Odisseia dos círculos

O homem deve ter inventado a roda depois de olhar bem fundo nos olhos de alguém
Deve ter sido encanto enxergado no infinito de uma alma que tem janela
Os buracos negros que se escondem no fundo de cada olhar
O mistério em descobrir onde começa e onde termina o meu e o seu universo particular.

Deve ter sido com atenção
Com tempo
Com minuciosidade.

O homem animal se fez arte
E desenhou na parede círculos como olhos
Esculpiu olhares em forma de roda
Sentiu tudo girar.

Foi olhando nos olhos que o mundo evoluiu!

Redondos os glóbulos, as cabeças e os planetas
Redondas formas que compõem o universo
Nossas digitais impressas pelo mundo.

Os passos em uma valsa
Um filme dentro de uma lata
Um disco fora da capa.

As canetas esferográficas
Os anéis de compromisso
Os nós que insistem e ficam.

As entradas de um cenote
O contorno da Lua cheia
Uma antena parabólica
E as escotilhas para um paraíso.

Nossos círculos sociais
Nossas rodas de conversas
Os giros que vida dá.

Redondos os núcleos, caroços e interiores
Redondas flores, frutos e sementes.

As galáxias
O tudo
E os olhos
Que enxergam o mundo de maneira diferente quando olham com profundidade uns para os outros.


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Perdeu

Me perderam os que não souberam me amar
Os que me deixaram só
Os que não sabiam estar ao meu lado
Todos os que respondiam minhas palavras com profundo silêncio
Os que se omitiam, negligenciavam.

Me perderam os que não faziam mais sentido
Pois não tem sentido se não faz sentir
Se não tem mais olhos nos olhos
Se não tem mais toque na pele
Se não tem sabor conhecido nos lábios.

Se as palavras de carinho, admiração, afeto e amizade se dissiparem
E se nem mais o cheiro que tinha eu me lembrar
É porque tudo que era já deixou ser .

Se perdeu de mim
Me perdi de você
Nos perdemos
Nós perdemos