O menino que ganhou asas

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Fé, frio na barriga e espírito de aventura, era tudo que ele carregava no coração e era tudo o que ele demonstrava a quem superficialmente o via.

Uma cabeça como poucas que já se tinha ouvido falar naquele lugar, ele não sonhava demais, apenas realizava tudo. Não havia mais nada no mundo que fosse capaz de desacelerá-lo. Ele aprendeu voar.

Ganhava as noites e as ruas pertenciam e ele como a verdade não pertence a ninguém. Não se decifra seu sorriso e nem seu coração. Ele é um insulto a capacidade rasa de compreensão dessa gente. Ele é daqui, mas nunca pertenceu a esse lugar.

Ele se expressa através do som, da música. Ele fala, mas não só com palavras. Nem todo mundo é capaz de decifrar a alma.

Ele não! Não é só aquilo que poucos puderam ver e por trás daquilo ainda há um coração. Ele guarda para poucos, muito poucos o melhor de si.

Ainda cedo ele descobriu que a liberdade da sua mente tinha um preço, a solidão intelectual. Descobriu que quem voa muito alto, nem sempre é possível voar acompanhado.

Asas pesam muito para corpos fracos e mentes rasas.

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Caducando

Só me dê um tempo pra eu ver se o tempo passa em mim, ao passo que descubro onde levarão meus passos sem tempo.
Me dê um tempo para que eu pense pensamentos vagos que querem se preencher ao longo do tempo.
Então quero um tempo, um tempo que não passe como o tempo passado que não me deu futuro.
Corro atrás do tempo, que é tempo de viver sonhos mortos prematuros.
Queria só um tempo, pra concertar no tempo os erros que tempo nenhum é capaz de apagar.
Mas já que não há tempo, que possa eu construir em um novo tempo um lugar seguro.
Só sei que ainda há tempo, e hoje é dia de viver, e que o tempo não passe sem que eu seja nele um ser mais maduro.
Viva a vida em todo tempo.
Tenha tempo para fazer o que não deu tempo.
Seja tempo para ouvir o que for acalento.
Ganhe tempo pra distribuir ao longo do tempo.
Seja vida, seja viva e não se sujeite a tudo na vida.
Não seja sujeito o tempo, nem me sujeite eu ao tempo, mas seja eu o sujeito decisor do meu tempo.
ImagemFoto: http://www.flickr.com/photos/leylaguimaraes/6661115491/sizes/l/in/photostream/

Cálice

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Mostra o que não é pra esconder o que sempre foi.

Mente sobre o que já fez pra apontar quem repete seu feito.

Aponta do outro o primeiro tombo enquanto sente a dor de joelhos calejados de se arrastarem no chão.

Mente sobre o que que quer pra não demonstrar o que sempre quis.

Forja um outro eu pra não ter que se ver mais no espelho.

Julga, fala, aponta e condena aquele que uma vez caiu do abismo que você costuma habitar como lar permanente.

Mostre a sua cara, a verdadeira, ou então se cale.