Eu não encontro mais você

Como é que faz tanto tempo e ainda dói como se tivesse sido ontem?

Eu acordei repetindo isso pra mim depois de sonhar com algo que lembrou você e perceber as lágrimas inundando meu rosto.

Como eu posso passar tanto tempo sem lembrar e ainda assim me deparar com um vazio e com essa ausência que me dói?

Pior ainda é me dar conta que ela vai doer pra sempre em todas as vezes que eu esquecer e lembrar.

É sempre estranho descobrir que você não está mais aqui. Eu volto pra nossa casa, volto pro nosso parque, volto pro estádio de futebol, mas eu nunca volto no tempo e nada me traz você outra vez, mesmo você estando em tudo isso.

Foi estranho acordar e perceber que você era tanto sorriso e um dia veio morar no meu choro.

Ainda que eu me lembre do seu abraço, e eu me lembro muito dele, eu retorno à ausência que ele deixou, na falta que ele me faz. Eu volto pra dizer pra mim que eu nunca mais vou encontrar você.

Eu não te encontro nem nos meus sonhos. Eu tento, mas não te encontro mais. São apenas sinônimos, avisos, talvez até lembretes, mas nada mais é ou será você.

Parece que foi ontem quando essa dor chega pra sufocar meu peito, mas só parece

Sou só eu e essa dor, essa saudade e esse vazio, que sem procurar, eu vez ou outra encontro.

Você já não é mais, porque eu não sei se alguém é o que já foi sem nada mais poder ser.

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E se “sempre” fosse só “agora”?

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Eu não quero pensar em pra sempre, porque o sempre é uma escolha também.
Mas eu queria que por um tempo, a gente se gostasse de um tamanho maior que os nossos medos, vaidades, egoísmos e nos esforçacessemos pra juntos sermos um pouco mais felizes, no tamanho de um sempre limitado.
Que a gente fosse capaz de sentir o mesmo amor que a gente sente pelas pessoas boas da rua, de maneira mais próxima em nós dois. Que a gente se descobrisse em águas mais profundas.
Que a gente parasse de correr na direção dos abismos que nós criamos para nos julgar salvos de tudo que incomoda o que nos acomodou.
Que fosse a gente o endereço do abrigo em que o outro encontra refúgio. Nos fízessemos de casa para que quando o outro decidisse vir morar, encontrasse a porta aberta e aos poucos trouxesse sua mobília e começasse decorar.
Eu iria explorar as palavras do vocabulário para soletrar o seu sorriso.
Eu me lembraria de parar pra olhar uma flor e enxergar nela a beleza que é existir.
Eu ia querer sentir o calor da luz do sol nos seus abraços.
Eu enxergaria o brilho da luz das estrelas no seu olhar dentro do meu.
E tudo isso eu nem espero que seja um sempre, mas que enquanto o sempre for agora, que você deixasse acontecer.

As histórias que escrevemos

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Eu estava aqui pensando sozinha essa hora da noite, sentada com os pés sobre o banco, olhando para os móveis da sala, analisando aquilo que estou cansada de enxergar e conhecer. E é dentro dessa mesmice que eu me encontro com você.

Hoje eu te reconheci no cheiro de um incenso, foi estranho e lindo. Eu pensei um outro “talvez“, um “e se‘, até me convenci de um “nunca vai ser“.

Depois eu parei pra escrever. tentando não esquecer, que as tantas histórias que escrevemos, entre tantas novidades, podem desaparecer. E eu penso nos textos que eu vomito pro mundo, tornando um pensamento livre em um prisioneiro das minhas palavras e eu te prendo aqui de novo, numa história escrita nova. E na escravidão da minha lembrança, eu me liberto na minha palavra. Aquela que raramente eu releio ou revivo, mas que de algum modo eu sei da existência, afinal, nasceu de mim, já foi um pedaço meu.

Cada vez que você renasce nos meus pensamentos, eu te vivo, te sorrio, eu te perco, você morre e eu volto a te enterrar com pontos finais.
Cada vez eu te deixo a lembrança que das histórias que a gente imagina na vida, nenhuma surpreende mais do que a vida que a gente segue escrevendo com histórias.

Sobre escolhas e crenças

Saí de casa hoje de manhã, alguns passos até a esquina e no encontro das ruas ventava muito.Percebi que de todas as árvores caíam folhas e flores. Com uma velocidade muito grande o vento as arrastava pra longe, cada vez mais longe.

