Qual o significado da terapia?

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Um espaço físico que representa a conquista de um espaço interno.

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26 de fevereiro

No dia 26 de fevereiro de 2002 ao meio dia a minha casa estava cheia, eram os vizinhos que corriam de um lado para o outro tentando ajudar. No chão da sala estava o meu pai, que tentavam levar para o hospital.

Era pra ter sido uma terça-feira de sol como outra qualquer, minha mãe tinha saído de casa cedo, meu pai tinha saído ainda mais cedo, mas voltou pra casa e tinha passado a manhã deitado em seu quarto.

Pouco antes do almoço, me lembro de entrar no quarto pra falar com ele e reparar que algo estranho estava acontecendo, ele nervoso, pediu que eu saísse. Alguns minutos depois eu escutei a voz dele gritando, quando cheguei no quarto ele me pedia pra chamar ajuda, tentei ligar para os bombeiros, não consegui, corri pro lado de fora, abri o portão, chamei pelos vizinhos, eu repetia aos berros “meu pai está morrendo, me ajuda”…

Todos tentaram ajudar… Mas meu pai morreu.

A Leila que tentou socorrer o pai, tinha 11 anos de idade. A Leila que não conseguiu salvar o próprio pai, tinha 11 anos de idade.

Carreguei isso nos últimos 17 anos da minha vida. Um mês atrás, durante uma sessão da minha terapia eu me peguei gritando falando sobre esse assunto e entendi que apesar de dor, da tristeza e de tantos outros sentimentos que tenho sobre aquele dia, eu sentia raiva…

Raiva pelo que o meu pai fez, por ele ter nos deixado, por ele ter feito eu passar por aquilo como se não se preocupasse por eu ter apenas 11 anos de idade, raiva por como a nossa vida ficou, por como as pessoas nos olhavam, pelos comentários que tive que ouvir, pelos dias dos pais que não tinha pai na escola, pelos presentes que éramos obrigados a fazer.

Eu senti raiva! E nunca tinham me deixado sentir essa raiva antes. Todos me consolavam, pediam aceitação e eu sempre aceitei, mas nesse dia eu senti raiva e eu tinha o direito de sentir, a minha criança machucada precisava sentir e foi libertador.

Nenhum dos sentimentos muda o que aconteceu, nada será capaz de trazer o meu pai de volta, ou apagar a memória das palavras que ouvi, as comemorações incompletas não ficarão completas, mas entender como eu me sinto diante do que aconteceu, me faz conseguir viver melhor comigo mesma agora e foi preciso me permitir sentir e não só o perdão, a aceitação e a superação, mas a raiva também.

Todo ano eu escrevo no dia 26 de fevereiro, hoje não é diferente. Posso estar sentindo de uma forma diferente, senti a minha raiva, mas ainda sinto a saudade, a falta, sinto o tempo passar, as memórias ficando cada vez mais antigas.

Hoje eu sei que eu sinto um monte de coisas e é bom saber que eu posso e tenho o direito de senti-las, porque eu estou viva e viver é sentir e seguir

24h por dia, 7 dias por semana!

Uma semana acordando antes das 6h!

Desde a época da faculdade, onde eu trabalhava, estudava e percorria 50km todo dia, que eu não acordava tão cedo.

Sempre pensava naquela época da minha vida como um tempo que ficou pra trás e eu não tenho a menor ideia de como conseguia sobreviver.

Mas a verdade é que as fases passam, mudam. Depois da faculdade veio a gravidez, a chegada do meu bebê, os quatro meses de cólica, amamentação, alimentação, primeiros passos, palavras, desfralde.

Hoje meus desafios andam de mãos dadas com os da minha filha e tenho vivido com ela a adaptação na nova rotina desse ano. Primeira mudança de escola e agora de turno.

Nosso dia tem sido acordar todas as manhãs “beijinho e hora do banho”, preparo o café, separo uniforme, confiro o casaco na mochila, penteia o cabelo, lembra de escovar os dentes e desce pra esperar a van batendo papo no banquinho.

Ela: segue para a escola nova, espaços novos, pensando se vai fazer amigos, se acostuma com a rotina da van (a melhor parte na opinião dela), as dificuldades com o processo de ensino, os problemas na alfabetização que resultaram na mudança de colégio, a rigidez da escola nova com as regras, as novas atividades que agora se encaixam na rotina semanal.

Eu: Saio de casa sonolenta, tentando conciliar nas horas que tenho, a terapia, o esporte, encontrar amigos, ler o livro em cada espaço que der no metrô, escrever conteúdo, saber da família, trabalho e + trabalho, os livros da escola que ainda não chegaram, o aniversário dela mês que vem, a viagem na semana seguinte, pedidos a responder, ajustes de campanhas, acompanhar umas métricas, ler umas notícias, fazer pesquisa, escutar uma música boa e ainda tem mil coisas me esperando pensar sobre elas.

