Coração Valente

Nesse clima de mudança, mexendo em papéis, revirando coisas da casa, me deparei com a lembrança que 7 anos atrás descobri a gravidez, nesse mesmo fim de julho.
Lembrei do caminhão de emoções, era uma mistura de medo, amor, insegurança. No meu primeiro exame, aquele onde ouvi o coração galopante dela com apenas 8 semanas e uns milímetros, descobri a força que ela tinha e recebi também a notícia de que ela estava em risco.
Menos de uma semana que eu soube da existência dela e o médico me descarrega a notícia de que eu poderia perdê-la. Sentei no estacionamento do hospital, liguei pra minha mãe, eu chorava muito. Ela me acalmou e disse que ia ficar tudo bem, que eu não iria perdê-la.

Lembro de chegar em casa, me olhar no espelho e falar com ela, nem sabia ainda se era ELA, mas era meu bebê. A gente começou a conversar desde cedo. Tomei progesterona por alguns meses e ela ficou bem. Tudo se desenvolveu normal.

Quando ela estava na barriga, cantávamos parabéns pra ela toda noite, só assim ela parava de se mexer, quando ela nasceu e veio chorando pro meu colo, cantei parabéns, ela reconheceu minha voz e se acalmou.

Falo com ela todos os dias, mas hoje sou eu que me acalmo a ouvir a voz dela.
Feliz 7 anos que te descobri.
Obrigada por me escolher.
Te amo.

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Início de semana

É segunda-feira, acordei pouco antes do despertador me avisar. Levantei com a lerdeza costumeira e fui preparar meu café, me perdi quando não encontrei a mesa para sentar e me lembrei que eu e Duda Ribeiro tratamos de movê-la ontem a noite. Sentei no sofá, comi, fui tomar banho cantando alto. Antes de sair de casa lembrei do livro novo que a Clara Rodrigues me deu ontem e coloquei junto com o roteiro que eu tinha que decupar para a aula de mais tarde dentro da mochila. Caminhei cantarolando até o metrô, me sentei e logo tirei o papel da bolsa para escrever, uma senhora surgiu e me levantei para ceder o lugar e continuei escrevendo em pé. Terminei e fui guardar o papel na bolsa e tirei o livro, quando abri feliz para ler a primeira página, me dei conta de como fui idiota em não fazer isso ontem, na primeira capa do livro uma dedicatória dizia “Que onde você encoste seu barco seja luz. Que tudo que toque seja amor. Você é incrível! Te amo, beijos. Foi uma mistura de OOOOWNN com PUTZ! Como não vi isso antes?.
Com os fones bem ligados comecei a viajar pelas páginas do livro da Rupi Kaur, mega entusiasmada e distraída, sim!, eu leio ouvindo música instrumental e isso só me ajuda, mas não observo nadinha do redor porque considero o metrô um lugar seguro. Na página 35 fui interrompida, um rapaz que percorria o vagão pedindo dinheiro me surpreende com uma flor de mato (nenhum capim sublime, conheço de longe o cheiro de mato ) me sorri e fala “Pra você”. Eu sorri de volta após o milésimo de segundo que demorei para processar o que estava acontecendo e agradeci. Ele aponta para a minha tatuagem recém- pintada e pergunta se e é nova, eu respondo que sim, alguns dias. Ele sorri e diz que gostou, se vira e vai. Eu sorri e voltei pro meu livro. Algumas pessoas por perto sorriram também, talvez apenas por reflexo de seus neurônios espelho.
Desci do metrô com o livro, a flor, a música e o sorriso.

Comecei a semana, já valeu a pena!

Antes das 11h da manhã

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Ainda faltava um tanto para às 11h da manhã
Eu tinha horário marcado às 11h
Sentei na padaria para tomar um café
Fui fazer hora
Da hora que ainda não estava feita
Porque faltava ainda para às 11h.

Na única mesa disponível
Eu me sentei de frente para a rua
Logo na frente do semáforo
Onde param os carros ai sinal vermelho.

Enquanto bebo os goles desse café morno
Observo os vidros abertos e fechados
Mais fechados que abertos
É julho, e no Rio, 21ºC
Está frio, pelo menos para nós.

Vi o senhor de cabelo branco
Que conversava com a senhora do banco do carona
Eu não sei o que diziam, mas sorriam.

Vi o taxista careca e de óculos
Que com os olhos distantes encarava a tintura do carro ao lado
Não sei o que o tinha o reflexo, mas ele refletia.

Do outro lado da rua, a moça do cross fit levanta um ferro pesado
Duas esticadas do braço e sentiu a lombar
Até eu senti
O peso parecia mais pesado que ela.

No vidro fechado do ônibus, o rapaz de casaco vermelho se encosta
No banco de trás o moço de fones de ouvido observa o celular
Não sorri, nem reflete
Só assiste com a cabeça inclinada para baixo.