Observava o movimento que faziam no chão, indo embora de perto das árvores de origem. Amanhã elas já não serão mais folhas, nem flores. Elas se soltam, se desprendem, se vão. E o vento vai levando daqui, trazendo dali.
Algumas ruas à frente e ainda o vento, o mesmo vento, que soprava muito forte, quase me empurrava, fazendo com que eu me sentisse contra. Mas eu precisava seguir aquela direção, mesmo que o vento tentasse me dizer o contrário. Eu resisti. Resisti à força do vento, eu fui contra, mas segui o meu caminho. 
No cruzamento do sinal mais a frente, parei. O sinal estava fechado. O vento ainda ventava, eu segurava o meu vestido. Um moço parado ao meu lado. Seu trabalho? Varrer a rua. Ele olhou para um lado, olhou para o outro, me pediu licença e continuou a varrer. Parecia que quanto mais ele tentava juntar todas as folhas e flores, mais o vento as espalhava, mas ele também não parou, ele fez o que tinha que fazer. Muita gente poderia pensar que ele perdia tempo, e que eu andava contra o vento, mas eu, ele, as folhas e as flores… nós fizemos o que nós tínhamos que fazer.
Eu cheguei ao outro lado da rua, peguei o metrô e sentada nesse banco eu escrevo esse caminho. O moço seguiu varrendo a rua. As flores e as folhas conheceram as ruas longe das árvores, onde presas, elas jamais iriam. Amanhã elas serão folhas secas ou não serão mais nada. E quem vai dizer o que era certo ou natural?
Cada um de nós no seu caminho, na sua direção, cada um em seu destino. Nossas escolhas, nossa força, nosso desejo de resistir, de insistir ou simplesmente de nos entregar ao vento.

SER.ei.de.SER

Amar foi igual capotar um carro em alta velocidade. Perder o controle, acelerar sem ter certeza do que fazia, Tomando consciência do perigo, e ainda assim, chegando mais perto da beira do precipício, repetindo para mim mesma que conseguiria, mas é aí que vem a queda, e eu caí de cabeça, tudo gira. O corpo dói, se contorce, uma dor física, real, empírica. 
Aos poucos tomei fôlego para tentar ficar de pé novamente, fui tentando andar e surge uma mão estendida, acreditei , levantei pra caminhar. Eu era a alegria de quem tem uma nova chance. A mão que se estendeu, me arremessou de volta pra quele buraco, só que dessa vez mais escuro, e no escuro tudo fica maior, a profundidade, a dor, o medo, mas eu caí.
Eu caí em pedaços.
E eu estou aqui, vou catar cada pedaço que sobrou de mim, Vou me compor.

Eu vou compor de novo, me REcompor, me reescrever e criar uma nova versão de mim. Eu vou ser um novo eu. E nesse novo eu que vou ser nem tudo será como antes. Nem tudo vai, SER. Nem tudo que um dia eu fui, eu voltarei a SER. 
Eu hei de ser, um novo eu.

Eu vou andar até que eu me encontre nas muitas que so(bro)u (d)eu.

A melhor versão do felizes para sempre!

 

Os contos de fadas contam o início de histórias românticas, não narram os meios e os fins, mas descrevem a vida como um felizes para sempre.

O desenrolar desse -sempre- deixa margens pra interpretações. A vida é movimento contínuo, estamos nos transformado o tempo todo, como indivíduo, sociedade, cultura etc. Já dizia Cazuza que o tempo não para.
A versão dos contos de fadas nos faz acreditar que as nossas relações que não necessariamente durem “pra sempre” foram fracassadas, que não nos estabelecemos como pessoas felizes, que não fomos capazes de fazer da vida a história de um conto eterno, assim sendo optamos por riscar as pessoas da nossa história, rasgar páginas, queimar fotos, matar o carinho, ligar o desrespeito, acionando a indiferença.
E para onde foram todas as páginas escritas? Quando acaba a química não sobrevive a história, a biologia, a geografia? Somos capazes de sacrificar tudo isso e agir como se a vida e as pessoas fossem descartáveis?  
Quando um casal se separa não pode haver carinho, respeito e amizade? Não seria essa a melhor maneira de viver feliz para sempre? 

