A melhor versão do felizes para sempre!


 

Os contos de fadas contam o início de histórias românticas, não narram os meios e os fins, mas descrevem a vida como um felizes para sempre.

O desenrolar desse -sempre- deixa margens pra interpretações. A vida é movimento contínuo, estamos nos transformado o tempo todo, como indivíduo, sociedade, cultura etc. Já dizia Cazuza que o tempo não para.
A versão dos contos de fadas nos faz acreditar que as nossas relações que não necessariamente durem “pra sempre” foram fracassadas, que não nos estabelecemos como pessoas felizes, que não fomos capazes de fazer da vida a história de um conto eterno, assim sendo optamos por riscar as pessoas da nossa história, rasgar páginas, queimar fotos, matar o carinho, ligar o desrespeito, acionando a indiferença.
E para onde foram todas as páginas escritas? Quando acaba a química não sobrevive a história, a biologia, a geografia? Somos capazes de sacrificar tudo isso e agir como se a vida e as pessoas fossem descartáveis?  
Quando um casal se separa não pode haver carinho, respeito e amizade? Não seria essa a melhor maneira de viver feliz para sempre? 

Quando alguém mantém uma relação saudável não é sinal de um amor mal resolvido, mas sim de um amor do qual você se lembra com carinho, com respeito. É a gratidão a alguém que te ajudou a crescer e amadurecer como ser humano, alguém que caminhou ao seu lado por boa parte do caminho, que te acrescentou coisas boas, que te ensinou com as coisas ruins, que te fez refletir de alguma maneira sobre os seus erros passados, te levando a agir melhor no futuro. 
Alguém que não pode se tornar simplesmente em ninguém. Até pode ser uma página virada, mas não uma inexistente. Somos também o fruto das nossas experiências, das pessoas que cruzaram nossos caminhos. Nós somos soma. Até mesmo do que nos foi subtraído, adiciona-se uma experiência.
Caminhamos para frente, cientes de que atrás de nós existirá um caminho trilhado. O que fica pra sempre tem que ser bom, pra que carregar infelicidade se a alegria nos torna pessoas mais leves? Nós ainda podemos nos abraçar, nos desculpar, olhar nos olhos e agradecer, pois estivemos um ao lado do outro e com isso aprendemos mutuamente. Nossa presença e nossa ausência nos ensinaram. Ainda podemos estar ligados pelos nossos amigos, pela família, pelas boas risadas que um dia demos, pelas histórias em comum que escrevemos, pelos bordões que usamos e que ouvimos por aí. Nós ainda somos um pouco de algo em alguém, muita gente é um pouco do que somos agora. Outros “alguéns” virão, talvez irão, mas ainda assim, serão para sempre.
Amizade é entender e amar com os defeitos, enfrentar as brigas, as diferenças, mas ainda optar por estar lá quando o amigo precisar de nós. Amigo não desiste, te faz rir, é chato, lembra de você quando passa por aquele lugar onde fizeram aquelas coisas divertidas, perigosas ou banais. O amigo se ocupa em cuidar da sua própria vida, mas sempre que pode te manda uma mensagem só pra perguntar se está tudo bem ou te contar uma novidade. 
Amizade é pra sempre, é feliz. É a melhor versão de ser feliz para sempre.

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