoas.

Obrigada Anitta!

Último ato

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– Oi
– Olá
– Gostaria de conversar com você
– Está conversando!
– Da última vez que nos falamos você não foi muito amistosa
– Pois fale
– Eu soube do seu avô
– É, ele descansou… É a vida!
– Soube também do seu novo trabalho.
– Ah, sim, por enquanto é legal
– Você nunca é feliz por muito tempo em um mesmo lugar. Qual o seu problema?

– Eu não me conformo. Acho que a vida é muito curta para que as coisas sejam sempre da mesma maneira, só isso.
– Eu vejo isso nos seus olhos. Vi desde a primeira vez que te encontrei. Eu queria você, mas eu nunca aprendi a voar. Eu sabia que alguma hora as suas asas iriam se curar e você ia partir novamente.

– As feridas não doem para sempre. De alguma quedas eu vou levar só as cicatrizes, de outras eu levo uma vontade ainda maior de voar e voar mais lato, mais longe!

– Hoje eu vi o sol nascendo, eu me lembrei de você. Você sempre disse que ama ver o sol chegando ou partindo
– É verdade, eu amo mesmo – Você e o sol se parecem muito
– É?
– Os dois vão e vem, mesmo eu não vendo eu sei que estão em algum lugar e vocês tem luz.

– Obrigada, eu acho. É bom ouvir isso de você.

– Você poderia me ouvir mais, mas você me evita.
– Eu não sei te explicar, mas eu sou estranha. Eu prefiro me afastar às vezes.
– Você tem medo!
– Medo? De você? Que piada…

– Não! Você tem medo que alguém te faça feliz, tem medo de sofrer.

– Eu sou feliz!
– Mas não é por completo. Você é esse dilema que quer voar pra sempre, que gosta de liberdade, mas que se sente sozinha e quem tem medo que um outro alguém te prenda ao chão.

– Você não sabe o que está dizendo
– Eu sei sim! E eu adoro esse seu jeito, inclusive essa sua cara de irritada aí.
– Então é por isso que você me atormenta?
– Não! Eu apenas gosto de você, mas quero que você saiba que as outras pessoas não são como eu que não sei voar.
– Você está sendo o que sempre foi, um velho e chato. Você não devia ter vindo aqui.

– Eu sempre ando por aqui, tentando te ver.
– Então quer dizer que além de velho e chato você também é uma maluco psicopata que me persegue pela vizinhança?
– Talvez… Talvez você deva mesmo temer e como essa pode ser a última vez que você me recebe, eu precisava te contar tudo o que eu penso e sinto.

– Já terminou?
– Não seja assim, vai… Você costumava ser bem humorada. Tá de TPM?
– Caramba!!! Isso é uma visita ou uma consulta? Você agora é analista? Vai ficar dizendo o que eu sou, o que devo fazer. Você é meu pai?
– Não. Nada disso. Você sabe que eu quase poderia ser seu pai.

– Você não é tão velho assim! – Mas não sou mais um garoto. E você é jovem, linda, inteligente…
– Me desculpe, mas agora você tem que ir, tenho muitas coisas pra fazer.
– Você sempre tem mil coisas pra fazer
– Sim, sempre!
– Eu queria ser alguma coisa pra você.
– Esse seu jeito me sufoca. Eu não suporto isso, tem um limite entre querer ser desejada e um não querer. EU NÃO TE QUERO MAIS. É isso!
– Tudo bem, eu acredito, mas olha…
– Que foi?
– Eu vou sempre te querer bem
– Eu nunca disse que não te quero bem.
– Que bom! Pense nas coisas que te falei. Você merece ser feliz.

– Só eu sei os caminhos que me trouxeram até onde estou hoje. Eu sei o que eu vivi para ser quem eu sou e para agir dessa forma  e eu já te disse… EU SOU FELIZ.

– Que bom então. Bem… Foi bom ver você. Posso te pedir só mais uma coisa?

– O que mais você quer?
– Um abraço – Você sabe o que eu penso sobre abraços…

– Sim, eu sei. Por isso estou te pedindo um. O último, prometo.

(Abraçaram-se)
(Minutos em silêncio)

E a porta se fechou… Com lágrimas nos olhos dos dois lados.