Quando alguém mantém uma relação saudável não é sinal de um amor mal resolvido, mas sim de um amor do qual você se lembra com carinho, com respeito. É a gratidão a alguém que te ajudou a crescer e amadurecer como ser humano, alguém que caminhou ao seu lado por boa parte do caminho, que te acrescentou coisas boas, que te ensinou com as coisas ruins, que te fez refletir de alguma maneira sobre os seus erros passados, te levando a agir melhor no futuro. 
Alguém que não pode se tornar simplesmente em ninguém. Até pode ser uma página virada, mas não uma inexistente. Somos também o fruto das nossas experiências, das pessoas que cruzaram nossos caminhos. Nós somos soma. Até mesmo do que nos foi subtraído, adiciona-se uma experiência.
Caminhamos para frente, cientes de que atrás de nós existirá um caminho trilhado. O que fica pra sempre tem que ser bom, pra que carregar infelicidade se a alegria nos torna pessoas mais leves? Nós ainda podemos nos abraçar, nos desculpar, olhar nos olhos e agradecer, pois estivemos um ao lado do outro e com isso aprendemos mutuamente. Nossa presença e nossa ausência nos ensinaram. Ainda podemos estar ligados pelos nossos amigos, pela família, pelas boas risadas que um dia demos, pelas histórias em comum que escrevemos, pelos bordões que usamos e que ouvimos por aí. Nós ainda somos um pouco de algo em alguém, muita gente é um pouco do que somos agora. Outros “alguéns” virão, talvez irão, mas ainda assim, serão para sempre.
Amizade é entender e amar com os defeitos, enfrentar as brigas, as diferenças, mas ainda optar por estar lá quando o amigo precisar de nós. Amigo não desiste, te faz rir, é chato, lembra de você quando passa por aquele lugar onde fizeram aquelas coisas divertidas, perigosas ou banais. O amigo se ocupa em cuidar da sua própria vida, mas sempre que pode te manda uma mensagem só pra perguntar se está tudo bem ou te contar uma novidade. 
Amizade é pra sempre, é feliz. É a melhor versão de ser feliz para sempre.

Quando você foi

Fiquei parada de frente pro nada dessa sala, olhei para o teto, para as paredes, e para a janela de frente para a rua. Essas parede nuas guardaram tantas histórias, tantas coisas nossas, tanto riso, choro, barulho, conversas… Já vivemos tantas coisas aqui.

Todos os quadros das capas dos discos do Pink Floyd, fotos dos Beatles e os bonecos do Star Wars. O abajur que podia ter qualquer cor, mas que na maior parte do tempo tinha uma cor só.

Lembro de quando chegou o sofá novo e você cheio de cuidados para eu não fazer nenhuma besteira. Lembro do jogo que você me mostrou, aquele de atirar bolinhas pretas na tela toda branca, eu não faço ideia do nome, mas eu me lembro. E de quando comprei utensílios pra sua cozinha no dia das crianças, o meu primeiro episódio de Breaking Bad, o documentário sobre o acelerador de partículas, com você cochilando, e até o dia que eu fiz sopa de lentilhas pra uma semana. 

Eu já cheguei de dia, de tarde, de madrugada, já saí cedo, já te acordei pra fechar a porta que não se fechava sozinha e já fomos de metrô. Já passamos final de semana vendo TV, enrolados num cobertor e já aproveitamos um dia ensolarado de verão na praia.

Eu tenho tantas recordações suas, coisas que você nem se lembra mais. Você estudou teatro, produção musical, encarou rotina de ponte aérea, perdeu uma, duas, três ou quatro carteiras e dois passaportes, e eu liguei pro posto de gasolina pedindo informações. A tulipa que você trouxe da Holanda, brotou, mas depois secou, eu nunca soube como ela sobreviveu tanto naquela lata. Todos os hiatos, todos os fins de hiatos. Todas as frases que viraram bordões e Todas as músicas que já ouvimos juntos, e que por dias foram meu mantra para me encontrar em algum lugar onde eu estivesse sintonizada a você.

Todos os objetos esquecidos e devolvidos, os desaparecidos e os sequestrados. Todas as nossas conversas, os áudios, as conferências e toques na porta.