Na calçada do lado de cá, um moço empurra um carrinho
Parece de bebê, mas era um cachorro
Eu sempre vou sorrir com a mordomia dos bichinhos
Vida de cão, num dia frio antes das 11h da manhã.

Quando o sinal abre, o trânsito flui e todo mundo passa
Não dá tempo de observar
O carro da frente acelera e puxa o outro
Que puxa o outro e o seguinte.

Eu contabilizei, são 50 segundos de sinal fechado
50 segundos de sinal aberto
Estou sentada aqui há um pouco mais de 20 minutos.

Mais de 1000 segundos de vida entre um sinal e outro para observar e viver
Outros 1000 segundos onde tudo sexo o fluxo
Às vezes  quem veio depois corre, ultrapassa o sinal.

Agora chove frio
O café no fundo do copo já está gelado
Falta menos do que faltava para às 11h.

Fiz minha hora em uns 20 e poucos minutos
Vou pegar os sinais do meu caminho
Para parar e seguir
E seguir lembrando de parar.

Parar para ver a vida acontecer
Sendo extraordinariamente ordinal
Ritmada pelos intervalos dos sinais verdes e vermelhos.

Entre os sorrisos com o carona
Os pesos mais pesados que nós mesmos
O cansaço pra encostar ou para assistir
Os reflexos que nos fazem refletir
Ou no aconchego de um mimo.

A vida acontece enquanto eu faço hora.

As minhas Copas

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No primeiro dia de jogo do Brasil na Copa desse ano eu comprei um pack de cerveja, caso alguém viesse aqui pra casa ou caso eu fosse assistir o jogo em algum lugar, um pack com 6 cervejas, e hoje, resolvi tomar a terceira, isso mesmo, só hoje, e ainda hoje, e na verdade, ainda agora, 22h. Então já aviso que esse texto nem está e provavelmente nem será revisado.

Eu bebi menos de um garrafa 343ml de cerveja e já me sinto bêbada o suficiente para vir me confessar aqui, então notem o meu nível de resistência ao álcool. Ao longo da última semana eu escrevi uns 8 textos, não tive paciência, tempo ou vontade de sentar para revisar e digitar nenhum, e justo às 22h dessa sexta de eliminatória resolvi sentar aqui no computador para escrever.

Enquanto eu bebo essa cerveja me sentindo um pouco dormente e flutuante, logo após ter terminado de jantar, comecei a me lembrar do que eu me lembro (parece estranho né? Mas meus pensamentos sempre me soam confusos também).

Hoje, dia em que o Brasil  foi eliminado dessa Copa do Mundo de 2018, eu assisti o jogo ao lado da minha ex-sogra e meu ex-cunhado e também da minha filha, inclusive foi por causa dela que fui assistir o jogo (eu não assisti nenhum outro), ela queria se vestir e torcer, e como vai ser a primeira Copa que ela vai se lembrar eu me lembrei das minhas outras copas.

Em 2014 assisti o 7×1, mas foi tão rápido que nem consigo lembrar com precisão do que aconteceu, antes que eu buscasse uma pipoca na cozinha já tinha desandado tudo. Assisti os jogos na casa do Daniel, que era namorado da Lara, que era minha estagiária que eu havia conhecido naquele ano no trabalho novo. Hoje, Lara e Daniel estão casados e olhe só… Fui eu que celebrei o casamento deles. Fiquei feliz com a lembrança daquele 7×1, quem diria… Hoje aquele apartamento é o lar do casal que faz parte da minha história tanto quanto eu faço parte da história deles.

Em 2010, lembro muito bem o dia que o Brasil perdeu para a Holanda também nas quartas de final. Eu passei o jogo inteiro sentada na minha mesa (vulgo baia), na Esplanada dos Ministérios, tentando controlar uma crise de nervos. No final do jogo cheguei na sala da minha chefe e pedi demissão. Foi uma decisão muito difícil, todos me olharam espantados.  Eu estava lá há dois anos, tinha um emprego estável, não ganhava mal para uma pessoa tão jovem, era querida por todos. Eu tinha abandonado a faculdade de administração e tinha começado a estudar comunicação no ano anterior, estava saturada de toda a rotina do trabalho burocrático no meio público. Minha chefe se preocupou, mas me apoiou. Hoje eu a chamo de mãe, mesmo não morando mais em Brasília, sempre frequento sua casa, me sinto parte da família. Ela esteve ao meu lado em vários momentos da minha vida e tudo isso eu devo aquela oportunidade de ter estado ali. Mesmo que tenha deixado tudo para trás no dia da eliminação da Copa. Eu comecei no mês seguinte a trabalhar com comunicação e não parei nunca mais.

De 2006 eu tenho pouca ou quase nenhuma memória sobre a Copa, lembro da cabeçada do Zidane, lembro de Felipão, e graças ao amor do meu irmão pelo futebol e pelos vídeo games eu me lembro dos nomes de Buffon e Thierry Henry, esses eu nunca esqueci e deve ser só. Eu estava no auge da minha adolescência rebelde e eu não assistia muita coisa da Copa, mas foi nesse ano que eu assistia Lost.