Nós: No fim da tarde receber ela de volta nos meus braços, encontrar uma expressão de felicidade naquele rostinho. Entrar em casa exaustas, tentar saber de tudo que aconteceu, pelo que ela fala e pelo material todo revisado. Dar o jantar, tentar organizar alguma coisa na casa, coloca a roupa suja na máquina, joga o lixo pra fora, coloca a roupa pra secar, toma banho, dentes, coloca ela na cama, massagem no pézinho (ela curte muito), responde um monte de mensagem, faz a meditação do dia que chega por WhatsApp,

PQP JÁ É TARDE PRA CARAL*@ e amanhã tudo cedo de novo!

Sai dessa internet e vá dormir!

Aí vou eu, exausta… enquanto lá na cabeça ainda penso que sinto falta de levá-la e buscá-la na saída do colégio, mas que ela está crescendo, vai ficar cada dia menos dependente. Sinto orgulho, sinto dor. Sinto sono.

Sábado – 12 de Janeiro

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Enfim reuni coragem pra desmontar a árvore de natal, desembolar o emaranhado de fios do pisca-pisca, lidar com a poeira da árvore “com neve”, abriu um espaço na sala onde penso botar uma mesa de apoio com uma planta mais pra frente. Varri tudo, pedi comida e sentei pra ver TV com Lis, e que preguiça.

Bati papo com um amigo antigo da faculdade e falamos sobre os nossos dilemas da profissão, horóscopo, emoções e mercado financeiro, tudo junto.

Fui ler e depois de alguns minutos um insight! Pensei “pego ou não pego o computador?”. Peguei e me joguei na cama para fazer e anotar as coisas que imaginei. Sempre me arrependi das vezes que não corri pra anotar uma ideia ou botar alguma em prática, elas tem vida própria e às vezes passam por mim e vão.

Essa inquietação que vezes cansa e  vezes deixa feliz… sempre penso o que é e o nome que tem, é criatividade? Capacidade de associação? Curiosidade? Eu sei lá. É o bichinho-carpinteiro que mora dentro da gente, diria o vovô.

Essa foto não tem nada com o enredo do dia de hoje, mas quando visitei esse lugar eu pensei as histórias que passaram por ele, eu contaria várias, sem ter vivido nenhuma. Eu ouviria muitas, nesse corredor aí até escutei algumas, registrei outras.


Se der vontade de criar, encontre a atividade 🤗 imaginação não tem limites, fique aqui e/ou voe longe, alimenta o teu bichinho.

Quando em 2019

Cuide dos teus olhos você que vê
Aprecie a beleza da vida, você que enxerga!
Admire, observe, contemple.

Sente cada gostinho na ponta da tua língua
Degusta
Devora o mundo.

Escuta aqui
Ouve as mais lindas melodias
As que fazem vibrar
Deixa o seu corpo pulsar

Fareja teu caminho de perfumes
Costura a estrada com as memórias dos melhores cheiros
Inspira ares que chegam para fazer tudo se mover

Inspira – É de você pro mundo
Expira – É o que existe dentro de você
Respira – Segue vivendo

Segura o que estiver ao alcance das tuas mãos
O que você quiser sentir na sua pele
Acaricia, desenha, escreve, texturiza
Sente!

Conjuga
Mistura
Acrescente

Sinta com todos os sentidos
Construa sentidos
Descubra novas maneiras de sentir

Em 2019, faz sentido sentir.

Respira e escuta

Hoje eu li um estudo que falava sobre a relação entre o cheiro e as memórias, de como relembramos as experiências pelo olfato.

Eu adoro o cheiro de coisa boa, gente que cheira bem, mas meu olfato é péssimo, extremamente deficiente. Respiro mal por uma narina e vivo alérgica, sempre entupida. Quase sempre tenho dificuldade para decifrar um cheiro comum, como de coisas queimando na cozinha.

Mas sons…
Ah! A música!!!
Ela mexe comigo de uma maneira…

Eu desenho situações inteiras com as minhas memórias musicais.
Sou meticulosa com as minhas playlists, música para ler, para descansar, dançar, para experimentar tudo no mundo.

Escuto o barulho da rua nos mínimos detalhes, às vezes ele me tira o sono, às vezes é chuva na copa da árvore, é vento ventando. Tudo vai indo, vai vindo.

Danço, gosto da música.

Uma voz, conversas, riso, choro, riso com choro, silêncio, quebra do silêncio, sotaque, idioma, com o corpo, com a voz, com instrumento, a onda, o mar, a cachoeira, um pássaro, o vento…

Passado, futuro, presente, comunicado, transmitido e sentindo na oralidade, no som.

