As histórias que escrevemos

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Eu estava aqui pensando sozinha essa hora da noite, sentada com os pés sobre o banco, olhando para os móveis da sala, analisando aquilo que estou cansada de enxergar e conhecer. E é dentro dessa mesmice que eu me encontro com você.

Hoje eu te reconheci no cheiro de um incenso, foi estranho e lindo. Eu pensei um outro “talvez“, um “e se‘, até me convenci de um “nunca vai ser“.

Depois eu parei pra escrever. tentando não esquecer, que as tantas histórias que escrevemos, entre tantas novidades, podem desaparecer. E eu penso nos textos que eu vomito pro mundo, tornando um pensamento livre em um prisioneiro das minhas palavras e eu te prendo aqui de novo, numa história escrita nova. E na escravidão da minha lembrança, eu me liberto na minha palavra. Aquela que raramente eu releio ou revivo, mas que de algum modo eu sei da existência, afinal, nasceu de mim, já foi um pedaço meu.

Cada vez que você renasce nos meus pensamentos, eu te vivo, te sorrio, eu te perco, você morre e eu volto a te enterrar com pontos finais.
Cada vez eu te deixo a lembrança que das histórias que a gente imagina na vida, nenhuma surpreende mais do que a vida que a gente segue escrevendo com histórias.
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Sobre escolhas e crenças

Saí de casa hoje de manhã, alguns passos até a esquina e no encontro das ruas ventava muito.Percebi que de todas as árvores caíam folhas e flores. Com uma velocidade muito grande o vento as arrastava pra longe, cada vez mais longe.

Observava o movimento que faziam no chão, indo embora de perto das árvores de origem. Amanhã elas já não serão mais folhas, nem flores. Elas se soltam, se desprendem, se vão. E o vento vai levando daqui, trazendo dali.
Algumas ruas à frente e ainda o vento, o mesmo vento, que soprava muito forte, quase me empurrava, fazendo com que eu me sentisse contra. Mas eu precisava seguir aquela direção, mesmo que o vento tentasse me dizer o contrário. Eu resisti. Resisti à força do vento, eu fui contra, mas segui o meu caminho. 
No cruzamento do sinal mais a frente, parei. O sinal estava fechado. O vento ainda ventava, eu segurava o meu vestido. Um moço parado ao meu lado. Seu trabalho? Varrer a rua. Ele olhou para um lado, olhou para o outro, me pediu licença e continuou a varrer. Parecia que quanto mais ele tentava juntar todas as folhas e flores, mais o vento as espalhava, mas ele também não parou, ele fez o que tinha que fazer. Muita gente poderia pensar que ele perdia tempo, e que eu andava contra o vento, mas eu, ele, as folhas e as flores… nós fizemos o que nós tínhamos que fazer.
Eu cheguei ao outro lado da rua, peguei o metrô e sentada nesse banco eu escrevo esse caminho. O moço seguiu varrendo a rua. As flores e as folhas conheceram as ruas longe das árvores, onde presas, elas jamais iriam. Amanhã elas serão folhas secas ou não serão mais nada. E quem vai dizer o que era certo ou natural?
Cada um de nós no seu caminho, na sua direção, cada um em seu destino. Nossas escolhas, nossa força, nosso desejo de resistir, de insistir ou simplesmente de nos entregar ao vento.

SER.ei.de.SER

Amar foi igual capotar um carro em alta velocidade. Perder o controle, acelerar sem ter certeza do que fazia, Tomando consciência do perigo, e ainda assim, chegando mais perto da beira do precipício, repetindo para mim mesma que conseguiria, mas é aí que vem a queda, e eu caí de cabeça, tudo gira. O corpo dói, se contorce, uma dor física, real, empírica. 
Aos poucos tomei fôlego para tentar ficar de pé novamente, fui tentando andar e surge uma mão estendida, acreditei , levantei pra caminhar. Eu era a alegria de quem tem uma nova chance. A mão que se estendeu, me arremessou de volta pra quele buraco, só que dessa vez mais escuro, e no escuro tudo fica maior, a profundidade, a dor, o medo, mas eu caí.
Eu caí em pedaços.
E eu estou aqui, vou catar cada pedaço que sobrou de mim, Vou me compor.

Eu vou compor de novo, me REcompor, me reescrever e criar uma nova versão de mim. Eu vou ser um novo eu. E nesse novo eu que vou ser nem tudo será como antes. Nem tudo vai, SER. Nem tudo que um dia eu fui, eu voltarei a SER. 
Eu hei de ser, um novo eu.

Eu vou andar até que eu me encontre nas muitas que so(bro)u (d)eu.