2002 foi um ano muito marcante na história da minha vida, e teve Copa, e eu lembro perfeitamente de comemorar o penta. Não me lembro por qual motivo, estávamos só e eu e minha mãe e no final do jogo fomos para a praça da cidade onde todo mundo se reuniu. 2002 foi um ano muito LOKO. Meu pai havia morrido em fevereiro, a Copa foi logo em seguida, os jogos eram de madrugada, me lembro de assistir a abertura com toda a técnica asiática. Logo após o Brasil conquistar o título vieram as eleições e eu me lembro que o Lula ganhou. Eu cresci com meu pai mega fã do Lula, mas foi estranho ver que ele não viveu para assistir o candidato dele chegar ao poder. Nesse 2018 eu chorei ao ver o Lula sendo preso, não por pena, mas por decepção, por ver o que a sede de poder causa aos homens, cheguei a escrever uma carta que meu pai não vai ler, mas contei pra ele que o Lula ganhou em 2002 e foi parar na cadeia em 2018 e ele não viveu pra ver nada disso.

1998 foi a primeira Copa de que tenho memórias “racionais”, eu tinha 8 anos de idade, lembro muito bem dos jogos, do movimento do pessoal da minha rua, das bandeiras envolvendo os torcedores, de eu entendendo o que era aquilo. Me lembro de todo mundo comentando o título anterior, mas eu era só uma criança. Em 1998 eu tive a coleção toda as ararajubas amarelinhas. Comi pipoca e tomei guaraná e vi o país parar pra assistir a derrota para a França. Depois do jogo eu só lembro que fui andar de bicicleta na rua.

A Copa de 1994 foi, e eu nem lembro o que foi. Só foi mesmo. A gente ganhou, eu sei, me disseram. Eu tenho uma vaga lembrança de coisas daquela fase. A casa que morava (em todas as copas eu morei em uma casa diferente), eu entrando para a escola, o dia em que um prego acertou o meio da minha testa e até hoje eu tenho uma “covinha” no meio da testa graças a isso, foi nessa época que tive a única barbie da minha vida (porque nunca mais tive outra), foi mais ou menos nessa época que eu fiquei doente e quem diria, voltaríamos aqui ao que me levou a começar o texto, graças a uma hepatite lá em 1994/5, eu até hoje evito beber porque o meu fígado nunca será 100%.

E aqui eu vou terminando, porque a Copa de 1990 aconteceu quando eu nasci e eu vou ali ligar pra minha mãe pra perguntar como foi minha copa recém nascida.

Se você leu essa descrição das minhas poucas Copas e se sentiu velho porque se lembra muito do Tetra, saiba que assim como você eu também já me sinto velha e acredite você ou não… Ainda nem tenho 30 e nos últimos meses tenho aprendido a aceitar que minha cabeça está quase toda branca, e mesmo todo mundo rindo e dizendo que não ninguém vai reparar porque eu sou loira… Eu reparo… E já é o bastante…

Se você leu isso e tá se achando um bebê porque mal lembrou da sua Copa de 4 anos atrás… Parabéns… Colecione histórias, a vida só vai andar para frente.

Escreva sua copas, sua vida, conquiste seus títulos, faça seu jogo, entre em campo, lute e se não der nessa partida, segue o baile que a próxima vem!

Meus cumprimentos semi-embriagados com uma longneck.

 

 

 

Postei

Tem um tempo que eu não escrevo, estou até estranhando a textura da caneta no papel. Será que devo pegar o computador para digitar? A mão é mais lenta que o pensamento, e enquanto eu desenho e reparo essas palavras nesse papel, me perdi na velocidade que as ideias passam pela cabeça.

Queria contar tudo que tenho aqui dentro, mas tudo é muita coisa e talvez muita coisa seja melhor digitar, porque eu digito sem olhar para o teclado. O botão de apagar não deixa rasuras como essas aqui em caneta azul. Ninguém vai descobrir se editei mais de 5 vezes o mesmo texto.

Aprecio esse barulhinho da passagem das páginas, é um som que parece anunciar algo novo. Pode ser uma página em branco todinha para mim, pode ser uma página não lida que vou descobrir, às vezes redescobrir ou reencontrar, sei que gosto.

Percorro as páginas de uma história, as que escrevo ou as que leio. Relembro as páginas que marquei e as que me marcaram.

Já foram tantas frases grifadas, tantos papéis preto no branco que ficaram cheios de cores. Me encontro e me redescubro em textos antigos. Folhas suave ou intensamente rabiscadas, às vezes toco minhas marcas.