Muitas vezes eu não respiro
Mas estou escutando!

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Vim morar comigo

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Hoje observei a janela de um jeito que não conhecia

Descobri ângulo, distância e luz perfeitas para fotografá-la no fim da tarde
Lembrei das janelas a prova de som que estou pensando em instalar
Permaneci no meu silêncio e escutei a rua do lado de fora

Ouvi TVs, pessoas, carros, as árvores
E vi as gotículas de água caindo do céu
Fiquei bem sozinha
Me senti feliz

Fotografei algumas vezes
Para mim
Sorri ao reparar que os tons de verde só ficam bem vivos com os meus olhos

Me distraí
Por instantes não pensei em mais nada
Só fiquei aqui
Comigo

Tenho me descoberto dona nesse espaço
Que agora chamo de meu e só meu
Escolho o lugar das coisas
E escolho as coisas que quero nesse lugar

Tenho construído um refúgio
Não uma fortaleza
Aos poucos, trago para o lado de dentro o que e quem me importa

Aos poucos, jogo para fora o que não quero mais
Tudo o que é demais
E descubro também o que falta

Descobri beleza nas ausências
Na falta há espaços
No excesso, não

Tenho aprendido a morar comigo
Numa casa feita por mim
Onde cabem meus sonhos, sorrisos e esperanças

Me recebo
E me percebo
Eu tenho aprendido a morar em mim
Sendo boa anfitriã e hóspede

Vim morar comigo

Coração Valente

Nesse clima de mudança, mexendo em papéis, revirando coisas da casa, me deparei com a lembrança que 7 anos atrás descobri a gravidez, nesse mesmo fim de julho.
Lembrei do caminhão de emoções, era uma mistura de medo, amor, insegurança. No meu primeiro exame, aquele onde ouvi o coração galopante dela com apenas 8 semanas e uns milímetros, descobri a força que ela tinha e recebi também a notícia de que ela estava em risco.
Menos de uma semana que eu soube da existência dela e o médico me descarrega a notícia de que eu poderia perdê-la. Sentei no estacionamento do hospital, liguei pra minha mãe, eu chorava muito. Ela me acalmou e disse que ia ficar tudo bem, que eu não iria perdê-la.

Lembro de chegar em casa, me olhar no espelho e falar com ela, nem sabia ainda se era ELA, mas era meu bebê. A gente começou a conversar desde cedo. Tomei progesterona por alguns meses e ela ficou bem. Tudo se desenvolveu normal.

Quando ela estava na barriga, cantávamos parabéns pra ela toda noite, só assim ela parava de se mexer, quando ela nasceu e veio chorando pro meu colo, cantei parabéns, ela reconheceu minha voz e se acalmou.

Falo com ela todos os dias, mas hoje sou eu que me acalmo a ouvir a voz dela.
Feliz 7 anos que te descobri.
Obrigada por me escolher.
Te amo.

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Início de semana

É segunda-feira, acordei pouco antes do despertador me avisar. Levantei com a lerdeza costumeira e fui preparar meu café, me perdi quando não encontrei a mesa para sentar e me lembrei que eu e Duda tratamos de movê-la ontem a noite. Sentei no sofá, comi, fui tomar banho cantando alto. Antes de sair de casa lembrei do livro novo que a Clara me deu ontem e coloquei junto com o roteiro que eu tinha que decupar para a aula de mais tarde dentro da mochila. Caminhei cantarolando até o metrô, me sentei e logo tirei o papel da bolsa para escrever, uma senhora surgiu e me levantei para ceder o lugar e continuei escrevendo em pé. Terminei e fui guardar o papel na bolsa e tirei o livro, quando abri feliz para ler a primeira página, me dei conta de como fui idiota em não fazer isso ontem, na primeira capa do livro uma dedicatória dizia “Que onde você encoste seu barco seja luz. Que tudo que toque seja amor. Você é incrível! Te amo, beijos. Foi uma mistura de OOOOWNN com PUTZ! Como não vi isso antes?.
Com os fones bem ligados comecei a viajar pelas páginas do livro da Rupi Kaur, mega entusiasmada e distraída, sim!, eu leio ouvindo música instrumental e isso só me ajuda, mas não observo nadinha do redor porque considero o metrô um lugar seguro. Na página 35 fui interrompida, um rapaz que percorria o vagão pedindo dinheiro me surpreende com uma flor de mato (nenhum capim sublime, conheço de longe o cheiro de mato
) me sorri e fala “Pra você”. Eu sorri de volta após o milésimo de segundo que demorei para processar o que estava acontecendo e agradeci. Ele aponta para a minha tatuagem recém- pintada e pergunta se e é nova, eu respondo que sim, alguns dias. Ele sorri e diz que gostou, se vira e vai. Eu sorri e voltei pro meu livro. Algumas pessoas por perto sorriram também, talvez apenas por reflexo de seus neurônios espelho.
Desci do metrô com o livro, a flor, a música e o sorriso.

