Re soar

leilamaio2014

Sons são como identidade, a digital de tudo e todos. Se sabe que é avião ou helicóptero mesmo sem ver, se conhece um computador ou máquina de escrever apenas pelo seu ruído. Dá para saber se é noite ou se é dia, se faz sol ou chuva, pois o som chega para anunciar.

Alegria tem som de risadas, tristeza soa lágrimas que doem, euforia soa gritos, paixão soa suspiros, prazer soa gemidos e segredos soam sussurros…

Não importa o motivo, importam os sons… Eles sempre estarão lá…

E todas as coisas compõem nossa sinfonia cotidiana com acordes e melodias que nos fazem dançar.

O mundo se move com sons. Carros, máquinas, aparelhos, a natureza e principalmente as pessoas!

Há música em e para tudo, pra alegria, pra tristeza, pra solidão… Existe um som pra cada coisa e há barulho até do silêncio…

Onde há vida, há som!

 

Anúncios

Nova estação

20140515-215554.jpg

Quando paro pra pensar me pergunto se tudo que eu escrevo não é melancólico, nostálgico e saudoso demais e sempre acabo chegando a conclusão de que é sim! Devo ser um tanto quanto chata, repetitiva e quem sabe até melosa demais…

Fui rever os meus motivos para me repetir tanto na explanação dos mesmos sentimentos e descobri…

…Eu me sinto extremamente feliz por sentir saudade e não é algo que me faça mal, ao contrário, me faz muito bem! Eu seria incapaz de sofrer por sentir saudade e seria incapaz de sentir saudade de algo que tenha sido ruim e sem proveito. Sentir saudade é bom, só o que é bom ou deixa uma boa lição é capaz de marcar a vida o suficiente pra merecer ser revivido em memórias, pelo menos nas minhas…

Guardo com orgulho as boas histórias que vivi, que me contaram, que li, que assisti e até das que eu sonho viver ainda.

Viver de saudade não! Relembrar com alegria sim!

Dia desses eu li uma frase de um escritor em que ele dizia que estava escrevendo pouco por estar feliz e gente feliz não escreve muito, se expressa mais por imagens pois elas dizem mais que palavras…
Pode ser que sim… Talvez eu também esteja escrevendo menos e postando mais fotos em uma rede social… Mas não vim aqui agora escrever por estar triste… Eu venho aqui escrever porque me deu saudade e a saudade me inspira.

A lembrança é passageira, assim como a vida… Mas a lembrança vai e vem como os passageiros de um trem pra qualquer destino… Mas a vida não… A vida é uma só… Ela não vai e vem… Ela só vai, o que vem são as coisas novas, as pessoas novas, como os passageiros que chegam pra conhecer a nova estação…

As lembranças são as viagens… Que acontecem, mas que não duram para sempre, pois haverá sempre novas estações a serem visitadas nessa vida…

Então eu fui…
Fui lá conhecer…

Até a próxima estação da saudade… Te vejo por lá!

Sem óculos

20140503-150902.jpg

Cansei de ver tudo sempre da mesma forma. Fechei os olhos e olhei pra dentro.

Vi como nunca antes havia visto, e sem óculos, sem grau, sem caos. Olhei apenas com silêncio e atenção. Eu vi e pude também escutar.

Olhei pra dentro pra entender o que se passava. Como todas as coisas que enxerguei enquanto olhava de olhos abertos foram parar dentro de mim. E não adiantava só tirar os óculos, tinha também que fechar os olhos, tinha também que fazer silêncio.

Eu enxerguei e depois fui silenciando cada um dos barulhos que via e ouvia. Fui dissipando cada visão turva e embaçada que eu guardava, fui clareando pouco a pouco a escuridão confusa em mim. Eu calei um a um todos os gritos desesperados que me tiravam a paz.

E depois que tudo estava em paz e quando tudo ficou claro para mim, aí sim, pude abrir os olhos. Percebi que não eram mais necessários óculos, eu já podia ver sem nenhum auxílio externo, porque quando a gente tem clareza do lado de dentro da gente, todas as coisas se tornam mais nítidas. Não há trevas pra quem encontra luz interior.

E aí todos os barulhos, flashes, explosões, todo o caos… Tudo isso já não ultrapassa mais das minhas lentes para dentro.

Somente os olhos nos olhos passaram a encontrar a veracidade e a importância nos meus dias.

E eu deixei de ser…
Ser aquele que não quis ver…