Tomo nota de tudo quando fico em silêncio. Sou capaz de escutar tanto e tão distante, que consigo ouvir até dentro de mim, viajo nas profundezas dos metros quadrados do meu quarto entulhado de coisas e da minha vida nada rasa de símbolos.

Eu me escrevi em folha de papel, rasurei, falhei.
Irão descobrir?
Mas e daí?

Vim me confessar
Sou imperfeita
Sou resultado das rasuras que me marcam.

Eu estou aqui revisando meus pensamentos e concluindo mais essa edição, me passo mais uma vez a limpo. Meus pensamentos analógicos, digitalizados na velocidade que eu disponibilizei.

Ih, vou postar a versão final de algo que não acabou.

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Deságua

Oi, tem tempo que a gente não se fala. Não que eu não quisesse..
Esses dias eu até me lembrei de você, nem era dia, era noite, madrugada…
Daquelas que tinha as horas que sempre passávamos juntos, meio acordados, meio dormindo. Nunca 100% lúcidos.
Escolha voluntária pela expectativa positiva e sorriso. Tempo enxergado em partículas, tudo era tanto e simples.
Nossos olhos seguiam os detalhes
e cada ponta dos dedos era condutora de um tsunami que vive dentro de você.
Tudo e tanto e em tão pouco que parecia demais. Que nem sei se foi demais ou de menos. Só vivi o que foi.
E foi.
Se foi.
Até quando?

Quanto tempo a tormenta da sua onda demora para completar a volta ao mundo e voltar a me atingir?
Que peso dos destroços das suas águas passadas você traz pra me afogar?
Eu fluo como um rio e aqui tudo passa, até o que transborda.
Percorro os meus caminhos.
Sigo.
Vai que um dia em volte desaguar em ti e o encontro das nossas águas escoem pra um outro caminho.

Eu torno a fluir.

Eu sou o sucesso de um time

Tenho passado por um processo de transição imenso. Atribuí muita coisa ao meu lindo retorno de Saturno, amadurecimentos, novas buscas, coisas que estou deixando para trás.

Eu percebi que uma ciclo está se encerrando e outro começando na minha vida. Por ser uma pessoa muito pé no chão, tenho sempre um pouco de dificuldade de lidar com esses processos de transplantação, de mover as minhas raízes que estão crescendo, para um vaso ainda maior, onde eu vá crescer para cima, e possa dar cada vez mais flores e frutos.

Tive uns dias de olhar muito para dentro, tentar silenciar e entender, refletir sobre tudo o que está acontecendo e tudo o que precisa acontecer. Tive que buscar coragem, força e principalmente agir.

E as coisas estão acontecendo, os resultados estão aparecendo, as reações das ações estão aí e quanto mais coisas acontecem, mais coisas eu penso sobre tudo isso.

Tenho me dado conta que sucesso está muito relacionado à pessoas, pois hoje, mais do que nunca, entendo que ninguém vive sozinho. Somos seres sociais e que a escolha dessas pessoas que nos cercam, influência nas experiências que vamos viver e o que com elas vamos aprender.

Tenho aprendido a aprender com todo mundo que está ao meu redor, mas também fiz a escolha de selecionar melhor as minhas parcerias para as diversas áreas da vida.

Tenho entendido cada vez mais a diferença entre o grupo e o time, e como capitã da minha vida, tenho trazido para o meu lado pessoas incríveis que têm fortalecido muito o meu jogo na vida. De mãos dadas a gente tem entrado em campo para buscar um objetivo comum, entendendo e aceitando o papel de cada um.

Fortalecer uns aos outros, apoiar, ouvir, acreditar, questionar, trocar conhecimentos, incentivar, fazer feliz e ser feliz. Doando amor, em qualquer gesto.

Com sorriso, suor, lágrimas, mais suor, ideias, planejamentos, criações, tenho me orgulhado muito do meu timão e dos nossos resultados.

Eu não sou o que eu sou sozinha e como se diz na linda filosofia Ubuntu, EU SOU PORQUE NÓS SOMOS.

Gratidão!31698867_1692714814129759_1697993678133395456_n

Por elas

Eles querem que a gente suba nos saltos, mas não pise nas tamancas.
Eles querem que a gente seja bela, mas não pra nós mesmas.
Eles têm medo que as nossas vozes se igualem as vozes deles.
Eles querem nos ver por baixo.

Mas a gente se reúne, a gente se abraça, a gente se apoia e a gente luta junta.
A gente se sustenta e a gente se ergue.
A gente escolhe alguém que seja a voz das nossas vozes. Querem calar uma, querem calar todas nós.

Querem dizer desde pequenas quem devemos ser. Querem nos impor, nos diminuir, querem menosprezar o nosso agir, querem nos dividir e nos emudecer.

Mas silenciosa não será a nossa revolução.
Nos vamos falar, nós vamos ensinar, nós vamos educar. Nossas filhas, nossas meninas, nossas ideias, nossas criações e crias. Nosso futuro vai chegar.