Comecei a semana, já valeu a pena!

Antes das 11h da manhã

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Ainda faltava um tanto para às 11h da manhã
Eu tinha horário marcado às 11h
Sentei na padaria para tomar um café
Fui fazer hora
Da hora que ainda não estava feita
Porque faltava ainda para às 11h.

Na única mesa disponível
Eu me sentei de frente para a rua
Logo na frente do semáforo
Onde param os carros ai sinal vermelho.

Enquanto bebo os goles desse café morno
Observo os vidros abertos e fechados
Mais fechados que abertos
É julho, e no Rio, 21ºC
Está frio, pelo menos para nós.

Vi o senhor de cabelo branco
Que conversava com a senhora do banco do carona
Eu não sei o que diziam, mas sorriam.

Vi o taxista careca e de óculos
Que com os olhos distantes encarava a tintura do carro ao lado
Não sei o que o tinha o reflexo, mas ele refletia.

Do outro lado da rua, a moça do cross fit levanta um ferro pesado
Duas esticadas do braço e sentiu a lombar
Até eu senti
O peso parecia mais pesado que ela.

No vidro fechado do ônibus, o rapaz de casaco vermelho se encosta
No banco de trás o moço de fones de ouvido observa o celular
Não sorri, nem reflete
Só assiste com a cabeça inclinada para baixo.

Na calçada do lado de cá, um moço empurra um carrinho
Parece de bebê, mas era um cachorro
Eu sempre vou sorrir com a mordomia dos bichinhos
Vida de cão, num dia frio antes das 11h da manhã.

Quando o sinal abre, o trânsito flui e todo mundo passa
Não dá tempo de observar
O carro da frente acelera e puxa o outro
Que puxa o outro e o seguinte.

Eu contabilizei, são 50 segundos de sinal fechado
50 segundos de sinal aberto
Estou sentada aqui há um pouco mais de 20 minutos.

Mais de 1000 segundos de vida entre um sinal e outro para observar e viver
Outros 1000 segundos onde tudo sexo o fluxo
Às vezes  quem veio depois corre, ultrapassa o sinal.

Agora chove frio
O café no fundo do copo já está gelado
Falta menos do que faltava para às 11h.

Fiz minha hora em uns 20 e poucos minutos
Vou pegar os sinais do meu caminho
Para parar e seguir
E seguir lembrando de parar.

Parar para ver a vida acontecer
Sendo extraordinariamente ordinal
Ritmada pelos intervalos dos sinais verdes e vermelhos.

Entre os sorrisos com o carona
Os pesos mais pesados que nós mesmos
O cansaço pra encostar ou para assistir
Os reflexos que nos fazem refletir
Ou no aconchego de um mimo.

A vida acontece enquanto eu faço hora.

As minhas Copas

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No primeiro dia de jogo do Brasil na Copa desse ano eu comprei um pack de cerveja, caso alguém viesse aqui pra casa ou caso eu fosse assistir o jogo em algum lugar, um pack com 6 cervejas, e hoje, resolvi tomar a terceira, isso mesmo, só hoje, e ainda hoje, e na verdade, ainda agora, 22h. Então já aviso que esse texto nem está e provavelmente nem será revisado.

Eu bebi menos de um garrafa 343ml de cerveja e já me sinto bêbada o suficiente para vir me confessar aqui, então notem o meu nível de resistência ao álcool. Ao longo da última semana eu escrevi uns 8 textos, não tive paciência, tempo ou vontade de sentar para revisar e digitar nenhum, e justo às 22h dessa sexta de eliminatória resolvi sentar aqui no computador para escrever.

Enquanto eu bebo essa cerveja me sentindo um pouco dormente e flutuante, logo após ter terminado de jantar, comecei a me lembrar do que eu me lembro (parece estranho né? Mas meus pensamentos sempre me soam confusos também).

Hoje, dia em que o Brasil  foi eliminado dessa Copa do Mundo de 2018, eu assisti o jogo ao lado da minha ex-sogra e meu ex-cunhado e também da minha filha, inclusive foi por causa dela que fui assistir o jogo (eu não assisti nenhum outro), ela queria se vestir e torcer, e como vai ser a primeira Copa que ela vai se lembrar eu me lembrei das minhas outras copas.

