Mais profundo que a alma


Andava pela casa descalça, sem se importar.
Uma camisa qualquer e os cabelos por pentear.
Encontrou no armário uma garrafa de vinho esquecida, sozinha resolver tomar.
Entre uma taça e outra e o documentário sobre os marsupiais australianos, ela se deu conta de quanto tempo se passou.

Acostumada estava a rotina solitária, sem saber se algum dia se adaptaria de novo a dividir a suas palavras não mais com os cadernos, mas talvez com um ser humano.

Anda guardando mais coisas que um baú.
Fala pouco, sorri muito, dorme menos do que fala e ocupa suas horas vagas com excessiva rotina de trabalho.
Se esconde embaixo do papel atualmente exclusivo de pessoa com obrigações e esquece do lado de lá da vida, onde nem tudo convém, mas perder-se por lá também faz bem.

Que chata!
Fica triste sozinha, fica feliz sozinha…
Muito chata.
Egoísta.
Diz que nunca é encontrada, mas está por aí se escondendo. Atrás de desculpas, sorrisos ou dos cabelos…

Ela não fala.
Mania esquisita de escrever
Como se o mundo gostasse de ler diários de uma maluca semi-embriagada..

Por favor, alguém resgate esse baú de cair no fundo do mar abissal…

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2 comentários sobre “Mais profundo que a alma

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