Quando você foi

Fiquei parada de frente pro nada dessa sala, olhei para o teto, para as paredes, e para a janela de frente para a rua. Essas parede nuas guardaram tantas histórias, tantas coisas nossas, tanto riso, choro, barulho, conversas… Já vivemos tantas coisas aqui.

Todos os quadros das capas dos discos do Pink Floyd, fotos dos Beatles e os bonecos do Star Wars. O abajur que podia ter qualquer cor, mas que na maior parte do tempo tinha uma cor só.

Lembro de quando chegou o sofá novo e você cheio de cuidados para eu não fazer nenhuma besteira. Lembro do jogo que você me mostrou, aquele de atirar bolinhas pretas na tela toda branca, eu não faço ideia do nome, mas eu me lembro. E de quando comprei utensílios pra sua cozinha no dia das crianças, o meu primeiro episódio de Breaking Bad, o documentário sobre o acelerador de partículas, com você cochilando, e até o dia que eu fiz sopa de lentilhas pra uma semana. 

Eu já cheguei de dia, de tarde, de madrugada, já saí cedo, já te acordei pra fechar a porta que não se fechava sozinha e já fomos de metrô. Já passamos final de semana vendo TV, enrolados num cobertor e já aproveitamos um dia ensolarado de verão na praia.

Eu tenho tantas recordações suas, coisas que você nem se lembra mais. Você estudou teatro, produção musical, encarou rotina de ponte aérea, perdeu uma, duas, três ou quatro carteiras e dois passaportes, e eu liguei pro posto de gasolina pedindo informações. A tulipa que você trouxe da Holanda, brotou, mas depois secou, eu nunca soube como ela sobreviveu tanto naquela lata. Todos os hiatos, todos os fins de hiatos. Todas as frases que viraram bordões e Todas as músicas que já ouvimos juntos, e que por dias foram meu mantra para me encontrar em algum lugar onde eu estivesse sintonizada a você.

Todos os objetos esquecidos e devolvidos, os desaparecidos e os sequestrados. Todas as nossas conversas, os áudios, as conferências e toques na porta.

 O dia que eu fiquei perto do parapeito da janela e você me contou sobre uma menina da sua infância. O dia que você passava vendo TV com seus pais. As lindas histórias de vida da sua avó.

Você foi assunto pra muitas conversas, pretexto pra muito choro, razão de muita dúvida, lembrança de muito sorriso e conteúdo pra muito texto que eu criei e recriei. Você sempre foi inspiração. Quem foi tanto, nunca vai deixar de ser alguma coisa.

Do lado de fora da porta dessa sala, eu não sei como será a vida, não sei o que pode acontecer, não há garantias, nem certezas, mas eu tenho meus palpites, minhas aspirações, meus pedidos. 

Peço que o mundo seja gentil, que a saudade não castigue tanto, que as lembranças causem sorrisos. Que o vazio que o espelho reflete seja só o do imóvel, jamais o de nossa vida.

 Que você continue a habitar minha história, meus pensamentos e pra sempre, meu coração.

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Existo ou vivo?

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Depois de ler na rede a notícia chocante de um suicídio transmitido ao vivo e observar, me peguei pensando se hoje em dias nós ainda vivemos experiências íntimas, aquelas que guardamos pra nós, com alegria ou com tristeza, mas que pertencem a nós e que não necessariamente temos a obrigação ou impulso de tornar públicas.

Não que eu ache que as experiências não devam ser compartilhadas, sem dúvidas elas devem, por isso eu tenho um blog, por isso eu escrevo, por isso vemos TV, por isso acompanhamos os vlogs e etc, mas até que ponto esse nível de exposição digital é saudável e real e por que também não temos nos abraçado mais?

Por que não temos nos sentado em algum banco no final da tarde para contar aos nossos amigos como anda a vida, como foi o dia, mas dizer como foi de verdade e não como queremos que alguém pense que tenha sido. Quando foi a última vez que você foi a praia, deu um mergulho, observou o mar e não levou o telefone?