Em 2014 assisti o 7×1, mas foi tão rápido que nem consigo lembrar com precisão do que aconteceu, antes que eu buscasse uma pipoca na cozinha já tinha desandado tudo. Assisti os jogos na casa do Daniel, que era namorado da Lara, que era minha estagiária que eu havia conhecido naquele ano no trabalho novo. Hoje, Lara e Daniel estão casados e olhe só… Fui eu que celebrei o casamento deles. Fiquei feliz com a lembrança daquele 7×1, quem diria… Hoje aquele apartamento é o lar do casal que faz parte da minha história tanto quanto eu faço parte da história deles.

Em 2010, lembro muito bem o dia que o Brasil perdeu para a Holanda também nas quartas de final. Eu passei o jogo inteiro sentada na minha mesa (vulgo baia), na Esplanada dos Ministérios, tentando controlar uma crise de nervos. No final do jogo cheguei na sala da minha chefe e pedi demissão. Foi uma decisão muito difícil, todos me olharam espantados.  Eu estava lá há dois anos, tinha um emprego estável, não ganhava mal para uma pessoa tão jovem, era querida por todos. Eu tinha abandonado a faculdade de administração e tinha começado a estudar comunicação no ano anterior, estava saturada de toda a rotina do trabalho burocrático no meio público. Minha chefe se preocupou, mas me apoiou. Hoje eu a chamo de mãe, mesmo não morando mais em Brasília, sempre frequento sua casa, me sinto parte da família. Ela esteve ao meu lado em vários momentos da minha vida e tudo isso eu devo aquela oportunidade de ter estado ali. Mesmo que tenha deixado tudo para trás no dia da eliminação da Copa. Eu comecei no mês seguinte a trabalhar com comunicação e não parei nunca mais.

De 2006 eu tenho pouca ou quase nenhuma memória sobre a Copa, lembro da cabeçada do Zidane, lembro de Felipão, e graças ao amor do meu irmão pelo futebol e pelos vídeo games eu me lembro dos nomes de Buffon e Thierry Henry, esses eu nunca esqueci e deve ser só. Eu estava no auge da minha adolescência rebelde e eu não assistia muita coisa da Copa, mas foi nesse ano que eu assistia Lost.

2002 foi um ano muito marcante na história da minha vida, e teve Copa, e eu lembro perfeitamente de comemorar o penta. Não me lembro por qual motivo, estávamos só e eu e minha mãe e no final do jogo fomos para a praça da cidade onde todo mundo se reuniu. 2002 foi um ano muito LOKO. Meu pai havia morrido em fevereiro, a Copa foi logo em seguida, os jogos eram de madrugada, me lembro de assistir a abertura com toda a técnica asiática. Logo após o Brasil conquistar o título vieram as eleições e eu me lembro que o Lula ganhou. Eu cresci com meu pai mega fã do Lula, mas foi estranho ver que ele não viveu para assistir o candidato dele chegar ao poder. Nesse 2018 eu chorei ao ver o Lula sendo preso, não por pena, mas por decepção, por ver o que a sede de poder causa aos homens, cheguei a escrever uma carta que meu pai não vai ler, mas contei pra ele que o Lula ganhou em 2002 e foi parar na cadeia em 2018 e ele não viveu pra ver nada disso.

1998 foi a primeira Copa de que tenho memórias “racionais”, eu tinha 8 anos de idade, lembro muito bem dos jogos, do movimento do pessoal da minha rua, das bandeiras envolvendo os torcedores, de eu entendendo o que era aquilo. Me lembro de todo mundo comentando o título anterior, mas eu era só uma criança. Em 1998 eu tive a coleção toda as ararajubas amarelinhas. Comi pipoca e tomei guaraná e vi o país parar pra assistir a derrota para a França. Depois do jogo eu só lembro que fui andar de bicicleta na rua.

A Copa de 1994 foi, e eu nem lembro o que foi. Só foi mesmo. A gente ganhou, eu sei, me disseram. Eu tenho uma vaga lembrança de coisas daquela fase. A casa que morava (em todas as copas eu morei em uma casa diferente), eu entrando para a escola, o dia em que um prego acertou o meio da minha testa e até hoje eu tenho uma “covinha” no meio da testa graças a isso, foi nessa época que tive a única barbie da minha vida (porque nunca mais tive outra), foi mais ou menos nessa época que eu fiquei doente e quem diria, voltaríamos aqui ao que me levou a começar o texto, graças a uma hepatite lá em 1994/5, eu até hoje evito beber porque o meu fígado nunca será 100%.

E aqui eu vou terminando, porque a Copa de 1990 aconteceu quando eu nasci e eu vou ali ligar pra minha mãe pra perguntar como foi minha copa recém nascida.

