Não substantive o verbo!

A sociedade não sacia
Nem a fome, nem a sede
Fome de comida, sede de água
Fome de mudança, sede de justiça.

Toda barriga faminta e cada boca seca
Não seja saciada com o sal de lágrimas,
Mas com o suor de uma luta árdua

Que a desesperança não tome conta dos corações inquietos
E que a acomodação não domine os espíritos contentes.

Não podemos desacreditar e muito menos acreditar em tudo.
Verbo é a palavra que exprime ação.
Eu LUTO!

Luto com as armas que desarmam todo o ódio e preconceito que agora se levantaram.
Eu luto com coragem, esperança e vontade.
Não adianta dividir, precisa organizar.

2009102037brasildef

Anúncios

Passam

O que fica do que vai?

Os móveis, as roupas, as fotos.
Os traços, alguns recortes velhos guardados e espaço cheio de completo vazio.

Fica tanto que chega parecer que nem deixou de ser. Parece que ainda está aqui. O que fica quando a gente não quer deixar ir embora.

Mas que senhor é o tempo, que leva instante a instante cada gota de tal tormento. O tempo parece vento que faz folha seca voar, subir e sumir até que longe ninguém mais possa enxergar.

Aí esvazia e enche de novo, trás o novo, tira o cheiro de mofo e vem ar de primavera com flores novas e fim de tarde ao som do mar. Até em quem já ficou bem velho, tem sorriso de moço.

O que fica realmente fica, mas não fica do jeito que já era.
Faz-se de todo dia um novo guia, pra seguir caminhos por onde nunca se foi.
É a caminho do novo que você percebe que um passo errado as vezes leva ao rumo certo e que o plano inicial não leva a um destino final.

O que fica, fica… Mas fica dentro da gente. A gente vai pra todo lugar, como as folhas que o vento levou. E no fim de tudo, a gente vai…

O que fica do que vai é a certeza de que o que ficou uma hora também vai.
Somos passageiros!

IMG_5567-0.JPG

Aos dois…

Aos dois

Aos dois anos de idade nenhuma criança vai lembrar se você trabalhou e ganhou muito dinheiro para poder pagar a ela uma boa faculdade.
Aos dois anos ela acha mais divertida a caixa do que os presentes.
Uma criança de dois anos não acorda pensando no que ela vai ser quando crescer, nem se preocupa com a política, economia ou se ela em dezembro vai passar férias na Disney.
Aos dois de idade uma criança quer brincar, ela tem energia, quer correr.
Aos dois anos ela tem seus personagens de desenho animado e pede que você assista e dance com ela. Ela te pega pela mão e diz VEM! Brinca comigo!

Ela se lembra das festas de aniversário em que brincou com os amigos no final de semana e das tardes que vocês se sujaram muito brincando de tinta ou na terra.

Aos dois anos ela não se importa se a roupa dela é importada. Ela quer qualquer roupa confortável o suficiente para que ela possa correr, escorregar, pular…

Ela quer abraços quando acorda assustada, e quer colo quando está cansada. Ela quer dormir com você quando tem medo.

Aos dois anos ela aprende palavras novas, chama as pessoas pelo nome e diz que a mamãe é grande e ela é pequenininha. Ela é madura o suficiente para saber a hora de ir ao banheiro, mas criança o bastante para brigar com o sono quando quer brincar.

Ela vai querer amor como em qualquer outra fase da vida, mas ela precisa de paz, de presença, de cuidados e de atenção.

São os exemplos das pessoas próximas que ajudarão na formação de sua personalidade e de seu caráter. São seus pais, seus avós, seus tios… A família que a cerca, que a ama…

Aos dois anos é disso que ela precisa. De um mundo que fale com ela em uma mesma unidade.
Aos dois anos toda criança é uma terra fértil, esperando por sementes.

Tenha tempo…
Plante coisas boas…

IMG_5087.JPG

Mais profundo que a alma

Andava pela casa descalça, sem se importar.
Uma camisa qualquer e os cabelos por pentear.
Encontrou no armário uma garrafa de vinho esquecida, sozinha resolver tomar.
Entre uma taça e outra e o documentário sobre os marsupiais australianos, ela se deu conta de quanto tempo se passou.

Acostumada estava a rotina solitária, sem saber se algum dia se adaptaria de novo a dividir a suas palavras não mais com os cadernos, mas talvez com um ser humano.

Anda guardando mais coisas que um baú.
Fala pouco, sorri muito, dorme menos do que fala e ocupa suas horas vagas com excessiva rotina de trabalho.
Se esconde embaixo do papel atualmente exclusivo de pessoa com obrigações e esquece do lado de lá da vida, onde nem tudo convém, mas perder-se por lá também faz bem.

Que chata!
Fica triste sozinha, fica feliz sozinha…
Muito chata.
Egoísta.
Diz que nunca é encontrada, mas está por aí se escondendo. Atrás de desculpas, sorrisos ou dos cabelos…

Ela não fala.
Mania esquisita de escrever
Como se o mundo gostasse de ler diários de uma maluca semi-embriagada..

Por favor, alguém resgate esse baú de cair no fundo do mar abissal…

IMG_4967.JPG

Pílula #2

Escrever é um ato egoísta! Até quando se conta a respeito do outro, se diz muito a respeito de si próprio. O meu ponto de vista não deixa de ser minha culpa. Vai ver que é por isso que eu tantas vezes resolva falar tanto de mim… Explicitamente ou não, tudo o que eu escrevo é no fundo apenas eu.

10622909_718780668189850_3928244860628181075_n