Quando foi a última vez que você conversou com um estranho sentado ao lado? Quando foi a última vez que você fez silêncio? Quem foi a última pessoa que não se importou em ouvir o que você tinha pra dizer com o olhos? Será que a nossas relações humanas têm sido, de fato, humanas?

Santa

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É como um interior, oculto no coração da cidade.

Um igreja, uma praça, vizinhos nas calçadas a conversar. Pelas ruas as crianças ainda correm e brincam, sem se importar em perder os tampos dos dedos enquanto descem as ladeiras atrás de uma bola.

No meio da rua, uma banda de Gipsy jazz composta por estrangeiros. O atendimento ainda é bom e a vista…Ah, a vista!
Do alto daquelas ladeiras a cidade lá embaixo é só um emaranhado de luzes disformes, e o som de lá se dissipa com as vozes, a música e as risadas na porta de cada bar.

O comum é desigual e o diferente aqui é completamente corriqueiro. Fosse eu Portinari, faria um quadro e retrataria essas ruas como ele fez com Brodowski, mas eu não sei pintar, só sei escrever. Entre uma gargalhada e outra de criança, um carro passa. Eu ouço vários idiomas, como numa Babilônia, sem caos. Só paz. Um carnaval de alegria e fantasias.

O tempo passa lentamente enquanto os cães também passeiam, as mães alimentam e ninam os bebês. Não há curiosos nas janelas, eles se sentam nas ruas, falam enquanto gesticulam com os braços, perguntam sobre seus dias, suas tardes, suas noites e suas vidas. Eles ainda se importam por aqui. Os vizinhos se conhecem, os amigos se reconhecem, as tribos se encontram.

Tudo isso passava diante dos meus olhos e eu observei, sentada na escada, entre um gole d’água e outro de vinho, como quem compara a transformação entre os dois sabores com a mudança da vida la em cima e aqui embaixo.

O jogo ainda não acabou!

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Viver é igual jogar vídeo game, só que de verdade. Tem gente que joga no seu time e vai te ajudar a avançar, pra conquistar o seu objetivo. E tem gente que joga no time adversário. Eles vão tentar te atrapalhar várias vezes. Se você perde, reinicia o jogo e começa tudo outra vez, já sabendo onde ficam os obstáculos mais difíceis e ficando cada vez mais preparado para eles. Não importa quantas vezes você tenha que recomeçar, vai ter sempre muita gente no meio do caminho, se fazendo de viva ou de morta.
Uma hora você em equipe e outra hora sozinho. Pode ser que as etapas mais difíceis sejam as que mais se repitam, para que você aprenda a passar por elas com mais facilidade. Pode ser que as etapas mais fáceis passem muitas vezes sem empolgação. Mas o jogo só termina de verdade, quando você for o campeão. Não importa o tempo, as noites, os dias, as dificuldades… Importam as descobertas, os aprendizados, os amigos, os aliados. Importa aquilo que foi útil pra te fazer mais forte. Carregue as baterias, recue quando for preciso, encontre o seu melhor remédio, mas não desista!

O jogo, com certeza, ainda não acabou.

Feliz dia do amigo

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A gente se fala pouco, mas nunca se fala por falar e eu acho que agora são umas 3h da manhã aqui, eu pensei que poderia falar com você, mas de um jeito diferente.
Sentar e dedicar meu tempo, escrever umas palavras para você, sem me importar se você vai visualizar e responder imediatamente. Eu apenas me lembrei de você e pensei em um modo de dedicar minhas palavras de maneira mais profunda. Parar e pensar.

Sinto saudade das nossas conversas, dos nossos abraços. Sinto saudade de rir de qualquer coisa com você. Algumas horas eu penso que sinto saudade de ser feliz e de não saber mais onde encontrar isso que me deixa bem de verdade.