Se você leu essa descrição das minhas poucas Copas e se sentiu velho porque se lembra muito do Tetra, saiba que assim como você eu também já me sinto velha e acredite você ou não… Ainda nem tenho 30 e nos últimos meses tenho aprendido a aceitar que minha cabeça está quase toda branca, e mesmo todo mundo rindo e dizendo que não ninguém vai reparar porque eu sou loira… Eu reparo… E já é o bastante…

Se você leu isso e tá se achando um bebê porque mal lembrou da sua Copa de 4 anos atrás… Parabéns… Colecione histórias, a vida só vai andar para frente.

Escreva sua copas, sua vida, conquiste seus títulos, faça seu jogo, entre em campo, lute e se não der nessa partida, segue o baile que a próxima vem!

Meus cumprimentos semi-embriagados com uma longneck.

 

 

 

Postei

Tem um tempo que eu não escrevo, estou até estranhando a textura da caneta no papel. Será que devo pegar o computador para digitar? A mão é mais lenta que o pensamento, e enquanto eu desenho e reparo essas palavras nesse papel, me perdi na velocidade que as ideias passam pela cabeça.

Queria contar tudo que tenho aqui dentro, mas tudo é muita coisa e talvez muita coisa seja melhor digitar, porque eu digito sem olhar para o teclado. O botão de apagar não deixa rasuras como essas aqui em caneta azul. Ninguém vai descobrir se editei mais de 5 vezes o mesmo texto.

Aprecio esse barulhinho da passagem das páginas, é um som que parece anunciar algo novo. Pode ser uma página em branco todinha para mim, pode ser uma página não lida que vou descobrir, às vezes redescobrir ou reencontrar, sei que gosto.

Percorro as páginas de uma história, as que escrevo ou as que leio. Relembro as páginas que marquei e as que me marcaram.

Já foram tantas frases grifadas, tantos papéis preto no branco que ficaram cheios de cores. Me encontro e me redescubro em textos antigos. Folhas suave ou intensamente rabiscadas, às vezes toco minhas marcas.

Tomo nota de tudo quando fico em silêncio. Sou capaz de escutar tanto e tão distante, que consigo ouvir até dentro de mim, viajo nas profundezas dos metros quadrados do meu quarto entulhado de coisas e da minha vida nada rasa de símbolos.

Eu me escrevi em folha de papel, rasurei, falhei.
Irão descobrir?
Mas e daí?

Vim me confessar
Sou imperfeita
Sou resultado das rasuras que me marcam.

Eu estou aqui revisando meus pensamentos e concluindo mais essa edição, me passo mais uma vez a limpo. Meus pensamentos analógicos, digitalizados na velocidade que eu disponibilizei.

Ih, vou postar a versão final de algo que não acabou.

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Deságua

Oi, tem tempo que a gente não se fala. Não que eu não quisesse..
Esses dias eu até me lembrei de você, nem era dia, era noite, madrugada…
Daquelas que tinha as horas que sempre passávamos juntos, meio acordados, meio dormindo. Nunca 100% lúcidos.
Escolha voluntária pela expectativa positiva e sorriso. Tempo enxergado em partículas, tudo era tanto e simples.
Nossos olhos seguiam os detalhes
e cada ponta dos dedos era condutora de um tsunami que vive dentro de você.
Tudo e tanto e em tão pouco que parecia demais. Que nem sei se foi demais ou de menos. Só vivi o que foi.
E foi.
Se foi.
Até quando?

Quanto tempo a tormenta da sua onda demora para completar a volta ao mundo e voltar a me atingir?
Que peso dos destroços das suas águas passadas você traz pra me afogar?
Eu fluo como um rio e aqui tudo passa, até o que transborda.
Percorro os meus caminhos.
Sigo.
Vai que um dia em volte desaguar em ti e o encontro das nossas águas escoem pra um outro caminho.

Eu torno a fluir.

Eu sou o sucesso de um time

Tenho passado por um processo de transição imenso. Atribuí muita coisa ao meu lindo retorno de Saturno, amadurecimentos, novas buscas, coisas que estou deixando para trás.

Eu percebi que uma ciclo está se encerrando e outro começando na minha vida. Por ser uma pessoa muito pé no chão, tenho sempre um pouco de dificuldade de lidar com esses processos de transplantação, de mover as minhas raízes que estão crescendo, para um vaso ainda maior, onde eu vá crescer para cima, e possa dar cada vez mais flores e frutos.

Tive uns dias de olhar muito para dentro, tentar silenciar e entender, refletir sobre tudo o que está acontecendo e tudo o que precisa acontecer. Tive que buscar coragem, força e principalmente agir.

E as coisas estão acontecendo, os resultados estão aparecendo, as reações das ações estão aí e quanto mais coisas acontecem, mais coisas eu penso sobre tudo isso.

