Olhando do alto

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Não consigo ter âncoras, não me atraem as amarras. Gosto de ter a escolha de poder voar quando bem quiser. Alto ou baixo, longe ou perto, sozinha ou acompanhada, mas voar…

Por onde a gente passa, a gente deixa e a gente leva e não importa se pouco ou muito. Viver é sair espalhando sementes e se você corre o risco de percorrer os mesmos caminhos, trate de deixar por eles coisas boas. Se você trilha apenas novos caminhos, construa-os da melhor maneira possível. Mas sobrevoe.

E para voar é preciso leveza, necessário se desfazer de todos os pesos, os incômodos, os supérfluos… Abrir mão de tudo que é inútil, do que sufoca, do que não alimenta, do que não sustenta. Pra voar é preciso sentir-se como parte do vento.

…(Feche os olhos e voe)…

E quando voamos, olhamos tudo do alto e todas as coisas se tornam pequenas. E é bem mais simples olhar para frente e continuar. É mais fácil deixar de lado, relevar e até esquecer. Quando vemos do alto, as montanhas são pequenas e tão simples e do alto, as coisas que você resolveu não carregar são invisíveis. Somente as coisas importantes são vistas de cima.

Só precisa ser leve…

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Me repetindo

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Pensei saber muitas coisas, inclusive já cheguei a pensar que sabia o que queria e que estava certa e decidida e que minha opinião era formada e imutável, até que um dia eu descobri que são momentos e os momentos são muitos.

Um deles é aquele em que você consegue enxergar tudo o que realmente deseja para viver e quais dessas coisas tem profundidade suficiente para se tornarem realmente indispensáveis…
Quais delas valem a pena continuar desejando. Descobrir quais os sonhos, os planos… Quais as buscas são verdadeiras.

Passado esse momento de “seleção” o passo seguinte é a busca, a conquista… O alcance!
Encontrar, dedicar, apreciar, respirar e viver cada um desses sonhos, planos ou coisas… Extasiar-se e saborear as vitórias.

Daí, o passo seguinte é apenas um… Descobrir novos planos, novas metas, novas coisas a buscar, conquistar, explorar… E com isso aprender que os nossos sonhos mudam, nossos planos mudam, porque nós estamos sempre mudando…

Mudando em movimento cíclico e não circular, entre altos e baixos, mas sempre progressivamente, deixando o dispensável para trás. O importante na caminhada é sempre seguir em frente.

A cada conquista, você não está mais só é tudo o que te é acrescentando, te modifica, cada peça somada te faz maior, mais forte, te faz você!

E tudo se torna novo de novo…

Na calçada

Pirenópolis - Leila Guimaraes_2009

Já me mudei mais do que planejava e até mesmo para lugares que eu nem se quer imaginava.
Lembro-me de várias casas, de muitos vizinhos, de amigos da rua, de brincadeiras.
Lembro-me de anos da vida que não usamos telefones celulares, de quando nossas brincadeiras, hoje bobas, eram o máximo e como o céu tinha mais estrelas naquela época.

Hoje vi uma foto, nela havia a imagem de uma das casas onde eu morei, tanto modificada, mas era ela.
Em minha memória revivi anos que passei ali com meus rituais cotidianos. Passava os fins de tarde ou a noite sentada na calçada, algumas vezes só, mas na maioria das delas acompanhada, comendo pipoca e tocando violão, vendo a noite e rindo muitas vezes cercada de amigos.

Lembro que muitas vezes a nossa roda de amigos crescia, cada um que passava pela rua parava um pouco e entrava no assunto ou no tom da música e vinha participar da nossa alegria…

Meu violão eu nunca mais vi, pipoca virou raridade no meu cardápio, minha calçada hoje, ainda é legal, tento passear por ela cotidianamente, mas mudaram os rostos, as vozes, as risadas. O que ainda me conecta aquele tempo ainda são as velhas músicas, quando as ouço, fecho os olhos eu viajo mil quilômetros até aquela minha calçada de antigamente, aqueles rostos, aqueles risos, aquelas noites…

Não sei quando foi que o tempo parou de engatinhar e começou a andar como louco atrás de nós, acelerado e sem noção ele me levou pra longe de tudo e de todos. Outro tempo e outro espaço.