Tudo vai se perdendo com o tempo e muitas coisas não tem mais volta, mesmo que a gente volte nos mesmos lugares, pras mesmas pessoas, nada mais é igual. A gente não é mais o mesmo. Tudo fica novo de novo o tempo todo e a saudade é a velha de sempre, só a saudade é eternamente a mesma.

A gente só pode sorrir. Rir do que fez, do que falou, do que pensou e de pensar de novo e diferente agora, mas rir… Sinto falta de rir mais com você, relembrando aquele nosso bom e velho tempo. Aquele lá que já foi.

Mas engraçado… Você também me faz ter esperança de que o que há de vir ainda será bom, que nem tudo se perdeu, mas que o essencial ainda está por aí… Está por aqui também.

Muitas coisas ainda virão, assim como muitas já se foram, mas tenho certeza de que algumas serão atemporais. São essas as que no conduzem no tempo, como uma linha que fica a beira de um caminho desconhecido para que a gente não se perca por completo.

Quando eu acho que vou longe demais, eu procuro a minha linha, para não me perder, para não me esquecer de quem eu sou ou fui e para compreender para onde eu devo ou quero ir.

Só queria dizer que esteja onde estiver, eu vou estar por aqui. Nas palavras, nos abraços, sorrisos, memórias e ao teu lado.

Eu te amo meu amigo.

#Obrigada – Jaqueline

O que define uma família?

Quais parâmetros podem medir se alguém é de fato parte tão importante da minha vida?
Genética? Desenho de árvore genealógica? Um exame?
Jaqueline, a Jaque. Fala baixinho, ri alto e abraça forte.
Eu ainda vou contar a história de muitos anjos, mas começo por ela, que sempre me emociona.
Eu não sei se eu enviei um convite, mas sei que ela aceitou fazer parte da minha. Muitas vezes ela não está lá, mas divide comigo e me faz ter fé na vida de novo.
Me faz sentir família, com abraço de mãe, colo de amiga e gargalhada de cúmplice. E eu nunca entendo quando ela tenta me dizer obrigada por algo, pois eu não conseguiria jamais retribuir a tanto. Poderia narrar muitas coisas, mas um dia ao contar de um problema meu para Jaque, ela me olhou nos olhos chorando e me perguntando Porquê? Porquê tanto sofrimento?
E eu chorei, não pelo que eu vivia, mas porque naquele momento ela fez eu sentir que não merecia sofrer, mas que eu merecia ter pessoas na minha vida como ela e quando alguém no mundo aceita dividir com você aquilo que é seu, o seu peso se torna mais leve e mesmo a sua felicidade se torna mais plena.
É não estar sozinho.
Escolha!
É isso que define família. É escolher dividir. Dividir é levar e é trazer. É receber e também oferecer. Partilha.
Jaque, obrigada pela sua escolha, não só comigo, mas pelas escolhas que você faz da sua vida e pelo que elas fazem com você.
Você me faz acreditar em muitas coisas boas.
Você me diz que eu sou jovem, é que eu vivo esquecendo, mas me lembro quando te vejo.
Você me faz ver que quem está certo não precisa falar mais alto e nem por último.
Você me faz ver que nem sempre que gestou um filho é que a mãe.
Me faz entender respeito. Quanto mais se dá mais se tem.
Valor de uma amizade é ter uma amizade que não tem preço.
Muito obrigada Jaque. Obrigada pelo que você é e pelas outras 4 pessoas maravilhosas que você trouxe pra minha vida!
Amo vocês!

#Obrigada – Duda

470729_463658820361379_913014321_oEm algum momento da minha vida eu tive a oportunidade de conhecer a Duda. Ela chamava muita atenção, porque além de ser alta, ter lindos olhos azuis, ela é extremamente simpática. Cativante Eduarda!

Um tempo depois que a conheci, Duda veio morar no Rio de Janeiro. Mal sabia eu que, poucos meses depois, eu também me mudaria pra cá e me tornaria sua vizinha.
Mesmo morando na mesma cidade, poucas vezes tivemos a chance de nos encontrar, além da vida sempre corrida, ela passou a viajar o mundo boa parte do tempo, e tem vindo pouco ao Rio.