 O dia que eu fiquei perto do parapeito da janela e você me contou sobre uma menina da sua infância. O dia que você passava vendo TV com seus pais. As lindas histórias de vida da sua avó.

Você foi assunto pra muitas conversas, pretexto pra muito choro, razão de muita dúvida, lembrança de muito sorriso e conteúdo pra muito texto que eu criei e recriei. Você sempre foi inspiração. Quem foi tanto, nunca vai deixar de ser alguma coisa.

Do lado de fora da porta dessa sala, eu não sei como será a vida, não sei o que pode acontecer, não há garantias, nem certezas, mas eu tenho meus palpites, minhas aspirações, meus pedidos. 

Peço que o mundo seja gentil, que a saudade não castigue tanto, que as lembranças causem sorrisos. Que o vazio que o espelho reflete seja só o do imóvel, jamais o de nossa vida.

 Que você continue a habitar minha história, meus pensamentos e pra sempre, meu coração.

O que você tem?

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Tem alguma coisa nos seus olhos que diz que eu estou seguro. Algum selo de ok pra aproximação.

Tem algo na sua pele que me chama, me quer, me puxa.
Tem a necessidade desesperadora que eu tenho, de sentir o seu cheiro, de tê-lo em mim, em minhas mãos e em meu corpo, a todo momento.
Tem a catarse que eu tenho toda vez que eu observo você distraída, quando olho as suas costas, o desenho do seu corpo, o contorno do seu rosto, o toque da sua boca. É como se você fosse uma miragem.

Tem o desejo imediato da minha boca de percorrer cada centímetro, cada linha, cada curva que você tem.

São os meus braços que se negam a deixar de te envolver, de te sentir de costas pra mim, perfeitamente encaixada, como se não houvesse nenhum outro lugar do mundo que você pudesse estar por todo o tempo.

É o timbre da sua voz mansa, debochada e perdidamente sensual que sussurra nos meus ouvidos.
É o gosto que você tem, isso que só tem em você, esse transe, essa maldição, esse feitiço, esse seu poder.

São todas as vezes que eu digo pra mim que não, mas me “desdigo” só por lembrar de você.

É tudo isso e alguma coisa mais, que não se pode com palavra alguma descrever, mas que eu sinto, desde que descobri você.

Deixa eu te querer

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Deixa eu te descobrir como eu descubro as palavras sobre esse papel branco
Deixa eu desnudar suas certezas e te vestir com as minhas expectativas
Eu quero seus defeitos novos e suas velhas alegrias
Quero meus dedos passeando nos seus cabelos
Quero você me sentindo por inteiro

Deixa eu te arrancar as razões e te afogar no meu infinito incerto
Vem tirar de mim essas frases presas, essas que eu nunca disse a ninguém
Vem sorrir comigo por coisas que você sempre viu e nunca reparou
Vem com esse seu jeito de menino, entra na minha história e muda meu roteiro

Eu quero ser o desapego que vai dormir no seu peito um sono sereno de quem fez ninho
Vem ser esse oposto que completa o meu gosto naquilo que eu nunca experimentei

Vem e diz que não se importa
Brinda comigo e me olha nos olhos
Invoca o meu nome, sentindo o meu cheiro, tão perto que você não consiga diferenciar onde começamos ou terminamos

Deixa meu carinho te envolver
Deixa os meus dedos te escrever
Deixa minha inspiração expirar cada tanto de você.

Um, dois e mais alguns

Uma quarta-feira à noite e poucos planos
um modo de te encontrar em algum lugar
se arruma que estou chegando.

Dois instantes pra fechar a janela
outro para pegar o elevador
um aceno que para um táxi.

Três curvas à direita e outra à esquerda
algumas luzes apagadas no túnel
mais alguns passos pra tocar o interfone.

Quatro e meia da manhã
preciso voltar antes do sol sair
fica, você disse.

Cinco segundos e parei de pensar
um sorriso e um afago em seu rosto
levanto e saio andando.

Seis botões pra fechar a roupa, a bolsa e o sapato
dois sorrisos pra selar uma despedida
saio pelo corredor.

Dia do Trabalhador

Hoje é dia do trabalhador.

Vivemos uma crise econômica-social-cultural no nosso país, milhões se encontram desempregados, mas na minha opinião, desemprego não caracteriza ausência de trabalhador.