Tenho me dado conta que sucesso está muito relacionado à pessoas, pois hoje, mais do que nunca, entendo que ninguém vive sozinho. Somos seres sociais e que a escolha dessas pessoas que nos cercam, influência nas experiências que vamos viver e o que com elas vamos aprender.

Tenho aprendido a aprender com todo mundo que está ao meu redor, mas também fiz a escolha de selecionar melhor as minhas parcerias para as diversas áreas da vida.

Tenho entendido cada vez mais a diferença entre o grupo e o time, e como capitã da minha vida, tenho trazido para o meu lado pessoas incríveis que têm fortalecido muito o meu jogo na vida. De mãos dadas a gente tem entrado em campo para buscar um objetivo comum, entendendo e aceitando o papel de cada um.

Fortalecer uns aos outros, apoiar, ouvir, acreditar, questionar, trocar conhecimentos, incentivar, fazer feliz e ser feliz. Doando amor, em qualquer gesto.

Com sorriso, suor, lágrimas, mais suor, ideias, planejamentos, criações, tenho me orgulhado muito do meu timão e dos nossos resultados.

Eu não sou o que eu sou sozinha e como se diz na linda filosofia Ubuntu, EU SOU PORQUE NÓS SOMOS.

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Por elas

Eles querem que a gente suba nos saltos, mas não pise nas tamancas.
Eles querem que a gente seja bela, mas não pra nós mesmas.
Eles têm medo que as nossas vozes se igualem as vozes deles.
Eles querem nos ver por baixo.

Mas a gente se reúne, a gente se abraça, a gente se apoia e a gente luta junta.
A gente se sustenta e a gente se ergue.
A gente escolhe alguém que seja a voz das nossas vozes. Querem calar uma, querem calar todas nós.

Querem dizer desde pequenas quem devemos ser. Querem nos impor, nos diminuir, querem menosprezar o nosso agir, querem nos dividir e nos emudecer.

Mas silenciosa não será a nossa revolução.
Nos vamos falar, nós vamos ensinar, nós vamos educar. Nossas filhas, nossas meninas, nossas ideias, nossas criações e crias. Nosso futuro vai chegar.

As deusas do agora, as donas de suas histórias. As mulheres que gritam pelo direito de serem livres, felizes, por viver e pela vida. Vida digna. Vida nossa, vida de quem sai da gente. Vidas humanas valorizadas pela riqueza de ser quem são. Pelo direito de ser quem são.

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26 de fevereiro

Hoje é uma daquelas datas de aniversário estranhas. Não tem parabéns, não há comemoração. 16 anos atrás eu me despedi do meu pai. Como 16 anos passaram assim?

Essa não é uma história triste, não é um drama, é só mais uma história, como as milhões que acontecem todos os dias por aí, mas é a minha.

Hoje eu tenho consciência que boa parte das minhas memórias podem só ser coisas que eu selecionei para escolher qual personagem meu pai seria na minha vida. Eu tinha 11 anos quando ele morreu, eu era uma criança! É muito estranho pensar que eu já vivi mais a minha vida sem ele do que com ele, e ainda assim ele é um personagem tão presente.

Meu pai gostava de Raul Seixas, essa é uma das minhas memórias. Quando eu paro pra escutar Raul, eu penso nele. O meu gostar de Raul talvez seja influência dele. Parece que quando penso que ele escutava Raul, eu penso que a gente tem um gosto em comum, que meu pai talvez tivesse todo esse lado mais maluco e rebelde que dizem que eu tenho.

Tenho outras memórias, às vezes parece que elas somem e outros dias elas surgem fortes. Como eu disse, é um dia estranho, eu não comemoro, mas eu lembro. A saudade, óbvio, bate, dói. Lembro dos nossos abraços, das nossas brincadeiras, do humor eu lembro das agendas dele, que às vezes ficavam em cima da mesa, cheias de cálculos, números, nomes. As manias, as coleções, nossos finais de semana no estádio de futebol ou no parque. Lembro quando ele comprou a primeira bicicleta e ele andou nela pra mostrar como era. Ele parecia um gigante naquela bicicleta pequenininha, foi engraçado.

Eu lembro dele com algumas coisa que vejo em mim, alguns contornos do meu rosto, o meu jeito de sorrir. Tem sempre uma parte do meu pai vivendo em mim.

Continua tocando Raul enquanto eu escrevo, e ele fala do início, o fim e o meio. Nós vivemos todas as partes, tudo acabou cedo e a vida tá andando cada vez mais rápido, mas duas coisas não passam… O amor e a saudade!

Pai, eu nunca me esquecerei de tentar outra vez e mais outra e mais uma.