Em um de nossos encontros, fui a sua casa, ela tinha saído, mas deixou a chave na portaria para que eu a esperasse, eu meio sem jeito, entrei naquele universo com cores, gatos e frases positivas espalhadas por todo lado. Esse é o mundo da Duda, meio sem chaves, sem gavetas, sem máscaras, com cores, com aromas, com leveza.

Nas nossas conversas eu sempre consegui admira-la mais e mais. Era fácil olhar pra ela na rua e ficar babando, ela é uma linda mulher sim, mas quem faz parte do seu mundo conhece uma pessoa infinitamente mais linda, mais leve. A grandeza vai muito além do que se contato de maneira superficial.

A Duda nem deve saber, mas eu acho lindo o quanto ela parece ser livre num mundo tão preso a coisas pequenas. E como é bonito você olhar pra uma mulher que parece uma boneca, bela, delicada, aparentemente frágil, mas que está ali, sempre batalhando imensamente por todas as coisas, e que escolhe o que acha melhor para sua vida, sem se preocupar tanto com o que os outros vão pensar a respeito, mas que se preocupa com  o quê e quem importa de verdade, que ama a família, os amigos, que se predispõe a estar ao seu lado quando você precisar.

Eu tenho orgulho da Duda, e das muitas Dudas que existem no mundo.
Existem pessoas boas, de coração bom e que merecem e com certeza atraem coisas boas nessa vida.

Dudinha, obrigada por ensinar tanto, mesmo que às vezes por tão pouco. A gente nem sempre é o que a gente pensa, mas o que a gente passa e você passa tanta coisa boa e do que a gente passa a gente deixa e você sempre deixa saudade.

Meu agradecimento pelos sorrisos de Duda, pelas conversas de Duda, pela linda leveza que é ser Duda.

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Obrigada por tudo, nada e qualquer coisa!

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Acho que todo mundo já pensou algum dia “E SE EU MORRESSE HOJE?”
Eu sou uma dessas que vez ou outra fico me perguntando o que eu teria deixado de bom para o mundo, como as pessoas iriam se lembrar de mim? Elas se lembrariam de mim? Quais razões elas teriam pra isso? Eu vou deixar saudades? E principalmente EU AGRADECI AS PESSOAS?
Pensando nisso, eu resolvi começar a deixar pequenos textos, por aqui, pra de certa forma dizer para muitas pessoas como elas contribuíram na minha vida.
Nem sempre foram pessoas próximas, as vezes não foram nem pessoas que eu conheci, foi alguém de quem eu ouvi falar, ou pessoas que deixaram alguma lição que me marcou, alguém com quem eu aprendi, alguém que eu admirei, que me trouxe alegria ou que motivou grandes mudanças.

Eu gostaria apenas de ser grata!
Não haverá ordem de importância, de relevância… Todos são importantes, todos são relevantes, algumas motivações cotidianas, algumas memórias, coisas do tipo me farão pensar que hoje é dia de agradecer a…

Então é isso!
Entre os meus próximos textos estarão presentes os meus agradecimentos.
Quem quiser acompanhar mais, se inscreva no blog e na fan page: https://www.facebook.com/blogleylaguimaraes que eu vou atualizando sempre.

O sorriso de Constança

Faltava dez minutos para as 7 horas da manhã, quando o celular tocou me fazendo pensar se eu estava acordada mesmo ou se ainda sonhava. Era Eduardo que respondia a mensagem enviada dois dias atrás.

Acordei, as 9h já deveria estar em Ipanema. Cansada, após chegar tarde do trabalho na noite anterior, andava pela casa quase me arrastando, tomei um banho, escovei os dentes, peguei a mochila e saí.