Trabalhar é se mover pra fazer algo acontecer. Trabalhe pela causa que acredita, trabalhe pelas suas verdades, trabalhe pelos seus sonhos. Trabalho é construir. Viver é um trabalho e fazer da vida uma jornada de sucesso, dá trabalho.

Não é emprego, é trabalho! Lida, peleja, produção, criação, determinação para concluir. Nascemos trabalhando, nos fazemos trabalhadores e trabalhamos por tudo aquilo que queremos.

Feliz dia, a nós, os trabalhadores. Aqueles que não param nunca de buscar o que quer que seja.

#diadotrabalhador #diadotrabalho

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O tal dos 27

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24/04, ⏱00:10h, eu nasci há 27 anos atrás. E como não disse Raul, têm coisas demais nesse mundo das quais eu não faço a mínima ideia.

Voltemos a madrugada do dia 24 de abril de 90, pois é, tava minha mãe lá, parindo, na madrugada! Já cheguei fazendo bagunça. Minha mãe dormiu no parto e quando acordou e me viu, perguntou de quem eu era filha, o médico disse que era dela, ela me levou pra casa e criou, pelo menos é assim que ela narra a história para todo mundo. Te amo, mãe!

Estou super animada, completo mais uma volta em torno do sol, o mesmo sol que ilumina minha bundinha nessa foto, eu sei, eu nunca posto foto de biquíni, na verdade, raramente tiro uma foto que contemple meus 1,56m de altura e meus mais de 60kg. Olha só, várias revelações! Sem medo de ser feliz sendo exatamente quem eu sou.

27 anos! Janis, Amy, Kurt, Hendrix, Morrinson… Eles não viveram mais que isso, deixaram seu legado, eu diria eterno, mas não viveram mais que 27 anos… 🤘🏻☠️
Eu pretendo viver, viver bem e cada vez mais grata, realizada, determinada, forte e feliz por ser quem eu sou. 
Grata por esses 27 anos iluminados, pelas pessoas às quais eu devo muito, devo tudo, devo minha história, pessoas que me fizeram e me fazem ser quem eu sou.

Grata pela minha Lis, que é luz, alegria, vida da minha vida e a razão de um novo eu, que nasceu junto com ela, e eu não dormi depois do parto, me lembro de cada fração de segundo que esperei pra poder pega-la nos meus braços e de como cantei parabéns pra ela no centro cirúrgico, e de como, ao ouvir minha voz, o chorinho dela desapareceu.

Grata pela minha mãe, meus irmãos, minhas famílias maravilhosas (a de sangue e a de coração), meus amigos, meus colegas de trabalho, o porteiro do meu prédio, o senhor da padaria, as senhoras e senhores que batem papo comigo no metrô, a gerente do banco, a mãe da escola, os amigos da internet, os leitores desse blog e cada pessoas que cruza meu caminho e me acrescenta um pouquinho mais de vida.

Grata pelos meus valores, aqueles pelos quais eu luto todo dia, consciente ou não, mas são eles que me dão a alegria de deitar e dormir em paz com minha cabeça e meu coração. Que mesmo enfrentando as dificuldades, que fazem parte da minha, da sua e da vida de todas as pessoas, eu e você, nunca deixemos de acreditar. Ser honesto, ter bom carácter, respeitar as pessoas, as nossas diferenças, nossas semelhanças e acima de tudo nos amar, nos amar muito, porque nós somos mais quando somos todos parte de um todo.

🎉 Vamos evoluir! Vamos aprender! Vamos perdoar! Vamos sorrir, dançar, comemorar.
E botar a bundinha no sol… 🌞

Sintam-se, neste momento, abraçados por mim.
Gratidão.

2 segundos e muito nada

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00:44, acaba de acontecer uma queda geral da eletricidade.
O motivo, desconheço.
Durou uns 5 segundos em média, eu assistia a TV, em um flash, tudo ficou escuro, exatamente no fim do capítulo da série.
O primeiro milésimo de segundo achei que era só a TV, só a virada do capítulo da série, no milésimo de segundo seguinte percebi um breu mais profundo. Logo em seguida que, do lado de fora da janela sempre iluminada, tudo estava escuro.
Aí no outro milésimo um grito mental de “minha nossa, a bateria do celular tá quase acabando, será que vai demorar?”.

Aí nos dois segundos seguintes eu só aproveitei o nada!
E foi muito nada, em dois segundos.