E hoje, ainda que eu olhe a mesma calçada, já não vejo mais o mesmo, pois o mesmo não é mais o que era. Hoje, somente mais do novo. Do que eu quero, do que eu busco e do que eu faço. Mas não há futuro sem passado e é muito bom ter histórias como as das noites que vivi lá naquela calçada. O que levo comigo são aqueles sorrisos, aqueles amigos e a nossa esperança de jovens de acreditar sempre que tudo vai ser sempre melhor.

E tudo isso eu penso… Enquanto caminho em alguma calçada por aí…

Nove de março

Fica difícil não me repetir quando tenho uma musa que mereça tantas palavras que venham do fundo do meu coração. Ainda que eu me repita, não posso conter as palavras que querem sair de dentro de mim.

O dia da mulher é comemorado em 8 de março, mas foi no dia 9 que eu me descobri uma deusa.
Dia 9/03/2012, 16:01 horas, Tijuca, Rio de Janeiro. Foi assim que ela veio ao mundo pra me fazer naquele exato minuto sentir uma coisa que nunca tinha experimentando antes na minha vida e que eu não sei se é possível sentir igual. Foi naquele minuto que eu ouvi o choro dela pela primeira vez e a senti em meu braços, e a vendo instantaneamente parar de chorar e se aconchegar no meu abraço de mãe, foi aquele o momento mais incrível da minha vida!

Já se passaram dois anos desde a primeira vez que ela respirou!
Antes já era amor, foi uma preparação, foram chutes, pontapés, foi ouvir seu coração batendo em todos os exames, foram muito enjoos, foram milhões de pensamentos de como seria a vida quando ela chegasse, ansiedade ao ver suas roupinhas e as coisas que se transformavam na casa para aguardar a sua chegada. E agora já se foram dois anos e ela TODOS OS DIAS aquece a minha vida com esse mesmo amor.

Minha menina aprendeu a andar, falar, comer sozinha, escovar os dentinhos. Já gosta de se pentear e calça os meus sapatos, se aventura a brincar com a minha maquiagem e ri de si mesma quando se olha no espelho toda linda. Seu vocabulário é extenso e ela gosta de subir e descer degraus sem ajuda.
Eu não consigo explicar a maravilha que é assistir ela crescendo e evoluindo dia a dia… Não sei explicar esse sentimento que dói de tão imenso. Que saudade é essa que sufoca quando nos afastamos mesmo que por algumas horinhas.
É um amor que eu não quero que acabe…

Eu aprendo todos os dias com os meus erros e com os meus acertos e eu aprendo todos os dias ao lado dela. Com cada sorriso, cada gesto, ela me ensina com a sua simplicidade e inocência. Nos erros ou nos acertos… A gente só precisa sentir, admitir, corrigir e seguir em frente! Que eu possa sempre ensinar e aprender com ela e que seja simples e cheio de verdade.

Hoje é o dia dela, talvez ela nem entenda, ela não pede e não exige nada, o que ela precisa é de abraço, de beijo e de amor.
Nossa festa é cotidiana, é acordar juntas, caminhar de mãos dadas, brincar com os cachorros da rua, correr, escorregar, pular sem parar, cozinhar juntas, espalhar brinquedos pelo chão, inventar coisas, resignificar objetos, cantarolar, adormecer abraçadas. Nossa festa são as coisas impagáveis que vivemos.

Não podia imaginar que minha vida ganharia tanto valor com um nome de três letras.

Seja sempre bem-vinda filha, como você foi desde o dia em que te descobri, como te falei desde a primeira vez. Bem-vinda minha filha!

Meu melhor presente por toda a minha vida.

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