Entrei no metrô vazio, escolhi uma cadeira e me sentei. Numa outra estação o metrô ficou cheio e eu avisto uma senhora de pé. A cutuquei e ofereci lugar, ela sentou-se, satisfeita com o meu gesto ofereceu-se para levar minha mochila.
Eu ri e falei que estava muito pesada, ela mesmo assim insistiu. Eu cedi, mesmo ficando com pena dela, pois realmente pesava muito a mochila. Em outra estação o metrô fica vazio novamente deixando vaga a cadeira ao lado da senhora que carregava a mochila.

Se tratava de Constança, ou Maria Constança, uma mineira de Belo Horizonte, que nunca se casou ou teve filhos, que vive no Rio de Janeiro e agora depois dos 80 quer aproveitar a vida depois de ter criado os irmãos, sobrinhos e os pais.
Ela que viajou duas vezes à Brasília para visitar a irmã, dizia que amou conhecer uma cidade planejada, organizada e lamentava por ter esquecido os livros de história que a irmã lhe dera, contando sobre todo o plano da nova capital e sobre todos que ajudaram a construí-la.
Ela que também não sabia em qual parte da Rua São Clemente encontraria o ônibus que a levaria ao Humaitá, onde deixaria um presente para a filha de uma amiga de BH, trazido em sua última viagem.

Entre uma história e outra ela me sorriu dizendo que se sentia feliz por viver e poder ver tantos rostos jovens e bonitos e poder sentir uma energia boa que as pessoas possuíam. As nossas mãos se tocaram em gesto de agradecimento, já chegava a estação de Botafogo onde ela desceria.
Constança levantou-se, se colocou ao meu lado, sorrindo, repetiu meu nome (Leila) vou me lembrar de você nas minhas orações.

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Eu sorri, agradeci e dentro de mim falei: Constança, vou lembrar-me de seu sorriso de menina.

Último ato

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– Oi
– Olá
– Gostaria de conversar com você
– Está conversando!
– Da última vez que nos falamos você não foi muito amistosa
– Pois fale
– Eu soube do seu avô
– É, ele descansou… É a vida!
– Soube também do seu novo trabalho.
– Ah, sim, por enquanto é legal
– Você nunca é feliz por muito tempo em um mesmo lugar. Qual o seu problema?

– Eu não me conformo. Acho que a vida é muito curta para que as coisas sejam sempre da mesma maneira, só isso.
– Eu vejo isso nos seus olhos. Vi desde a primeira vez que te encontrei. Eu queria você, mas eu nunca aprendi a voar. Eu sabia que alguma hora as suas asas iriam se curar e você ia partir novamente.

– As feridas não doem para sempre. De alguma quedas eu vou levar só as cicatrizes, de outras eu levo uma vontade ainda maior de voar e voar mais lato, mais longe!

– Hoje eu vi o sol nascendo, eu me lembrei de você. Você sempre disse que ama ver o sol chegando ou partindo
– É verdade, eu amo mesmo – Você e o sol se parecem muito
– É?
– Os dois vão e vem, mesmo eu não vendo eu sei que estão em algum lugar e vocês tem luz.

– Obrigada, eu acho. É bom ouvir isso de você.

– Você poderia me ouvir mais, mas você me evita.
– Eu não sei te explicar, mas eu sou estranha. Eu prefiro me afastar às vezes.
– Você tem medo!
– Medo? De você? Que piada…

– Não! Você tem medo que alguém te faça feliz, tem medo de sofrer.

– Eu sou feliz!
– Mas não é por completo. Você é esse dilema que quer voar pra sempre, que gosta de liberdade, mas que se sente sozinha e quem tem medo que um outro alguém te prenda ao chão.

– Você não sabe o que está dizendo
– Eu sei sim! E eu adoro esse seu jeito, inclusive essa sua cara de irritada aí.
– Então é por isso que você me atormenta?
– Não! Eu apenas gosto de você, mas quero que você saiba que as outras pessoas não são como eu que não sei voar.
– Você está sendo o que sempre foi, um velho e chato. Você não devia ter vindo aqui.

