Testamento

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As coisas acontecem!
E quando menos se espera o que era tristeza vira alegria, o que era solidão vira companhia e até o que era verdade vira mentira.
Tanta convicção sem razão de ser.
Tanto signo sem significado algum.
Tanto tanto que é um tanto demais.

Eu sou tão pequena e o mundo é tão grande e o tempo é tão maluco que move esse mundo em freqüências variadas e intermináveis. Uma sempre sucedendo a outra e nenhuma é igual por mais parecida que seja.

E eu gosto assim, da vida que varia, que muda toda hora e me muda o tempo todo. Me faz todo dia um outro alguém, melhor que ontem ou não, mas sempre aprendendo e vivendo mais.

Que as coisas aconteçam então…
Eu não tenho força para impedi-las, apenas desejo delas desfrutar e quando um dia eu não aqui mais estiver, que lembrem-se de mim como alguém que a vida viveu e nada mais…

Talvez sem significado para alguns, mas com muito sentido para outros. Fico na lembrança daqueles que não irão decorar meu nome, mas sorrirão ao lembrar da minha risada boba e descontrolada.
Fico no coração daqueles que me viram algumas vezes caminhar e olhar para trás com um tchau de saudade de quem partiu querendo voltar logo.
Eu também fico nas palavras que eu deixo escritas e essas nunca vão morrer, nunca vão envelhecer, nunca perderão o sentido…
Eu espero que não, pois em todas as freqüências da vida, foram elas que sempre estiveram, estão e estarão comigo… Testemunhas das coisas que eu penso, das que eu digo e até das que eu não digo, por medo, vergonha ou falta de oportunidade.

E é isso que eu deixo…
Um desejo enorme de que não deixe nada demais, mas que sinta plenitude nas coisas que eu realizei, pois é aqui e agora o meu tempo e nada mais!

 

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De onda

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A gente vai ao encontro do mar pra permitir que a onda fria encoste.
Pra sentir o quão fria a água pode estar.
Mesmo sabendo que a água vai estar gelada, a gente permite…
A onda encosta e afunda os pés na areia e toda vez que ela vai e volta, ela torna a deixar os pés cada vez mais fincados na areia, até que eles estejam presos. Aí, você parado começa a se questionar o motivo pelo qual não se moveu antes, o motivo pelo qual permitiu que a onda gelada afundasse seus pés…

E percebe que se você se mover você tem duas escolhas… Correr ou mergulhar de cabeça!

E eu?
Por ora eu tenho evitado o mar… Por medo, cuidado ou covardia. Eu não permito que as ondas que vem e vão possam me prender no chão. Eu não mergulho de cabeça num mar gelado, talvez eu corra ou evite. Mas é assim que tem sido, até que um tsunami maior resolva arrebatar-me de maneira que eu não possa resistir.

A garota do tempo

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Meu último texto falava de sol, lua, noite e tempo. Acabei por relembrar outra parte da minha vida.

Desde criança eu tive fascinação pelo clima. Lembro-me que aos 7 anos de idade ganhei um complexo livro sobre meteorologia e passei a desfilar com ele para cima e para baixo, toda orgulhosa de conhecer as condições climáticas, distinguir  o nome dos aparelhos usados para medir o vento, a chuva e etc e tal. Cheguei a cogitar a ideia de trabalhar com meteorologia.
Bem pouco depois a ideia fixa de ser jornalista me pegou e nunca mais me abandonou. De fato, nunca me tornei meteorologista e nem jornalista.

Toda vez que assisto o noticiário me interessa muito saber a previsão do tempo. Atenta, eu sempre fui daquelas que alerta: “Leve o casaco que hoje vai fazer frio”, ou então “Cuidado com a chuva”…
Já fui motivo de piada, mas ainda hoje sei o nome da garota do tempo de cada noticiário. E elas estão cada dia mais interessantes, soltam piadas, dão suas opiniões pessoais sobre o clima, exalam trocadilhos e até sugerem que vinho e fondue são a pedida para o inverno gaúcho. Só faltam sugerir que não fiquem solteiros em São Joaquim e tirem as camisas no Rio de Janeiro. Eu gosto delas.

Na minha adolescência fui viver em Brasília e a curiosidade com o tempo virou paixão pelo céu, durante um bom período me tornei aquela que sempre tinha uma câmera na mochila e todos os dias registrava o céu da cidade, o pôr-do-sol sempre tinha várias cores. Tive um grande amigo que foi meu companheiro em muitos fins de tarde e conversávamos por horas, deitados na grama e olhando para o céu. Em seguida, entrei na faculdade de administração, que também não concluí, mas tive uma colega de curso que trabalhava na ANAC e justamente com a bendita da meteorologia e em algum seminário da faculdade ela falou de sua profissão e me explicou o que era CAVOK e graças a ela também, eu até hoje sei diferenciar uma cumulus nimbus de uma outra nuvem qualquer. Obrigada Ludmila…

A raiz de toda essa curiosidade pode ser o fato de acreditar que essa seja uma forma de prever o futuro, de saber o que esperar do amanhã, talvez alguma necessidade de segurança dentro da incerteza que é a vida. Se não somos capazes de ver a vida amanhã, saibamos pelo menos a cor do céu para enfrentá-la.

Pode ser que seja um jeito de fazer analogia com a minha vida. No fundo  no fundo eu seja a garota do tempo que alguns dias queira anunciar que está tudo ensolarado e outros dias as nuvens carregadas vão aparecer. Tão passível de dias nublados e com possibilidades de pancadas de chuva, ou então de tempo bonito sem nenhuma nuvem e noite estrelada…

Há a mulher de fases, porque eu não seria a garota do tempo? Talvez seja…

Eu ainda sairei por aí preocupada em informar que os casacos deveriam estar nas mochilas, ou que mais tarde irá chover. E me informar se o final de semana será de lindo sol, mesmo que eu não vá a praia, ou eu me aborreça se terá muita chuva e vento, mesmo que eu também não tivesse plano algum. Só por saber mesmo.

Eu sou a garota do tempo… Do tempo que me pertence.

Luz do sol

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No sábado choveu e eu não pude aproveitar a luz do sol e nem caminhar na rua. Foi um dia cinza e feio. Depois de todo dia chega a noite e nenhuma noite é iluminada e disso eu sempre soube.

Toda noite é escura! É a natureza.

Sendo a noite negra, todo sorriso que nela brilha é razão de beleza, e naquele sábado cinza e chuvoso, a noite foi difícil e bonita, como se me devolvessem no meio da madrugada o raio de sol que me roubaram de dia e em meio a tanta sombra eu vi luz.

OBRIGADA!

Minha primeira palavra do amanhecer seguinte, um obrigada ilustrado com foto de sorrisos e um obrigada de quem viu o sol da madrugada de sábado se estender pelos dias que seguiram.

Você que devolveu meu sol não foi embora para sempre, estará sempre por perto, mesmo que na memória ou na eterna gratidão de nossos corações.

Leve sempre com você o calor desses dias tão ensolarados e um pedaço, ainda que pequeno, do imenso bem que fez. Ilustre na sua memória sempre com um sorriso a lembrança de noites escuras que podem se transformar em dias de luz plena!

A vida é um caminho muitas vezes sem voltas, sem retornos, caminhamos e seguimos em frente, mas nossas trajetórias deixam lembranças, levam e trazem coisas, pessoas, aprendizados e lições, muitas lições. Aprendemos com cada uma delas como prosseguir.

Que por mais tortuosos que sejam os caminhos… Que haja luz… Que haja sol…

PS: escrito em novembro/2013 e reescrito agora!