As deusas do agora, as donas de suas histórias. As mulheres que gritam pelo direito de serem livres, felizes, por viver e pela vida. Vida digna. Vida nossa, vida de quem sai da gente. Vidas humanas valorizadas pela riqueza de ser quem são. Pelo direito de ser quem são.

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26 de fevereiro

Hoje é uma daquelas datas de aniversário estranhas. Não tem parabéns, não há comemoração. 16 anos atrás eu me despedi do meu pai. Como 16 anos passaram assim?

Essa não é uma história triste, não é um drama, é só mais uma história, como as milhões que acontecem todos os dias por aí, mas é a minha.

Hoje eu tenho consciência que boa parte das minhas memórias podem só ser coisas que eu selecionei para escolher qual personagem meu pai seria na minha vida. Eu tinha 11 anos quando ele morreu, eu era uma criança! É muito estranho pensar que eu já vivi mais a minha vida sem ele do que com ele, e ainda assim ele é um personagem tão presente.

Meu pai gostava de Raul Seixas, essa é uma das minhas memórias. Quando eu paro pra escutar Raul, eu penso nele. O meu gostar de Raul talvez seja influência dele. Parece que quando penso que ele escutava Raul, eu penso que a gente tem um gosto em comum, que meu pai talvez tivesse todo esse lado mais maluco e rebelde que dizem que eu tenho.

Tenho outras memórias, às vezes parece que elas somem e outros dias elas surgem fortes. Como eu disse, é um dia estranho, eu não comemoro, mas eu lembro. A saudade, óbvio, bate, dói. Lembro dos nossos abraços, das nossas brincadeiras, do humor eu lembro das agendas dele, que às vezes ficavam em cima da mesa, cheias de cálculos, números, nomes. As manias, as coleções, nossos finais de semana no estádio de futebol ou no parque. Lembro quando ele comprou a primeira bicicleta e ele andou nela pra mostrar como era. Ele parecia um gigante naquela bicicleta pequenininha, foi engraçado.

Eu lembro dele com algumas coisa que vejo em mim, alguns contornos do meu rosto, o meu jeito de sorrir. Tem sempre uma parte do meu pai vivendo em mim.

Continua tocando Raul enquanto eu escrevo, e ele fala do início, o fim e o meio. Nós vivemos todas as partes, tudo acabou cedo e a vida tá andando cada vez mais rápido, mas duas coisas não passam… O amor e a saudade!

Pai, eu nunca me esquecerei de tentar outra vez e mais outra e mais uma.

Odisseia dos círculos

O homem deve ter inventado a roda depois de olhar bem fundo nos olhos de alguém
Deve ter sido encanto enxergado no infinito de uma alma que tem janela
Os buracos negros que se escondem no fundo de cada olhar
O mistério em descobrir onde começa e onde termina o meu e o seu universo particular.

Deve ter sido com atenção
Com tempo
Com minuciosidade.

O homem animal se fez arte
E desenhou na parede círculos como olhos
Esculpiu olhares em forma de roda
Sentiu tudo girar.

Foi olhando nos olhos que o mundo evoluiu!

Redondos os glóbulos, as cabeças e os planetas
Redondas formas que compõem o universo
Nossas digitais impressas pelo mundo.

Os passos em uma valsa
Um filme dentro de uma lata
Um disco fora da capa.

As canetas esferográficas
Os anéis de compromisso
Os nós que insistem e ficam.

As entradas de um cenote
O contorno da Lua cheia
Uma antena parabólica
E as escotilhas para um paraíso.

Nossos círculos sociais
Nossas rodas de conversas
Os giros que vida dá.

Redondos os núcleos, caroços e interiores
Redondas flores, frutos e sementes.

As galáxias
O tudo
E os olhos
Que enxergam o mundo de maneira diferente quando olham com profundidade uns para os outros.


Perdeu

Me perderam os que não souberam me amar
Os que me deixaram só
Os que não sabiam estar ao meu lado
Todos os que respondiam minhas palavras com profundo silêncio
Os que se omitiam, negligenciavam.

Me perderam os que não faziam mais sentido
Pois não tem sentido se não faz sentir
Se não tem mais olhos nos olhos
Se não tem mais toque na pele
Se não tem sabor conhecido nos lábios.

Se as palavras de carinho, admiração, afeto e amizade se dissiparem
E se nem mais o cheiro que tinha eu me lembrar
É porque tudo que era já deixou ser .

Se perdeu de mim
Me perdi de você
Nos perdemos
Nós perdemos

Eu não encontro mais você

Como é que faz tanto tempo e ainda dói como se tivesse sido ontem?

Eu acordei repetindo isso pra mim depois de sonhar com algo que lembrou você e perceber as lágrimas inundando meu rosto.

Como eu posso passar tanto tempo sem lembrar e ainda assim me deparar com um vazio e com essa ausência que me dói?

