Dia 17

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Não tenho foto boa de nós juntos e nessa faltou a Laura, estagiária.
Não tivemos tempo pra sentir tédio na quarentena, já são 17 dias em casa que estamos trabalhado exaustivamente sem se quer aquela ida na cozinha pra tomar um café e falar besteira juntos.

A gente se fala da hora que acorda até a hora que vai dormir. Às vezes rimos juntos pelos áudios do whatsapp ou nas nossas videoconferências e geralmente é fazendo piadas de nós mesmos e da loucura que estamos passando.

Está sendo uma corrida contra o tempo pra pensar, elaborar e fazer uma comunicação acontecer de maneira construtiva para nós e para todas as pessoas com quem queremos falar. Muitas vezes tem sido mais correr e fazer do que parar pra elaborar, porque a gente precisa agir rápido.

Toda ação gera uma reação e a cada reação que volta pra gente, meu sentimento é só de orgulho e alegria de estar construindo a história desse momento ao lado de vocês.
Mais do que os dados, os números, as palavras… O sentimento que tem movido tudo isso é muito Nobre.

Certeza que quando isso passar, a pessoa que vai voltar a sentar na mesa da pontinha do corredor não será a mesma.

Tô cansada, mas sou grata. Eu acredito muito no que a gente está fazendo juntos!

Um tempo pequeno pro tamanho das mudanças e conquistas.

Obrigada, time! ❤️ A lição maior é essa… O coletivo unido faz muito mais.

Dia 15

15

Minhas primeiras 24h da quarentena sozinha. Fiz faxina, cozinhei, assisti uma série inteira, sigo não dormindo muito, mas a casa tá tão arrumadinha que dá gosto 😄💙.

Estou possuindo essa vasta cabeleira que me irrita um pouco. Algumas vezes tenho vontade de ficar careca de novo, mas lembro do quanto coçava a cabeça e que queimava muito andar no sol, apesar de eu não estar andando no sol.

Tomei café da manhã na cama, feito por euzinha mesma e servido na bandejinha. Ái ái… Já acordei me agradando hoje… Ainda não estou conversando sozinha, mas canto em espanhol o dia inteiro.

Hoje meus amigos da faculdade marcaram de se ligar. Tem 8 anos que não conseguimos nos reunir todos, mas quem sabe a Pandemia faz esse milagre virtual, fiquei animadíssima.

O dia tá lindo, fica em casa!

Beijão 😘

#fiqueemcasa

COMO LAGARTA VIRA BORBOLETA?

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Há dois anos eu faço Terapia Cognitiva Comportamental, boa parte do meu processo na terapia é focado em ter consciência das minha ações, resultados de pensamentos automáticos e assim… Toda a cadeia de automatização do comportamento.

Há quase 5 anos eu comecei a estudar Neurociência, me apaixonei por conhecer a fisiologia do cérebro, somava as novas leituras com o estudo de psicologia comportamental da faculdade e por aí foi… Ano retrasado cursei neuromarketing e ano passado Neurociência da comunicação e mesmo assim… O cérebro continua a ser um grande oceano abissal e eu uma mergulhadora com uma lanterninha.

Hoje de manhã abri o armário para pegar o leite em pó e o achocolatado e me dei conta que o achocolatado estava em outro armário, pensei comigo mesma “de novo, Leila?”, ontem eu tinha me deparado com a mesma situação e me questionei sobre a razão das duas coisas não estarem no mesmo lugar já que só são usadas juntas, não vi sentido, mas automaticamente na hora de guardar eu coloquei de novo em lugares diferentes.

Hoje eu agi com consciência, tratei de usar e logo em seguida guardar os dois juntos, no mesmo armário, do jeitinho que penso que seria melhor estar. Fiquei feliz por mudar um comportamento inconsciente e dobrar o conforto cognitivo do meu cérebro.

Mas qual o motivo de dizer isso tudo enquanto tomo café?

Só pra pensar que nunca é tarde pra mudar velhos hábitos e principalmente para se dar conta deles. A quarentena é um bom período para observar, se observar.

🦋 Lagarta só vira borboleta depois que entra no casulo.

Sextou, quarenteners. Pelos que não podem… Estou em casa por vocês 😘

#FicaEmcasa

O último encontro com o biso

Meu último encontro com o biso.

Foi em 2016 a última vez que passei na casa do biso pra me despedir antes de voltar pra casa.

Sentados na cadeira de plástico da varanda, tomamos café com biscoito que ele fazia questão de colocar a mesa.

De algum lugar saíram os caderninhos de poesia dele que eu tive a honra de ler enquanto ele olhava pra cima e escutava lembrando da sua própria história narrada ali.

Me emocionei no meio do caminho. Não sabia que não o veria de novo, mas há muito que cada encontro eu tratava como despedida.
Biso se foi há dois anos. Foram 99 anos de vida, de dureza, de história, lida, de silêncio e de palavras na poesia.
Guardei alguns registros desse dia, uns palpáveis, outros não.

Quando a quarentena acabar

Fiquei sabendo que quando tudo passar vai ter Carnaval de novo. Já reservei a purpurina.

Esse ano foi a primeira vez que curti o carnaval de rua do Rio e o que eu mais gostei foi ver a rua cheia, me senti segura, senti que a cidade era cheia de alegria. Fiquei muito feliz em ver as pessoas fantasiadas, dançando, até me fantasiei também. Todo mundo sorria, as pessoas se falavam, a gente andava juntos pros lugares…

Tomara que depois que tudo passar seja carnaval sempre, mesmo sem bloco ou escola de samba, mas que a gente ocupe com carinho os espaços, cuide da cidade, cuide das pessoas, se sinta seguro, promova segurança, que a gente coopere, faça a voz do bloco chegar mais longe, que a gente consiga dançar… Mesmo se não tiver música.

#FicaEmcasa