Mas aí voltou.
Deu pra sentir as luzes se ascendendo na rua. O gerador do elevador fez barulho, todos os alarmes dispararam, minha geladeira apitou todos os botões do painel, a internet religou, a luz da janela sempre clara, acendeu de novo, e a TV clareou a sala. Os carros voltaram a acelerar.

Por dois segundos era um nada imenso.
No segundo seguinte eram 1000 sons vezes 1000..

E aí eu peguei o telefone, e aí eu tava aqui escrevendo… Eu ia concluir, mas a bateria vai acabar.

Mas eu vou lembrar dos dois segundos.
Foi tudo isso por causa daquele nada e porque nada às vezes é nada, às vezes é muito e às vezes é tudo!

Só me diz

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Me diz
Que fogo é esse que arde nos teus olhos?
De onde vem essa chama que incendeia onde você mira?

Que sol é esse que ilumina só você no centro do universo?
Universo que eu, reles mortal, circundo sem saber o motivo

Como quebrar o feitiço que você exala?
E como vive quem ainda não te visitou?

Onde enterraram a chave do baú que esconde o seu segredo?
Quantos milhões de anos luz moram nas galáxias atrás desses olhos?

Quantas flores se envergonham por não ter o cheiro dos seus cabelos?
Quantas pétalas já secaram por não se igualar a suavidade do seu toque?

Quantos sabores tem o gosto do seu gosto?
E como ingressa nessa aventura que é te viver?

Me diz…
Só me diz.

Não pertence

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A gente vai continuar pagando pela garantia estendida de coisas que não estão garantidas.
A gente espera pela eternidade daquilo tudo que não vai ficar pra sempre.
A gente perde tempo lembrando daquilo que tinha que ser esquecido logo.
A gente se perde, pensando que pode, pensando em posse.

A verdade é que, nada impede o que a ninguém pertence e que é de todo mundo. Tá em tantos que tá em tudo.

O que tem que vir, vem, até quando de vai!

Fui.

Uma carta que você não vai ler

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Tem um pouco do seu olhar morando no brilho dos olhos de alguém que você nunca conheceu.
Tem um pouco do toque suave das suas mãos no abraço de algum amigo.
Tem o jeito do seu sorriso no meu sorriso pro espelho.

Há dias em que tenho a ilusão, outros não.
Há dias que você está vivo, mas há outros em que lembro que você morreu faz tempo.
Há dias que eu não penso.

Existe alguma música que só consigo escutar com você, de ouvidos bem atentos e olhos bem fechados. Eu quase consigo sentir o toque da sua mão gordinha, como quando eu tinha um medo e você me apoiava.
Tem muito de você em mim, coisas que eu não tive tempo de conhecer, mas eu ouvi dizer que são heranças suas.

Nós já não mais podemos nos falar, mas eu sei que de algum modo a gente se comunica. São meus pensamentos, minhas memórias e as projeções de coisas que nunca irão se tornar reais. Já pensei em coisas que poderíamos fazer hoje, como um almoço durante a semana, uma viagem de férias, uma passeio em qualquer lugar, um abraço.

Eu penso se seríamos bons amigos, eu acredito que sim. Penso que iria te visitar ou cuidar de você quando estivesse doente, nós comemoraríamos o seu aniversário no dia das crianças. Eu penso que seríamos grandes parceiros.

Hoje eu não posso ter nenhuma dessas certezas. Eu guardo os meus pensamentos algumas vezes ou, como hoje, eu escrevo. Quando eu leio em voz alta, parece que você poderia me ouvir. Da minha maneira eu te conto o que eu penso e como eu me sinto. Eu queria que você tivesse me contado o que você pensava e principalmente o que você sentia, poderia ter contato para qualquer outra pessoa.

Talvez, se você tivesse falado, hoje eu não iria dizer que já faz 15 anos que você se foi. 

Eu torço para que ninguém  mais cale os sentimentos, para não calar a vida antes do tempo. Que se possa viver e conviver com  todo e tudo o que ainda vem. Que se entenda que mesmo com a dor, a vida ainda pode ter uma razão de ser. Que não se pense em viver apenas nas poucas memórias e muitas projeções da cabeça de quem ficou, mas escolher viver para fazer acontecer, mesmo que seja um curto almoço num dia qualquer da semana.