Pior ainda é me dar conta que ela vai doer pra sempre em todas as vezes que eu esquecer e lembrar.

É sempre estranho descobrir que você não está mais aqui. Eu volto pra nossa casa, volto pro nosso parque, volto pro estádio de futebol, mas eu nunca volto no tempo e nada me traz você outra vez, mesmo você estando em tudo isso.

Foi estranho acordar e perceber que você era tanto sorriso e um dia veio morar no meu choro.

Ainda que eu me lembre do seu abraço, e eu me lembro muito dele, eu retorno à ausência que ele deixou, na falta que ele me faz. Eu volto pra dizer pra mim que eu nunca mais vou encontrar você.

Eu não te encontro nem nos meus sonhos. Eu tento, mas não te encontro mais. São apenas sinônimos, avisos, talvez até lembretes, mas nada mais é ou será você.

Parece que foi ontem quando essa dor chega pra sufocar meu peito, mas só parece

Sou só eu e essa dor, essa saudade e esse vazio, que sem procurar, eu vez ou outra encontro.

Você já não é mais, porque eu não sei se alguém é o que já foi sem nada mais poder ser.

E se “sempre” fosse só “agora”?

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Eu não quero pensar em pra sempre, porque o sempre é uma escolha também.
Mas eu queria que por um tempo, a gente se gostasse de um tamanho maior que os nossos medos, vaidades, egoísmos e nos esforçacessemos pra juntos sermos um pouco mais felizes, no tamanho de um sempre limitado.
Que a gente fosse capaz de sentir o mesmo amor que a gente sente pelas pessoas boas da rua, de maneira mais próxima em nós dois. Que a gente se descobrisse em águas mais profundas.
Que a gente parasse de correr na direção dos abismos que nós criamos para nos julgar salvos de tudo que incomoda o que nos acomodou.
Que fosse a gente o endereço do abrigo em que o outro encontra refúgio. Nos fízessemos de casa para que quando o outro decidisse vir morar, encontrasse a porta aberta e aos poucos trouxesse sua mobília e começasse decorar.
Eu iria explorar as palavras do vocabulário para soletrar o seu sorriso.
Eu me lembraria de parar pra olhar uma flor e enxergar nela a beleza que é existir.
Eu ia querer sentir o calor da luz do sol nos seus abraços.
Eu enxergaria o brilho da luz das estrelas no seu olhar dentro do meu.
E tudo isso eu nem espero que seja um sempre, mas que enquanto o sempre for agora, que você deixasse acontecer.

As histórias que escrevemos

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Eu estava aqui pensando sozinha essa hora da noite, sentada com os pés sobre o banco, olhando para os móveis da sala, analisando aquilo que estou cansada de enxergar e conhecer. E é dentro dessa mesmice que eu me encontro com você.

Hoje eu te reconheci no cheiro de um incenso, foi estranho e lindo. Eu pensei um outro “talvez“, um “e se‘, até me convenci de um “nunca vai ser“.

Depois eu parei pra escrever. tentando não esquecer, que as tantas histórias que escrevemos, entre tantas novidades, podem desaparecer. E eu penso nos textos que eu vomito pro mundo, tornando um pensamento livre em um prisioneiro das minhas palavras e eu te prendo aqui de novo, numa história escrita nova. E na escravidão da minha lembrança, eu me liberto na minha palavra. Aquela que raramente eu releio ou revivo, mas que de algum modo eu sei da existência, afinal, nasceu de mim, já foi um pedaço meu.

Cada vez que você renasce nos meus pensamentos, eu te vivo, te sorrio, eu te perco, você morre e eu volto a te enterrar com pontos finais.
Cada vez eu te deixo a lembrança que das histórias que a gente imagina na vida, nenhuma surpreende mais do que a vida que a gente segue escrevendo com histórias.

Sobre escolhas e crenças

Saí de casa hoje de manhã, alguns passos até a esquina e no encontro das ruas ventava muito.Percebi que de todas as árvores caíam folhas e flores. Com uma velocidade muito grande o vento as arrastava pra longe, cada vez mais longe.

