A garota do tempo


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Meu último texto falava de sol, lua, noite e tempo. Acabei por relembrar outra parte da minha vida.

Desde criança eu tive fascinação pelo clima. Lembro-me que aos 7 anos de idade ganhei um complexo livro sobre meteorologia e passei a desfilar com ele para cima e para baixo, toda orgulhosa de conhecer as condições climáticas, distinguir  o nome dos aparelhos usados para medir o vento, a chuva e etc e tal. Cheguei a cogitar a ideia de trabalhar com meteorologia.
Bem pouco depois a ideia fixa de ser jornalista me pegou e nunca mais me abandonou. De fato, nunca me tornei meteorologista e nem jornalista.

Toda vez que assisto o noticiário me interessa muito saber a previsão do tempo. Atenta, eu sempre fui daquelas que alerta: “Leve o casaco que hoje vai fazer frio”, ou então “Cuidado com a chuva”…
Já fui motivo de piada, mas ainda hoje sei o nome da garota do tempo de cada noticiário. E elas estão cada dia mais interessantes, soltam piadas, dão suas opiniões pessoais sobre o clima, exalam trocadilhos e até sugerem que vinho e fondue são a pedida para o inverno gaúcho. Só faltam sugerir que não fiquem solteiros em São Joaquim e tirem as camisas no Rio de Janeiro. Eu gosto delas.

Na minha adolescência fui viver em Brasília e a curiosidade com o tempo virou paixão pelo céu, durante um bom período me tornei aquela que sempre tinha uma câmera na mochila e todos os dias registrava o céu da cidade, o pôr-do-sol sempre tinha várias cores. Tive um grande amigo que foi meu companheiro em muitos fins de tarde e conversávamos por horas, deitados na grama e olhando para o céu. Em seguida, entrei na faculdade de administração, que também não concluí, mas tive uma colega de curso que trabalhava na ANAC e justamente com a bendita da meteorologia e em algum seminário da faculdade ela falou de sua profissão e me explicou o que era CAVOK e graças a ela também, eu até hoje sei diferenciar uma cumulus nimbus de uma outra nuvem qualquer. Obrigada Ludmila…

A raiz de toda essa curiosidade pode ser o fato de acreditar que essa seja uma forma de prever o futuro, de saber o que esperar do amanhã, talvez alguma necessidade de segurança dentro da incerteza que é a vida. Se não somos capazes de ver a vida amanhã, saibamos pelo menos a cor do céu para enfrentá-la.

Pode ser que seja um jeito de fazer analogia com a minha vida. No fundo  no fundo eu seja a garota do tempo que alguns dias queira anunciar que está tudo ensolarado e outros dias as nuvens carregadas vão aparecer. Tão passível de dias nublados e com possibilidades de pancadas de chuva, ou então de tempo bonito sem nenhuma nuvem e noite estrelada…

Há a mulher de fases, porque eu não seria a garota do tempo? Talvez seja…

Eu ainda sairei por aí preocupada em informar que os casacos deveriam estar nas mochilas, ou que mais tarde irá chover. E me informar se o final de semana será de lindo sol, mesmo que eu não vá a praia, ou eu me aborreça se terá muita chuva e vento, mesmo que eu também não tivesse plano algum. Só por saber mesmo.

Eu sou a garota do tempo… Do tempo que me pertence.

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