Fermentando

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Não nasci pra viver as coisas tão mais comuns
Pra ter uma vida pacata e normal
Ainda que eu não escolha, sou mais uma icógnita do que a inércia

A necessidade de estabilidade não sobrevive perto da minha curiosidade pelo novo
A certeza única é a de que nada é tão certo assim
As coisas mais duráveis acabam em minutos

As coisas que se prolongam demais acabam esquecidas pela monotonia em que elas mesmas se afogam
O apego é uma bomba relógio para saúde de quem vive
A vida é trânsito, fluxo, trocas
Idas, vindas, passagens, rumos que mudam sem parar

A coisa mais sensata a se fazer na vida é viver
E deixar que o tempo continue a agir da sua maneira e dar a cada um seu sabor

Passam

O que fica do que vai?

Os móveis, as roupas, as fotos.
Os traços, alguns recortes velhos guardados e espaço cheio de completo vazio.

Fica tanto que chega parecer que nem deixou de ser. Parece que ainda está aqui. O que fica quando a gente não quer deixar ir embora.

Mas que senhor é o tempo, que leva instante a instante cada gota de tal tormento. O tempo parece vento que faz folha seca voar, subir e sumir até que longe ninguém mais possa enxergar.

Aí esvazia e enche de novo, trás o novo, tira o cheiro de mofo e vem ar de primavera com flores novas e fim de tarde ao som do mar. Até em quem já ficou bem velho, tem sorriso de moço.

O que fica realmente fica, mas não fica do jeito que já era.
Faz-se de todo dia um novo guia, pra seguir caminhos por onde nunca se foi.
É a caminho do novo que você percebe que um passo errado as vezes leva ao rumo certo e que o plano inicial não leva a um destino final.

O que fica, fica… Mas fica dentro da gente. A gente vai pra todo lugar, como as folhas que o vento levou. E no fim de tudo, a gente vai…

O que fica do que vai é a certeza de que o que ficou uma hora também vai.
Somos passageiros!

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Aos dois…

Aos dois

Aos dois anos de idade nenhuma criança vai lembrar se você trabalhou e ganhou muito dinheiro para poder pagar a ela uma boa faculdade.
Aos dois anos ela acha mais divertida a caixa do que os presentes.
Uma criança de dois anos não acorda pensando no que ela vai ser quando crescer, nem se preocupa com a política, economia ou se ela em dezembro vai passar férias na Disney.
Aos dois de idade uma criança quer brincar, ela tem energia, quer correr.
Aos dois anos ela tem seus personagens de desenho animado e pede que você assista e dance com ela. Ela te pega pela mão e diz VEM! Brinca comigo!

Ela se lembra das festas de aniversário em que brincou com os amigos no final de semana e das tardes que vocês se sujaram muito brincando de tinta ou na terra.

Aos dois anos ela não se importa se a roupa dela é importada. Ela quer qualquer roupa confortável o suficiente para que ela possa correr, escorregar, pular…

Ela quer abraços quando acorda assustada, e quer colo quando está cansada. Ela quer dormir com você quando tem medo.

Aos dois anos ela aprende palavras novas, chama as pessoas pelo nome e diz que a mamãe é grande e ela é pequenininha. Ela é madura o suficiente para saber a hora de ir ao banheiro, mas criança o bastante para brigar com o sono quando quer brincar.

Ela vai querer amor como em qualquer outra fase da vida, mas ela precisa de paz, de presença, de cuidados e de atenção.

São os exemplos das pessoas próximas que ajudarão na formação de sua personalidade e de seu caráter. São seus pais, seus avós, seus tios… A família que a cerca, que a ama…

Aos dois anos é disso que ela precisa. De um mundo que fale com ela em uma mesma unidade.
Aos dois anos toda criança é uma terra fértil, esperando por sementes.

Tenha tempo…
Plante coisas boas…

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Carta para dois amores

Não é a primeira vez que escrevo sobre, mas é que esse nosso triângulo amoroso mexe muito comigo. Eu quero muito e quero as duas…
Rio, Brasília e eu…
Uma pessoa pra amar duas cidades!