Observava o movimento que faziam no chão, indo embora de perto das árvores de origem. Amanhã elas já não serão mais folhas, nem flores. Elas se soltam, se desprendem, se vão. E o vento vai levando daqui, trazendo dali.
Algumas ruas à frente e ainda o vento, o mesmo vento, que soprava muito forte, quase me empurrava, fazendo com que eu me sentisse contra. Mas eu precisava seguir aquela direção, mesmo que o vento tentasse me dizer o contrário. Eu resisti. Resisti à força do vento, eu fui contra, mas segui o meu caminho. 
No cruzamento do sinal mais a frente, parei. O sinal estava fechado. O vento ainda ventava, eu segurava o meu vestido. Um moço parado ao meu lado. Seu trabalho? Varrer a rua. Ele olhou para um lado, olhou para o outro, me pediu licença e continuou a varrer. Parecia que quanto mais ele tentava juntar todas as folhas e flores, mais o vento as espalhava, mas ele também não parou, ele fez o que tinha que fazer. Muita gente poderia pensar que ele perdia tempo, e que eu andava contra o vento, mas eu, ele, as folhas e as flores… nós fizemos o que nós tínhamos que fazer.
Eu cheguei ao outro lado da rua, peguei o metrô e sentada nesse banco eu escrevo esse caminho. O moço seguiu varrendo a rua. As flores e as folhas conheceram as ruas longe das árvores, onde presas, elas jamais iriam. Amanhã elas serão folhas secas ou não serão mais nada. E quem vai dizer o que era certo ou natural?
Cada um de nós no seu caminho, na sua direção, cada um em seu destino. Nossas escolhas, nossa força, nosso desejo de resistir, de insistir ou simplesmente de nos entregar ao vento.

SER.ei.de.SER

Amar foi igual capotar um carro em alta velocidade. Perder o controle, acelerar sem ter certeza do que fazia, Tomando consciência do perigo, e ainda assim, chegando mais perto da beira do precipício, repetindo para mim mesma que conseguiria, mas é aí que vem a queda, e eu caí de cabeça, tudo gira. O corpo dói, se contorce, uma dor física, real, empírica. 
Aos poucos tomei fôlego para tentar ficar de pé novamente, fui tentando andar e surge uma mão estendida, acreditei , levantei pra caminhar. Eu era a alegria de quem tem uma nova chance. A mão que se estendeu, me arremessou de volta pra quele buraco, só que dessa vez mais escuro, e no escuro tudo fica maior, a profundidade, a dor, o medo, mas eu caí.
Eu caí em pedaços.
E eu estou aqui, vou catar cada pedaço que sobrou de mim, Vou me compor.

Eu vou compor de novo, me REcompor, me reescrever e criar uma nova versão de mim. Eu vou ser um novo eu. E nesse novo eu que vou ser nem tudo será como antes. Nem tudo vai, SER. Nem tudo que um dia eu fui, eu voltarei a SER. 
Eu hei de ser, um novo eu.

Eu vou andar até que eu me encontre nas muitas que so(bro)u (d)eu.

A melhor versão do felizes para sempre!

 

Os contos de fadas contam o início de histórias românticas, não narram os meios e os fins, mas descrevem a vida como um felizes para sempre.

O desenrolar desse -sempre- deixa margens pra interpretações. A vida é movimento contínuo, estamos nos transformado o tempo todo, como indivíduo, sociedade, cultura etc. Já dizia Cazuza que o tempo não para.
A versão dos contos de fadas nos faz acreditar que as nossas relações que não necessariamente durem “pra sempre” foram fracassadas, que não nos estabelecemos como pessoas felizes, que não fomos capazes de fazer da vida a história de um conto eterno, assim sendo optamos por riscar as pessoas da nossa história, rasgar páginas, queimar fotos, matar o carinho, ligar o desrespeito, acionando a indiferença.
E para onde foram todas as páginas escritas? Quando acaba a química não sobrevive a história, a biologia, a geografia? Somos capazes de sacrificar tudo isso e agir como se a vida e as pessoas fossem descartáveis?  
Quando um casal se separa não pode haver carinho, respeito e amizade? Não seria essa a melhor maneira de viver feliz para sempre? 

Quando alguém mantém uma relação saudável não é sinal de um amor mal resolvido, mas sim de um amor do qual você se lembra com carinho, com respeito. É a gratidão a alguém que te ajudou a crescer e amadurecer como ser humano, alguém que caminhou ao seu lado por boa parte do caminho, que te acrescentou coisas boas, que te ensinou com as coisas ruins, que te fez refletir de alguma maneira sobre os seus erros passados, te levando a agir melhor no futuro. 
Alguém que não pode se tornar simplesmente em ninguém. Até pode ser uma página virada, mas não uma inexistente. Somos também o fruto das nossas experiências, das pessoas que cruzaram nossos caminhos. Nós somos soma. Até mesmo do que nos foi subtraído, adiciona-se uma experiência.
Caminhamos para frente, cientes de que atrás de nós existirá um caminho trilhado. O que fica pra sempre tem que ser bom, pra que carregar infelicidade se a alegria nos torna pessoas mais leves? Nós ainda podemos nos abraçar, nos desculpar, olhar nos olhos e agradecer, pois estivemos um ao lado do outro e com isso aprendemos mutuamente. Nossa presença e nossa ausência nos ensinaram. Ainda podemos estar ligados pelos nossos amigos, pela família, pelas boas risadas que um dia demos, pelas histórias em comum que escrevemos, pelos bordões que usamos e que ouvimos por aí. Nós ainda somos um pouco de algo em alguém, muita gente é um pouco do que somos agora. Outros “alguéns” virão, talvez irão, mas ainda assim, serão para sempre.
Amizade é entender e amar com os defeitos, enfrentar as brigas, as diferenças, mas ainda optar por estar lá quando o amigo precisar de nós. Amigo não desiste, te faz rir, é chato, lembra de você quando passa por aquele lugar onde fizeram aquelas coisas divertidas, perigosas ou banais. O amigo se ocupa em cuidar da sua própria vida, mas sempre que pode te manda uma mensagem só pra perguntar se está tudo bem ou te contar uma novidade. 
Amizade é pra sempre, é feliz. É a melhor versão de ser feliz para sempre.