– Eu sempre ando por aqui, tentando te ver.
– Então quer dizer que além de velho e chato você também é uma maluco psicopata que me persegue pela vizinhança?
– Talvez… Talvez você deva mesmo temer e como essa pode ser a última vez que você me recebe, eu precisava te contar tudo o que eu penso e sinto.

– Já terminou?
– Não seja assim, vai… Você costumava ser bem humorada. Tá de TPM?
– Caramba!!! Isso é uma visita ou uma consulta? Você agora é analista? Vai ficar dizendo o que eu sou, o que devo fazer. Você é meu pai?
– Não. Nada disso. Você sabe que eu quase poderia ser seu pai.

– Você não é tão velho assim! – Mas não sou mais um garoto. E você é jovem, linda, inteligente…
– Me desculpe, mas agora você tem que ir, tenho muitas coisas pra fazer.
– Você sempre tem mil coisas pra fazer
– Sim, sempre!
– Eu queria ser alguma coisa pra você.
– Esse seu jeito me sufoca. Eu não suporto isso, tem um limite entre querer ser desejada e um não querer. EU NÃO TE QUERO MAIS. É isso!
– Tudo bem, eu acredito, mas olha…
– Que foi?
– Eu vou sempre te querer bem
– Eu nunca disse que não te quero bem.
– Que bom! Pense nas coisas que te falei. Você merece ser feliz.

– Só eu sei os caminhos que me trouxeram até onde estou hoje. Eu sei o que eu vivi para ser quem eu sou e para agir dessa forma  e eu já te disse… EU SOU FELIZ.

– Que bom então. Bem… Foi bom ver você. Posso te pedir só mais uma coisa?

– O que mais você quer?
– Um abraço – Você sabe o que eu penso sobre abraços…

– Sim, eu sei. Por isso estou te pedindo um. O último, prometo.

(Abraçaram-se)
(Minutos em silêncio)

E a porta se fechou… Com lágrimas nos olhos dos dois lados.

Fermentando

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Não nasci pra viver as coisas tão mais comuns
Pra ter uma vida pacata e normal
Ainda que eu não escolha, sou mais uma icógnita do que a inércia

A necessidade de estabilidade não sobrevive perto da minha curiosidade pelo novo
A certeza única é a de que nada é tão certo assim
As coisas mais duráveis acabam em minutos

As coisas que se prolongam demais acabam esquecidas pela monotonia em que elas mesmas se afogam
O apego é uma bomba relógio para saúde de quem vive
A vida é trânsito, fluxo, trocas
Idas, vindas, passagens, rumos que mudam sem parar

A coisa mais sensata a se fazer na vida é viver
E deixar que o tempo continue a agir da sua maneira e dar a cada um seu sabor

Luz do sol

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No sábado choveu e eu não pude aproveitar a luz do sol e nem caminhar na rua. Foi um dia cinza e feio. Depois de todo dia chega a noite e nenhuma noite é iluminada e disso eu sempre soube.

Toda noite é escura! É a natureza.

Sendo a noite negra, todo sorriso que nela brilha é razão de beleza, e naquele sábado cinza e chuvoso, a noite foi difícil e bonita, como se me devolvessem no meio da madrugada o raio de sol que me roubaram de dia e em meio a tanta sombra eu vi luz.

OBRIGADA!

Minha primeira palavra do amanhecer seguinte, um obrigada ilustrado com foto de sorrisos e um obrigada de quem viu o sol da madrugada de sábado se estender pelos dias que seguiram.

Você que devolveu meu sol não foi embora para sempre, estará sempre por perto, mesmo que na memória ou na eterna gratidão de nossos corações.

Leve sempre com você o calor desses dias tão ensolarados e um pedaço, ainda que pequeno, do imenso bem que fez. Ilustre na sua memória sempre com um sorriso a lembrança de noites escuras que podem se transformar em dias de luz plena!

A vida é um caminho muitas vezes sem voltas, sem retornos, caminhamos e seguimos em frente, mas nossas trajetórias deixam lembranças, levam e trazem coisas, pessoas, aprendizados e lições, muitas lições. Aprendemos com cada uma delas como prosseguir.