Eu não conheço nenhum brasiliense que não goste do Rio, mas conheço alguns cariocas que odeiam Brasília, mas em geral, esses nunca estiveram lá, ou passaram por pela cidade na época conturbada de sua construção e inauguração ou eles não sabem o que estão perdendo…

Dizem que casa é onde o coração está. Creio que tenha dois corações, um que bate aqui no meu peito e um outro que passeia lá pelo Planalto Central. E eu fico sempre à espera da hora de ir procurar esse outro coração… A saudade é tanta que quando sei que tenho data marcada pra chegar, desde antes a ansiedade me consome e não vejo a hora de o tempo voar pra eu poder pisar de novo por aqueles lados…

Também era assim quando eu vinha de lá para cá… Esse nosso velho caso de amor. Quer caos e silêncio, gosta de ver o mar, mas ama olhar pro céu. Sabe que chuva alaga, mas que a seca castiga. Areia e terra vermelha… Ah! Minhas musas… Não amo nem mais e nem menos. Pouco a pouco eu descobri o espacinho que cada uma tem em minha vida.

A inteligente e a descompromissada, a de vias largas e a de becos. E eu não sou daqui e nem de lá, mas um outro poeta dessas duas terras já dizia… “E quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração”. E não precisa de razão, eu respeito vocês, assim desse jeitinho. E eu sou um pouco de cada, no que eu sou, no que eu vejo, no que eu levo e no que eu trago. Eu me faço todo dia. Filha adotada.

Sei que outros amores ainda virão, ainda tenho muito tempo e muito chão, mas saibam, minhas queridas, vocês sempre serão as mais lindas.
No céu ou no mar, vocês ficaram marcadas na minha vida e até na minha pele…

Com amor…

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Um caminho

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Não é fácil acordar todos os dias e buscar forças para encarar a vida de cabeça erguida. Lutar para combater as incertezas e muitas vezes para buscar as certezas.

Ser forte é mais que uma qualidade, é uma necessidade, principalmente quando não se tem outra opção. É ir e vencer ou nada.

Os caminhos são difíceis, as pedras são grandes, doloridas, pesadas, machucam, causam dor, fazem chorar, perder o sono… Mas a estrada continua e é certo que não se deve parar.

Fazemos escolhas, sofremos suas consequências, deixamos de fazer escolhas e também vivemos as consequências.

Omitimo-nos, nos acovardamos, deixamos pra depois, calamos muitas vezes nos momentos errados. Enfim… Somos humanos…

De tudo ficam as lições, o aprendizado, a experiência e as histórias que passamos a frente. Das quedas, oportunidades de reerguer-se e novamente tentar.

Pessoas não são blindáveis, não nascem prontas e também não vivem para sempre. Pessoas precisam se condicionar, adquirir, deixar passar, desobedecer. Precisam acalentar, transgredir, buscar, sentir..

Gente de verdade sente dor, adoece, se engana, se irrita, sente tristeza. Gente de verdade derrama lágrimas.

Pessoas precisam aprender a construir, mas também a destruir e recomeçar. Elas precisam viver e a vida implica em escolher caminhos.

Sou dela!

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Tento resistir e hesitar, mas é sempre mais forte que eu. Quando ela resolve sorrir, ela desconstrói meu mundo em um segundo e consegue reergue-lo com traços mais vivos.

Eu sou dela e não consigo negar que meu coração é seu por inteiro. Quando ela me abre os braços e me olha com aquele olhar de quem diz “eu te preciso”… Só consigo retribuir abrindo os meus dizendo “estou aqui”.

Faço jogo duro e cara feia pra que ela entenda que amor também é impor limite, mas ela me faz entender que com doçura é mais fácil ensinar.

São seus sorrisos, seus abraços, seus beijos, seus afagos, sua voz doce que canta músicas que eu não compreendo e é o fato de você ser minha e eu ser completamente sua.

É tudo que você me trouxe desde o primeiro instante. A mudança, a preocupação, a maturidade, a responsabilidade, é o aprendizado diário, mas é principalmente o amor novo que eu descobri em você, o amor que eu ouvia falar, mas que eu senti quando você respirou a primeira vez.

É por cada um desses dias que você veio pra iluminar a minha vida!