Odisseia dos círculos

O homem deve ter inventado a roda depois de olhar bem fundo nos olhos de alguém
Deve ter sido encanto enxergado no infinito de uma alma que tem janela
Os buracos negros que se escondem no fundo de cada olhar
O mistério em descobrir onde começa e onde termina o meu e o seu universo particular.

Deve ter sido com atenção
Com tempo
Com minuciosidade.

O homem animal se fez arte
E desenhou na parede círculos como olhos
Esculpiu olhares em forma de roda
Sentiu tudo girar.

Foi olhando nos olhos que o mundo evoluiu!

Redondos os glóbulos, as cabeças e os planetas
Redondas formas que compõem o universo
Nossas digitais impressas pelo mundo.

Os passos em uma valsa
Um filme dentro de uma lata
Um disco fora da capa.

As canetas esferográficas
Os anéis de compromisso
Os nós que insistem e ficam.

As entradas de um cenote
O contorno da Lua cheia
Uma antena parabólica
E as escotilhas para um paraíso.

Nossos círculos sociais
Nossas rodas de conversas
Os giros que vida dá.

Redondos os núcleos, caroços e interiores
Redondas flores, frutos e sementes.

As galáxias
O tudo
E os olhos
Que enxergam o mundo de maneira diferente quando olham com profundidade uns para os outros.


Perdeu

Me perderam os que não souberam me amar
Os que me deixaram só
Os que não sabiam estar ao meu lado
Todos os que respondiam minhas palavras com profundo silêncio
Os que se omitiam, negligenciavam.

Me perderam os que não faziam mais sentido
Pois não tem sentido se não faz sentir
Se não tem mais olhos nos olhos
Se não tem mais toque na pele
Se não tem sabor conhecido nos lábios.

Se as palavras de carinho, admiração, afeto e amizade se dissiparem
E se nem mais o cheiro que tinha eu me lembrar
É porque tudo que era já deixou ser .

Se perdeu de mim
Me perdi de você
Nos perdemos
Nós perdemos

Eu não encontro mais você

Como é que faz tanto tempo e ainda dói como se tivesse sido ontem?

Eu acordei repetindo isso pra mim depois de sonhar com algo que lembrou você e perceber as lágrimas inundando meu rosto.

Como eu posso passar tanto tempo sem lembrar e ainda assim me deparar com um vazio e com essa ausência que me dói?

Pior ainda é me dar conta que ela vai doer pra sempre em todas as vezes que eu esquecer e lembrar.

É sempre estranho descobrir que você não está mais aqui. Eu volto pra nossa casa, volto pro nosso parque, volto pro estádio de futebol, mas eu nunca volto no tempo e nada me traz você outra vez, mesmo você estando em tudo isso.

Foi estranho acordar e perceber que você era tanto sorriso e um dia veio morar no meu choro.

Ainda que eu me lembre do seu abraço, e eu me lembro muito dele, eu retorno à ausência que ele deixou, na falta que ele me faz. Eu volto pra dizer pra mim que eu nunca mais vou encontrar você.

Eu não te encontro nem nos meus sonhos. Eu tento, mas não te encontro mais. São apenas sinônimos, avisos, talvez até lembretes, mas nada mais é ou será você.

Parece que foi ontem quando essa dor chega pra sufocar meu peito, mas só parece

Sou só eu e essa dor, essa saudade e esse vazio, que sem procurar, eu vez ou outra encontro.

Você já não é mais, porque eu não sei se alguém é o que já foi sem nada mais poder ser.

E se “sempre” fosse só “agora”?

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Eu não quero pensar em pra sempre, porque o sempre é uma escolha também.
Mas eu queria que por um tempo, a gente se gostasse de um tamanho maior que os nossos medos, vaidades, egoísmos e nos esforçacessemos pra juntos sermos um pouco mais felizes, no tamanho de um sempre limitado.
Que a gente fosse capaz de sentir o mesmo amor que a gente sente pelas pessoas boas da rua, de maneira mais próxima em nós dois. Que a gente se descobrisse em águas mais profundas.
Que a gente parasse de correr na direção dos abismos que nós criamos para nos julgar salvos de tudo que incomoda o que nos acomodou.
Que fosse a gente o endereço do abrigo em que o outro encontra refúgio. Nos fízessemos de casa para que quando o outro decidisse vir morar, encontrasse a porta aberta e aos poucos trouxesse sua mobília e começasse decorar.
Eu iria explorar as palavras do vocabulário para soletrar o seu sorriso.
Eu me lembraria de parar pra olhar uma flor e enxergar nela a beleza que é existir.
Eu ia querer sentir o calor da luz do sol nos seus abraços.
Eu enxergaria o brilho da luz das estrelas no seu olhar dentro do meu.
E tudo isso eu nem espero que seja um sempre, mas que enquanto o sempre for agora, que você deixasse acontecer.