Quando você foi

Fiquei parada de frente pro nada dessa sala, olhei para o teto, para as paredes, e para a janela de frente para a rua. Essas parede nuas guardaram tantas histórias, tantas coisas nossas, tanto riso, choro, barulho, conversas… Já vivemos tantas coisas aqui.

Todos os quadros das capas dos discos do Pink Floyd, fotos dos Beatles e os bonecos do Star Wars. O abajur que podia ter qualquer cor, mas que na maior parte do tempo tinha uma cor só.

Lembro de quando chegou o sofá novo e você cheio de cuidados para eu não fazer nenhuma besteira. Lembro do jogo que você me mostrou, aquele de atirar bolinhas pretas na tela toda branca, eu não faço ideia do nome, mas eu me lembro. E de quando comprei utensílios pra sua cozinha no dia das crianças, o meu primeiro episódio de Breaking Bad, o documentário sobre o acelerador de partículas, com você cochilando, e até o dia que eu fiz sopa de lentilhas pra uma semana. 

Eu já cheguei de dia, de tarde, de madrugada, já saí cedo, já te acordei pra fechar a porta que não se fechava sozinha e já fomos de metrô. Já passamos final de semana vendo TV, enrolados num cobertor e já aproveitamos um dia ensolarado de verão na praia.

Eu tenho tantas recordações suas, coisas que você nem se lembra mais. Você estudou teatro, produção musical, encarou rotina de ponte aérea, perdeu uma, duas, três ou quatro carteiras e dois passaportes, e eu liguei pro posto de gasolina pedindo informações. A tulipa que você trouxe da Holanda, brotou, mas depois secou, eu nunca soube como ela sobreviveu tanto naquela lata. Todos os hiatos, todos os fins de hiatos. Todas as frases que viraram bordões e Todas as músicas que já ouvimos juntos, e que por dias foram meu mantra para me encontrar em algum lugar onde eu estivesse sintonizada a você.

Todos os objetos esquecidos e devolvidos, os desaparecidos e os sequestrados. Todas as nossas conversas, os áudios, as conferências e toques na porta.

 O dia que eu fiquei perto do parapeito da janela e você me contou sobre uma menina da sua infância. O dia que você passava vendo TV com seus pais. As lindas histórias de vida da sua avó.

Você foi assunto pra muitas conversas, pretexto pra muito choro, razão de muita dúvida, lembrança de muito sorriso e conteúdo pra muito texto que eu criei e recriei. Você sempre foi inspiração. Quem foi tanto, nunca vai deixar de ser alguma coisa.

Do lado de fora da porta dessa sala, eu não sei como será a vida, não sei o que pode acontecer, não há garantias, nem certezas, mas eu tenho meus palpites, minhas aspirações, meus pedidos. 

Peço que o mundo seja gentil, que a saudade não castigue tanto, que as lembranças causem sorrisos. Que o vazio que o espelho reflete seja só o do imóvel, jamais o de nossa vida.

 Que você continue a habitar minha história, meus pensamentos e pra sempre, meu coração.

O que você tem?

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Tem alguma coisa nos seus olhos que diz que eu estou seguro. Algum selo de ok pra aproximação.

Tem algo na sua pele que me chama, me quer, me puxa.
Tem a necessidade desesperadora que eu tenho, de sentir o seu cheiro, de tê-lo em mim, em minhas mãos e em meu corpo, a todo momento.
Tem a catarse que eu tenho toda vez que eu observo você distraída, quando olho as suas costas, o desenho do seu corpo, o contorno do seu rosto, o toque da sua boca. É como se você fosse uma miragem.

Tem o desejo imediato da minha boca de percorrer cada centímetro, cada linha, cada curva que você tem.

São os meus braços que se negam a deixar de te envolver, de te sentir de costas pra mim, perfeitamente encaixada, como se não houvesse nenhum outro lugar do mundo que você pudesse estar por todo o tempo.

É o timbre da sua voz mansa, debochada e perdidamente sensual que sussurra nos meus ouvidos.
É o gosto que você tem, isso que só tem em você, esse transe, essa maldição, esse feitiço, esse seu poder.

São todas as vezes que eu digo pra mim que não, mas me “desdigo” só por lembrar de você.

É tudo isso e alguma coisa mais, que não se pode com palavra alguma descrever, mas que eu sinto, desde que descobri você.