Quase


  

É a coisa mais linda de ver, quando suas bochechas contraídas, se inclinam pra parte superior do rosto. E quando seus olhos pequenos, ficam ainda menores e seus lindos e brancos dentes aparecem, iluminando a sua face. É um perfeito sorriso espontâneo, que às vezes se perpetua por vários minutos, enquanto falamos de assuntos completamente sem lógica. E rir, e rir, e rir. Até não entender mais o motivo da risada, e então cessa-lá, num entreolhar.
É esse mesmo clique que liga o seu sorriso, que faz eu desligar o meu mundo. Esquecer completamente tudo o que ficou da porta pra fora. E não importa o telefone, o telejornal, a campainha ou a chuva. São essas horas em slowmotion, esses dias do ano, esses momentos da vida.

 Feche a cortina, pra não deixar combustível sair pela janela. Um tanto a menos e um tato a mais. Eu tenho agora os sentidos alterados. E só melhora. Cada vez é promessa de uma evolução involuntária e viciante. Um ciclo quase sem fim. Quase…

Eu não sou muito de acompanhar, mas aqui é diferente. É tudo diferente. Outro tempo, outras sensações, outros algarismos romanos, outra música no baixo, outra cor no abajur

Outro sol que vai nascer, outra noite que acabou. Era quase, mas enfim… 

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