Identidade


Cada gota d’água que se desfaz é importante. Nenhum acontecimento natural ou não pode ser ignorado. Na constituição do ser, cada pequena partícula é crucial.
Todo momento que vivemos é responsável pela construção da nossa identidade e alteridade. Não fossem as experiências empíricas, filosóficas, teóricas, hereditárias, nós não seríamos nós, eu não seria eu, e é impossível que as experiências sejam as mesmas. Ainda que irmãos gêmeos cresçam na mesma casa, nunca serão capazes de enxergar o mundo pelo mesmo ângulo, cada um assistiu a mesma coisa pelo próprios olhos. Quando pensamos profundamente em nós, estamos sós, pois por mais que haja pessoas com pensamentos semelhantes aos seus, ninguém é completamente igual, a começar pelo próprio corpo.

Tivesse eu acordado mais cedo na manhã do dia 24 e me lembrado de pegar o guarda-chuva antes de sair, não teria me molhado e ficado gripada. No mesmo dia, Mariana descia as escadas apressadamente, tropeçou e torceu o pé, enquanto Júlio dirigia a 40 km/h, parou na faixa de pedestres para uma turma de estudantes…

Os atos às vezes parecem repetidos, mas os pensamentos são mais rápidos e muitas vezes indecifráveis. Certa vez, assistindo um programa na TV, vi uma reportagem com a Íngrid Betancourt, que foi sequestrada e viveu seis anos na floresta com os guerrilheiros das FARC, na reportagem ela falava sobre como viveu os anos de cativeiro e disse uma frase que nunca esqueci “Nem a pior das ditaduras é capaz de calar o pensamento”. Sempre que penso nessa frase, fico tentando imaginar a experiência de Íngrid. Nunca saberei o que realmente ela viveu, ainda que eu revivesse cada minuto da história dela, eu nunca estaria em seu pensamento.

Una, essa é a definição de cada identidade. Como se costuma dizer por aí “eu não estava na pele” de ninguém, nem na pele e nem na cabeça. Antes de fazer qualquer juízo de valor, deve-se pensar um pouco sobre isso, apesar de nunca estar vendo o mundo pelos olhos das outras pessoas, eu não saberia quem sou se não tivesse o outro para. O meu eu – individual só pode existir com o contato do outro.

Antes de criar rótulos para qualquer coisa, devo me lembrar que o rótulo é uma criação minha e não o que as coisas realmente são. Se eu uso um óculos azul, vou enxergar o mundo azul, mas isso não quer dizer que ele é dessa cor. Por mais que não se viva no corpo e na mente de outro alguém, permita-se observar um pouco mais. Lembre-se ainda que você por mais que seja uma essência, também sempre será visto como e pela aparência. Procure ser coeso entre ambos. O que o mundo enxerga são seus atos, não suas filosofias.

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