Eu sou sua e você é minha… Não minha de me pertencer no sentido de posse, não… Não te quero prisioneira, mas minha no sentido de minha amada, que longe ou perto nunca vai mudar.

Eu te amo, meu sorriso!

A cria que criei.

Aaah! Quem não tem não sabe como é. Ser Criador!

Quem só pensa no lado trabalhoso, cansativo e caro, não sabe o quão recompensador é poder contemplar a sua criatura. Ganhar um sorriso… Ver cada pequena evolução que é muito mais extraordinária do que a evolução do mundo todo… Ver um pedacinho seu, que anda, que fala, que pensa, que sente e que ri e faz rir. 
Quem não tem pode até fazer ideia, mas não sabe como é no fim da noite que a gente para só pra olhar esse pedacinho de ser humano jogadinho, preguiçoso, esparramado na caminha… 
E é tão puro, é tão verdadeiro. É gratuito esse amor que só quer o melhor.

É detalhe, miudeza, pequeninice e bobagem, mas é bom, é tão bom… 

Um cheirinho, um sorriso, um abraço apertado, umas mordidinhas… Uma soneca no colo, uma música chata pra ficar na cabeça o dia todo, os brinquedos espalhados pela casa e a vontade de estar ao lado em todos os momentos.

É minha. Minha criaturinha. É pedaço meu e é pra sempre!

Receita

Não subestime o poder do sorriso.

Não subestime o poder do sorriso.

Acorde pela manhã bem cedo, se alongue, dê um sorriso e vá para o chuveiro…

Lave bem rosto, as orelhas e não se demore…
Vista uma bela roupa, penteei bem os cabelos, e verifique se as unhas estão aparadas, não se esqueça do desodorante…
Pegue a mochila, os documentos e o telefone celular…
Dê um beijo em quem você ama e saia…
Do lado de fora lembre-se de que um novo dia está começando, se você deseja algo novo, tem que tentar algo novo, mas para todos os efeitos dê um novo sorriso.
Saia, vá a luta, busque com determinação e garra, não pense que os frutos cairão maduros nas suas mãos, é preciso batalhar sob o sol de cada dia para que seja tenha resultados. Não pense que você é exclusivo e detentor de todo o cansaço… Assim como você  existem milhões, mas o que te faz especial é a vontade que você tem de fazer as coisas acontecerem e a sua determinação em lutar por isso!

Entenda que quanto maior a dificuldade, maior o prazer da conquista.

Persistência! Nem sempre as respostas vem na mesma velocidade que as perguntas…
Trabalhe! O trabalho te torna digno do que você possui…
Agradeça! Saiba ser grato pelo que tem…
Ouça!
A sabedoria é diferente da inteligência. Os livros ensinam muito, mas as pessoas vivem no mundo a mais tempo do que a invenção da própria escrita…
Poupe!
O pouco com mais um pouco deixa de ser tão pouco assim…
Pense várias vezes! Cada escolha implica em uma conseqüência, pense bem antes de agir e de falar e tome cuidado com as consequências e a quem elas irão ferir ou interferir…

Ame!
O amor verdadeiro é um motivador para uma vida melhor, o amar de verdade te faz querer viver em um mundo melhor e te faz querer ser um mundo melhor!

Sorria!
O sorriso é subestimado por muitos, mas o seu poder é indescritível. Não sonegue sorrisos.

Misture bem os ingredientes, sirva à gosto!

Fazer feliz

Vez ou outra a gente fica fazendo questão de dizer que não tem nada a provar pra ninguém e que não se preocupa com a opinião deste ou aquele, mas no fundo no fundo dói muito quando a gente não consegue agradar certas pessoas.
Eu não consigo entender, quanto menos explicar a sensação horrível que dá quando a gente magoa, chateia ou desaponta alguém que nos ama ou que amamos assim como é indescritível quando você deixa essas mesmas pessoas orgulhosas e felizes.
Ta aí a medida! Não pensar só em ser feliz e querer o melhor para si, mas fazer o outro feliz, fazer mais pelo outro do que esperar receber. Você acaba percebendo no final o enorme bem que fez a si mesmo.

Doe-se mais
Ame mais
Faça mais o bem
Tema menos
Tenha menos orgulho
Faça as pessoas felizes