Santa


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É como um interior, oculto no coração da cidade.

Um igreja, uma praça, vizinhos nas calçadas a conversar. Pelas ruas as crianças ainda correm e brincam, sem se importar em perder os tampos dos dedos enquanto descem as ladeiras atrás de uma bola.

No meio da rua, uma banda de Gipsy jazz composta por estrangeiros. O atendimento ainda é bom e a vista…Ah, a vista!
Do alto daquelas ladeiras a cidade lá embaixo é só um emaranhado de luzes disformes, e o som de lá se dissipa com as vozes, a música e as risadas na porta de cada bar.

O comum é desigual e o diferente aqui é completamente corriqueiro. Fosse eu Portinari, faria um quadro e retrataria essas ruas como ele fez com Brodowski, mas eu não sei pintar, só sei escrever. Entre uma gargalhada e outra de criança, um carro passa. Eu ouço vários idiomas, como numa Babilônia, sem caos. Só paz. Um carnaval de alegria e fantasias.

O tempo passa lentamente enquanto os cães também passeiam, as mães alimentam e ninam os bebês. Não há curiosos nas janelas, eles se sentam nas ruas, falam enquanto gesticulam com os braços, perguntam sobre seus dias, suas tardes, suas noites e suas vidas. Eles ainda se importam por aqui. Os vizinhos se conhecem, os amigos se reconhecem, as tribos se encontram.

Tudo isso passava diante dos meus olhos e eu observei, sentada na escada, entre um gole d’água e outro de vinho, como quem compara a transformação entre os dois sabores com a mudança da vida la em cima e aqui embaixo.

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