Que por mais tortuosos que sejam os caminhos… Que haja luz… Que haja sol…

PS: escrito em novembro/2013 e reescrito agora!

Tributo ao sorriso

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Estou descobrindo que aprendi a dizer adeus com um sorriso, ainda que com um pouco de pesar, mas não com sofrimento. Aprendo sempre mais que tudo e todos uma hora se vão e que assim foi e sempre será.

A vida é construção e cada um que se aproxima é responsável por algo que me edifica. Algumas pessoas sempre serão nossa base maciça, mas todas elas, sem exceção, todas são responsáveis pelo meu crescimento e com nenhuma delas eu vou ter uma experiência ruim, simplesmente com algumas delas eu terei um aprendizado mais marcante.

Todos os remédios do mundo precisam da mesma coisa para fazer efeito, a composição da fórmula tem sempre o mesmo ingrediente, o tempo. Seja ele curto ou longo, mas sempre o tempo vai resolver. Resolver a dor, o amor, a saudade, a distância, a raiva, a falta de compreensão… Só o tempo! Ele vai transformar as coisas e as pessoas e vai fazer elas entenderem em algum momento o que eu entendo agora.

Só o tempo… Pra me fazer entender que pra algumas coisas não podemos perdê-lo. Não poupar elogios, dizer sempre eu te amo, distribuir abraços, sorrir e fundamentalmente PERDOAR.

Nossos cronômetros desajustados que não funcionam em um compasso só, a medida que uns caminham para frente, outros precisam dar passos para trás.

Pra alguns diremos “- Não se vá agora pois ainda é cedo”, ao passo que para outros agora já era tarde demais. Mas o tempo leva, cada qual no seu momento.

Sou feliz por saber o que realmente é essencial e que grande parte dessas coisas não ocupam se quer espaço em nenhum lugar que não seja o meu próprio coração.

Não é necessário fazer as malas, viver já é carregar uma grande bagagem.

( Com carinho, a memória de vovô Cid e Fred, seus sorrisos me ensinaram muito sem dizer absolutamente nada)

Os meus amigos…

Os meus amigos...

O que realmente são os amigos? São aqueles que estão sempre ao seu lado? São os que se interessam pelo que você tem a dizer? São as pessoas que sempre tem palavras para te confortar? São os que choram e dão gargalhadas com você? O que são eles afinal? Como aparecem? Como nós os conhecemos? Quanto tempo é necessário para chamá-los de amigos?
Não sei dizer dos seus, mas posso descrever os meus. Meus amigos não são aqueles que vejo e falo todos os dias, ultimamente tenho passado até meses sem notícias. Alguns moram em outros estados, outros até em outros países… Nós não nos falamos com frequência, mas sei que nós não nos esquecemos uns dos outros. Acredito que os amigos são tudo o que já citei acima e ainda podem ser muito mais. Os amigos de verdade tem conosco algum tipo de ligação sobrenatural, não sei bem como, mas nós somos capazes de sentir que mesmo com toda a distância que possa existir, quando você pensa em um amigo, ele também pensa em você.
Mesmo as pessoas que não estão aqui agora, mas que já estiveram e deixaram muitas coisas boas de lembrança, coisas marcantes e são essas pessoas que você tem o prazer de reencontrar, de abraçar, de conversar, seja em que tempo for e independente do tempo que tenha passado…
Amigos são mais que a presença e as palavras agora, eles são as memórias que nos deixaram… As memórias que tempo nenhum apaga, essas que ficam dentro da cabeça e do coração, porque os amigos são amigos até quando eles deixam de respirar…
Obrigada aos meus verdadeiros amigos, os que foram um dia, hoje ainda são e para sempre serão! Eu amo vocês, sejam iguais, diferentes, próximos, distantes, errados, certos, cheios de defeitos e de qualidades… Amo vocês assim… Do jeito que vocês são… Sendo assim… Amigos…