Essa era uma carta, uma postagem, uma mensagem… Algo que você não vai ler, mas que alguém vai, alguém que ainda está por aqui, como há 15 anos você esteve. Essa é uma carta pra dizer que eu tenho aqui os meus ouvidos para ouvir, os meus braços para abraçar, meu colo para alguém que se sente como você se sentiu possa usar.

Essa é uma carta pra dizer que eu não quero ver ninguém desistindo. 

Eu ia postar no dia 26, mas quando se trata de viver, todo tempo é precioso.

Existo ou vivo?

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Depois de ler na rede a notícia chocante de um suicídio transmitido ao vivo e observar, me peguei pensando se hoje em dias nós ainda vivemos experiências íntimas, aquelas que guardamos pra nós, com alegria ou com tristeza, mas que pertencem a nós e que não necessariamente temos a obrigação ou impulso de tornar públicas.

Não que eu ache que as experiências não devam ser compartilhadas, sem dúvidas elas devem, por isso eu tenho um blog, por isso eu escrevo, por isso vemos TV, por isso acompanhamos os vlogs e etc, mas até que ponto esse nível de exposição digital é saudável e real e por que também não temos nos abraçado mais?

Por que não temos nos sentado em algum banco no final da tarde para contar aos nossos amigos como anda a vida, como foi o dia, mas dizer como foi de verdade e não como queremos que alguém pense que tenha sido. Quando foi a última vez que você foi a praia, deu um mergulho, observou o mar e não levou o telefone?

Quando foi a última vez que você conversou com um estranho sentado ao lado? Quando foi a última vez que você fez silêncio? Quem foi a última pessoa que não se importou em ouvir o que você tinha pra dizer com o olhos? Será que a nossas relações humanas têm sido, de fato, humanas?

Sensibilidade

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Tente descobrir a grandiosidade de experimentar uma coisa com a intensidade de todos os seus sentidos. São sabores, sons, aromas, sincronias e complexidades quase indescritíveis. Cores inenarráveis, divinas.

Um alto e apurado grau de consciência em apenas ser e existir, de corpo, mente e alma.

Uma prolongação das notas das músicas, os detalhes dos acordes, um a um, na vibração que o som produz. É plenitude.

Um mágico e presente cheiro. Que brinca com as suas memórias e com seu consciente e inconsciente.

O sabor lento que atenta todas as suas papilas e as faz dançar.
Um toque, que ativa todos os receptores da pele, como se o tato fosse suficiente para despertar todos os outros sentidos humanos.

Um olhar direto e penetrante que dura até que os olhos se fechem, dura até que se olhem de dentro para fora. A partir de tudo o que habito.

Uma inspiração por vez. Expiro e me inspiro de que é nato e inato. Me inspiro de tudo que sinto. Expiro tudo o que sou.

O horizonte que mora em mim

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Um homem qualquer parou para acender um cigarro no momento em que o sol rasgava o ventre do céu, como um menino que quer ser parido. Do meu lado ele era só mais um simpático espectador deslumbrado.

Enquanto todos miravam o horizonte, as lentes dos óculos escuros e o fundo de cada olho refletia o brilho estonteante do astro rei em seu arrebol. De repente me dei conta de que eu estava lá e que poderia estar quantas vezes mais desejasse. Descobrindo vez por vez o porquê brilham os olhos. Brilham os novos e brilham os mesmos.

Quais os motivos moram no sol? Quantas razões encontradas no horizonte? Qual foi a descoberta?

Foi mirando o horizonte que aprendi a olhar além, além de tudo, até chegar onde só poderia me encontrar comigo mesma. Tão longe eu fui que cheguei dentro de mim, quando olhei de novo para o mesmo lugar, com outro ponto de vista.
Pensei sobre o que até agora aquilo me dizia, olhei de novo e esperei ver algo diferente, e olhei, até que vi. Até agora me pergunto se era lá mesmo onde tudo que eu olhava me surpreendia, ou se é olhando em mim me surpreendo ainda com o que eu não conhecia.

Eu vou amar o mundo toda vez que olhar o bastante para conseguir enxergar além, muito além do superficial. Até conseguir encontrar o meu novo e melhor, sempre melhor, jeito de enxergar.
Vou mudar tudo no mundo, quando eu mudar sempre em mim.