Meus versinhos pra você

429382_4998960694433_1074699472_n

Quando ainda menina, eu corria pelo quintal
Ouvia sempre de longe aquele grito descomunal
Era a bisa dizendo que estava posta a mesa
E pelo cheirinho a gente sabia que era comida boa, com certeza.

Em torno da mesa uma molecada se reunia
Café, bolinho de chuva e muita bagunça havia
E sentado na ponta do banquinho sempre estava ela que via
Que cá estava essa criançada da família que só crescia.

Não foram uma e nem duas vezes que em nossos almoços uma pausa se fazia
Vovô ia ler seus versos e homenagem ele nos dizia

Tirava sempre os óculos para ler, e do bolso da camisa de botão uma cadernetinha saía
Suas palavras que emocionavam, terminavam em oração
Agradecer pela nossa família sempre unida e cheia de amor no coração.

Já vai chegando o aniversário de número 96
E estando longe ou perto o meu amor não mudou por nenhum de vocês
Seu José e dona Ana, patriarcas de uma família que é só coração
Escrevo essas palavras, em versos simples, mas em forma de gratidão.

Que seu exemplo de vida ultrapasse gerações
Que nossos filhos saibam que a família vale mais do que dinheiro e ouro
E que não há no mundo melhor tesouro.

Eu sou grata pela sorte que tive nessa vida
De ter chegado ao mundo no seio de tão linda família
Queria eu poder pedir que vocês vivessem para sempre
Mas já que isso é pedir muito, agradeço por vocês terem deixado sementes.

É um orgulho fazer parte dessa prole
De gente tão simples, humilde, mas nobre
Que ensinou que valor é diferente de preço
E que o mundo será sempre grato comigo, me dando o que eu mereço.

Ao meu biso e minha bisa deixo aqui a minha mensagem
E espero que a suas palavra ecoem por toda eternidade…

Com carinho… Do seu coraçãozinho. LeilaImagem

Anúncios

Você decide

A era do poder ou dessa ilusão.

O poder de decidir, escolher, participar, opinar, votar.

Escolha sua operadora telefônica, escolha a banda que vai vencer o programa, escolha o filme que vai passar amanhã, escolha quem vence, quem perde, quem vai, quem fica…
Tudo isso sem sair de casa.
Comente, dê seu palpite, opine, revolucione…

Tudo isso sentado no sofá.
É sua a escolha, você que decide, você que faz a diferença, você participa.
Tudo sem se mexer.
Estão te ensinado que é assim. Um poder digital, na ponta dos dedos…

Clique, aperte, deslize para o lado, digite, poste, comente, compartilhe.
Dizem que é você! Você fez, você faz…
E o que você acha que está fazendo de verdade?

20140624-183834-67114453.jpg

O que você faz?

Me perguntam: – o que você faz?
– Bem… Eu escrevo…

Escrevo…
É…
Posso dizer que é isso!

Escrevo recados cotidianos na agenda da minha filha, escrevo listas pra tudo, de compras, de coisas a fazer, de aniversários (sim, prefiro escrever que anotar no telefone), escrevo até listas de assuntos para escrever.

Escrevo bilhete para os amigos, mensagens no whatsapp, atualização de status pro facebook e pro Twitter… Escrevo legenda de foto no instagram.

Escrevo redação publicitária, chamadas, títulos, slogans comerciais, dissertações, recomendações, sugestões, elogios e críticas.

Escrevo release para site, comento sobre um novo CD, clipe, música, peça ou exposição.

Escrevo e-mails para clientes, amigos, empresas ou família. Respondo comentários, comento outros textos.

Eu escrevo neste blog, atualmente nem tenho tido tempo para escrever em papel (minha preferência), algumas coisas vão direto do bloco de notas para um lugar qualquer.

Escrevo no metrô, no ônibus, no táxi, na praia, sentada no sofá e escrevo até em fila. Na maioria das vezes eu escrevo mesmo é na hora de dormir. É quase sempre nessa hora que eu penso em descansar que as palavras vem passear pela minha cabeça.

Escrevo quando estou sozinha, mas quando estou em meio a multidão também, mas a maioria das vezes é quando estou só mesmo. A solidão tem lá o seu charme criativo.

Penso, logo escrevo…

Nem sempre escrevo textos, muitas vezes me vem frases soltas a cabeça que acabam por nem serem publicadas. Estão guardadas em algum lugar ou perdidas em lugar nenhum.

Eu tento ser escritora, de site, de blog, de redação, de listas e da minha vida. Busco caminho através das minhas palavras, pensar sobre que escrevo e escrever sobre o que eu penso.

Mas o que eu faço é isso mesmo… Eu escrevo!

E você? O que você faz?

Leila Guimaraes_Janeiro_2014_Itacoatiara.jpg

Sobre o que não sei

Será que todo mundo tem um pouco do meu eu? Ou será que só eu sou assim? Eu me pergunto…

Será que é normal ser assim do meu jeito? Ou eu é que nasci com defeito?

Vez ou outra me pego lamuriando a rotina cansativa e quem sabe me peço um tempo assim, pra chamar de meu, e esbravejo. E aí quando coincide da vida volver e me ouvir, eis que me pego pensando o que estou fazendo sozinha se essa casa é tão grande para uma pessoa só e esse coração tanto tem pra não dividir com ninguém.

E aí, por vezes eu me pergunto se eu sou normal, ou será que só eu sou assim?
Tenho tantos planos que as vezes me faltam planos. Talvez muitos planos e pouca prática. Tanta vontade e pouca coragem. Talvez só um tanto de vontade de poder dividir, pois junto se vai mais longe.
Então talvez eu precise de uma outra vontade, pra se juntar a minha e acontecer comigo.

Ou talvez, não sei… Talvez eu só não saiba e precise aprender mesmo. E quem me ensina? Ou não se ensina? Quem me responde?

Menina… Você faz cada pergunta difícil… (Minha mãe ainda diz isso)

Eu não sei perguntar fácil. No fundo as coisas simples não são tão simples assim e as coisas complicadas são fruto das vontades que nós complicamos, ou seja, eu estou sendo confusa demais e confundindo você que já não entende qual razão tem pra chegar até aqui e continuar a ler…

Não sei essa resposta por você e nunca soube por mim mesma o motivo de ainda virem aqui, mas eu fico feliz quando acontece e costumo desejar um volte sempre…

Por hoje é isso… Um ciclo raso de inconclusões e quem sabe o que me espera pra uma próxima?

Eu também não sei…

20140608-234026-85226975.jpg