Eu não encontro mais você

Como é que faz tanto tempo e ainda dói como se tivesse sido ontem?

Eu acordei repetindo isso pra mim depois de sonhar com algo que lembrou você e perceber as lágrimas inundando meu rosto.

Como eu posso passar tanto tempo sem lembrar e ainda assim me deparar com um vazio e com essa ausência que me dói?

Pior ainda é me dar conta que ela vai doer pra sempre em todas as vezes que eu esquecer e lembrar.

É sempre estranho descobrir que você não está mais aqui. Eu volto pra nossa casa, volto pro nosso parque, volto pro estádio de futebol, mas eu nunca volto no tempo e nada me traz você outra vez, mesmo você estando em tudo isso.

Foi estranho acordar e perceber que você era tanto sorriso e um dia veio morar no meu choro.

Ainda que eu me lembre do seu abraço, e eu me lembro muito dele, eu retorno à ausência que ele deixou, na falta que ele me faz. Eu volto pra dizer pra mim que eu nunca mais vou encontrar você.

Eu não te encontro nem nos meus sonhos. Eu tento, mas não te encontro mais. São apenas sinônimos, avisos, talvez até lembretes, mas nada mais é ou será você.

Parece que foi ontem quando essa dor chega pra sufocar meu peito, mas só parece

Sou só eu e essa dor, essa saudade e esse vazio, que sem procurar, eu vez ou outra encontro.

Você já não é mais, porque eu não sei se alguém é o que já foi sem nada mais poder ser.

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E se “sempre” fosse só “agora”?

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Eu não quero pensar em pra sempre, porque o sempre é uma escolha também.
Mas eu queria que por um tempo, a gente se gostasse de um tamanho maior que os nossos medos, vaidades, egoísmos e nos esforçacessemos pra juntos sermos um pouco mais felizes, no tamanho de um sempre limitado.
Que a gente fosse capaz de sentir o mesmo amor que a gente sente pelas pessoas boas da rua, de maneira mais próxima em nós dois. Que a gente se descobrisse em águas mais profundas.
Que a gente parasse de correr na direção dos abismos que nós criamos para nos julgar salvos de tudo que incomoda o que nos acomodou.
Que fosse a gente o endereço do abrigo em que o outro encontra refúgio. Nos fízessemos de casa para que quando o outro decidisse vir morar, encontrasse a porta aberta e aos poucos trouxesse sua mobília e começasse decorar.
Eu iria explorar as palavras do vocabulário para soletrar o seu sorriso.
Eu me lembraria de parar pra olhar uma flor e enxergar nela a beleza que é existir.
Eu ia querer sentir o calor da luz do sol nos seus abraços.
Eu enxergaria o brilho da luz das estrelas no seu olhar dentro do meu.
E tudo isso eu nem espero que seja um sempre, mas que enquanto o sempre for agora, que você deixasse acontecer.